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O chinês da esquina

por Alex Possato

Publicado dia 15/1/2008 em Autoconhecimento

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É inconfundível! Chegando próximo à esquina da Rodrigues Alves com a Domingos de Moraes, aquele aroma de óleo de gergelim esquentando na frigideira chinesa - acho que se chama wok – faz-se presente no meu nariz. E lá está ele: pequeno, magrelo, jovem, o chinês do carrinho do yakissoba segurando o tal do wok com um pano para não queimar as mãos, e com a outra manipulando rapidamente legumes previamente cortados, frango e o macarrão. Pronto! Em alguns minutos está pronto o yakissoba do chinês da esquina.

Eu adoro comida de rua e sou daqueles que não está nem aí com o pessoal que vem falando da vigilância sanitária e coisa e tal. Conheci minha mulher numa viagem pela América Latina onde o charme é comer empanadas vendidas pelas índias e almoçar em casas que se diziam restaurantes. Mas não é sobre a qualidade gastronômica que resolvi falar hoje em relação ao nosso famoso anônimo chinês da esquina. Quero falar sobre trabalho e motivação. É! Alguém que já passou por esta esquina duvida da motivação desse magrelinho?

Deixa eu fazer uma pergunta: o quanto de garra e energia é necessário para ficar lá em pé, das 9 da manhã até depois de meia-noite, preparando um yakissoba atrás de outro, chova ou faça sol? O que leva uma pessoa a se dedicar tanto, ficando longe do filho pequeno que até alguns meses atrás estava na barriga da sua mulher, que também o acompanha na barraca?

Fiquei curioso e resolvi tomar uma cerveja numa lanchonete estratégica, de onde eu podia ver seu trabalho, seus movimentos, seus clientes. Para táxi, para seguranças. Vêm funcionários de lojas da região e até moradores do bairro. Algumas crianças mal vestidas ficam próximas e pedem dinheiro a cada um que pára no chinês... De alguma forma elas sabem que tem muita gente com a crença de que não se deve negar um prato de comida a alguém (é, vovó dizia isso!), e ficam lá de certa forma chantageiando emocionalmente os desavisados. Culpa delas? Não, alguém as ensinou como é o truque. Culpa da mãe? Não, porque ela também fazia isso quando criança...

Aí está o paradoxo: o chinês que se mata de trabalhar e o brasileiro com sentimento de pobre se matando de pedir, e matando os outros conterrâneos de raiva e vergonha, tudo ao mesmo tempo. O que faz alguém sair lá do outro lado do mundo, provavelmente sem nada nos bolsos e trabalhar tanto para dar uma vida melhor a si e à família? E o que faz alguém em igualdade de condição – nada no bolso como tantos - evitar o trabalho duro e preferir condenar-se ao inferno eterno da baixa auto-estima e ainda ensinar isso a seus filhos?

Antigamente eu acreditava que miséria e sofrimento faziam as pessoas darem a volta por cima, irem atrás da vitória e da conquista... Hoje, até porque trabalho com desenvolvimento pessoal, percebo que a dor não tira ninguém do buraco. Tem gente que vê cair um braço e diz "Ah, ainda tenho o outro", e reclama da vida. Depois vê cair uma perna e diz "Ah, mas ainda tenho a outra", e reclama da vida. E fica sem braços e pernas e, então, diz "Ei, você! É sua obrigação me ajudar! Olha o meu estado!"

É! A dor não faz ninguém se mover. Existe apenas uma única coisa que faz as pessoas se moverem, sejam eles chineses, japoneses, nordestinos, paulistas ou marcianos: cansar-se da dor! Este é o momento mágico: não importa se é a dor de perder um braço ou a dor de não poder comprar um carro zero. Cada pessoa tem o seu parâmetro a respeito do que é necessário para si e para sua família e também o quanto quer suportar de dor. No momento em que percebe que não está conseguindo o que quer, ele tem a opção de criticar o mundo e culpar Deus e o diabo pela sua agonia, ou também tem a opção de ir atrás do que acha que é seu, de direito!

Enquanto eu estava perdido em meus pensamentos, consumindo lentamente a minha cervejinha, o chinês continuava em seus movimentos ritmados, precisos. Seus braços queimados pelo sol de todo dia moviam-se como um maestro: um maestro que resolveu assumir o comando da própria vida e fazer dela uma sinfonia mais harmônica do que era até então. Pelo menos é o que eu creio.

- Quanto é a cerveja?

- Três e cinqüenta...

Enquanto eu gastava três reais e cinqüenta centavos, o chinês vendeu quatro yakissobas. Quatro vezes quatro reais é igual a dezesseis. Em vinte minutos. Ah, esqueci de dizer: era domingo à noite... Parabéns, chinês da esquina: que você sirva de motivação para mim e para tantos outros que pensam, pensam, pensam e... pensam. Opa! Mais dois pedidos...

Alex Possato
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Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Alex Possato   
Terapeuta sistêmico e trainer de cursos de formação em constelação familiar sistêmica
E-mail: [email protected]
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