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O amor: uma corrente sem fim

por Gilberto Cabeggi

Publicado dia 22/4/2008 em Autoconhecimento

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Um sábio de nome Jonas PahNu sentou à sombra de uma mangueira, carregada de frutos saborosos e doces. Daniel, seu discípulo, sentou a seu lado.

O mestre, então, estendeu a mão e apanhou uma das mais belas mangas – a carga de frutas daquele ano era tão abundante que, mesmo sentados, podiam alcançá-las sem esforço. Ofereceu-a ao garoto e em seguida apanhou outra fruta para si mesmo. Saborearam-nas com prazer, deliciando-se com sua textura, com seu sabor doce e incomparável.

Depois de algum tempo naquela tranqüilidade, Daniel voltou à sua tão habitual mania de perguntar ao seu mestre tudo o que lhe vinha à cabeça:
– Mestre! Com que se parece o amor?
– Com uma corrente sem fim.
– Como assim? Você quer dizer que o amor nos prende?
– Não, meu amigo apressado. O amor sempre liberta. Eu apenas disse que ele se parece com uma corrente sem fim, porque um elo sempre é seguido de outro.
– Não estou compreendendo, Mestre!
– Vou explicar-lhe. Porém, antes quero que você faça algo: apanhe uma boa porção dessas mangas maduras, coloque-as em várias sacolas e vá até a rua. Distribua cada uma dessas sacolas para as várias pessoas que passarem por você.

E assim Daniel o fez. Levou cada uma das sacolas de mangas para a calçada e as arrumou cuidadosamente. Depois se voltou para o Mestre e disse:
– Volto num instante.
– Não tenha pressa, Daniel. Distribua as mangas com prazer, sempre com um sorriso no rosto. E observe atentamente tudo o que acontecer à sua volta.

Cerca de uma hora depois, Daniel estava de volta, radiante e feliz. Entusiasmado, rodeou Jonas. Eufórico, disparou a contar sua experiência.

– Calma, Daniel. Ninguém aqui vai tirar o pai da forca. Sente-se e vamos conversar.

O garoto se acalmou e Jonas perguntou:

– Como foi a reação das pessoas para quem você deu as mangas?

– Foi incrível, mestre. No começo, as pessoas não entendiam o que eu estava fazendo, algumas até desconfiavam, mas depois se deliciavam com o aroma e a visão das mangas e abriam um sorriso lindo de se ver. Quando pegavam a sua sacola, agradeciam com um brilho nos olhos e seguiam para suas casas cheios de felicidade.

– E alguma coisa em especial lhe chamou a atenção?
– Sim, mestre. O mais bonito de tudo ocorreu no final. Eu tinha apenas mais uma sacola e surgiu um senhor de aparência muito humilde, para quem a entreguei. Mas, quase ao mesmo tempo, surgiu um garoto maltrapilho, para quem eu tive de dizer que as mangas haviam acabado. Eu já estava pensando em vir até aqui buscar mais mangas, quando o senhor que estava levando a última sacola se virou para o menino e repartiu com ele as suas mangas. O garoto saiu feliz, agradecendo e dizendo que as dividiria com sua mãe e irmãos pequenos. Seus olhos brilhavam de contentamento. Mas nada que se igualasse ao olhar de felicidade daquele senhor que tivera aquele gesto tão nobre. Seus olhos se encheram de lágrimas de alegria e tinham um brilho especial.

Daniel não percebera, mas seus próprios olhos tinham um brilho especial.

– Muito bem, garoto. Sente-se aqui e vamos falar sobre o amor.

O rapaz sentou-se com Jonas e este começou a falar:
– Há alguns meses, encontrei esta mangueira bastante fraca e com poucas chances de produzir boas frutas. Com amor, cuidei dela, adubei a terra, limpei suas doenças e lhe dei água abundante. Ela aceitou o amor dos meus cuidados, recuperou-se, fortaleceu-se, e se preparou para a época da frutificação. Chegou então a época da colheita e a mangueira, com todo o seu amor, ofereceu-nos os frutos. Os pássaros em seus galhos fizeram ninho, chocaram seus ovos e tiveram seus filhotes e se alimentaram das saborosas e abundantes mangas. E, por sua vez, manifestaram esse amor alegrando nossos dias com seus cantos e cores maravilhosos. Hoje nos sentamos aqui e provamos do amor da mangueira, usufruindo a sombra de sua copa abundante e saboreando o doce e o perfume de seus frutos. Com alegria, você separou as mangas em sacolas e distribuiu esse amor para pessoas que passavam pela rua. E presenciou aquele senhor dividindo a sua quota de mangas, ou ainda a sua quota de amor, com aquele garoto maltrapilho. E ouviu aquele menino, feliz, dizer que levaria esse mesmo amor para sua mãe e irmãos, com quem dividiria as mangas que ganhou. Depois, você mesmo voltou para cá e me contou o que viu. Você apenas não percebeu que nos seus olhos existe agora um brilho diferente, que reflete o amor que há em seu coração, depois da experiência que viveu. E que trouxe também para o meu coração desse amor que colheu.

Daniel sorriu. Ele concordava plenamente com o que o mestre dizia.

– Agora, Daniel, vou responder à sua pergunta que iniciou essa nossa conversa. Vou lhe dizer com que se parece o amor: o amor se parece como uma corrente sem fim. Porque ele se propaga continuamente, naturalmente. Quando alguém, ou algum ser vivo, como a nossa mangueira aqui, recebe amor, passa também a manifestar, a dar amor. Mesmo que não perceba, todo aquele que é tocado pelo amor acaba por tocar alguém com amor – assim como os elos de uma corrente infinita se seguem uns aos outros. E o mundo se torna um lugar melhor para se viver.

– Compreendo, mestre.

Começava a anoitecer. Os pássaros já se aconchegavam em seus ninhos, protegidos pela frondosa e protetora mangueira. Jonas e Daniel se levantaram, preparando-se para recolher-se à casa.

De repente, o garoto parou, deu meia volta e correu em direção à árvore. Abraçou carinhosamente seu tronco, beijou-a e disse: – Obrigado! E depois correu para dentro de casa, certo de que seu sono seria tranqüilo naquela noite.

Jonas olhou para a copa da árvore e pareceu vislumbrar um sorriso por entre as folhas. Sorriu, enquanto uma lágrima brotava de seus olhos. Sabia que a missão daquele dia estava cumprida e que todo aquele amor permaneceria no ar por muito tempo. Acariciou o tronco da árvore, beijou-a respeitosa e amorosamente e se retirou.

Gilberto Cabeggi é escritor, autor do livro
“Todo Dia É Dia de Ser Feliz”, pela Editora Gente.
www.papolegal.net
[email protected]

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Texto revisado por Cris

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