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O CORPO NOSSO DE CADA DIA



Daqui a bem pouco tempo iremos admirar-nos quando alguém comentar que existiu uma época quando os seres humanos, todos os dias, ao acordar levantavam-se da cama e sem espreguiçamento e alongamento assumiam um estado de prontidão e alerta. Isso será motivo de espanto, tanto quanto hoje em 2007 olhamos para trás e nos estarrecemos com o fato de já termos convivido com a escravidão.

É um absurdo o que o ser humano faz consigo mesmo, essa tentativa de abortar o que de mais biológico existe em nós, nossa auto-regulação. Nada na natureza funciona dessa forma, nenhum animal “irracional” acorda e se levanta prontamente. Ao observarmos um gatinho ou um cachorro em seu delicioso espreguiçar, teremos uma aula de alongamento e um esbanjamento do que é a sabedoria biológica e corporal. Mas, que nada! Somos seres “superiores” e podemos intelectualizar nossas emoções e gestos!

Existe a prepotência em suprimir o funcionamento corporal em detrimento ao mental e nenhum ser humano consegue ficar isento ao elevado custo dessa manobra. Nossa auto-regulação é função do sistema nervoso vegetativo: ninguém consegue parar, por exemplo, um reflexo de vômito ou um bocejo, a não ser que estes já estejam aprisionados ao que também é função do mesmo sistema nervoso vegetativo, a couraça.

Somos obrigados a adentrar nessa teoria para explicarmos a unidade funcional que existe entre bloqueios musculares, respiratórios, emocionais e mentais. Com isso queremos então nos redimir sobre a prepotência do ser humano, quando deixamos de lado o alongamento. Isso não acontece por mera arrogância ou ignorância, nos resguardamos é de um contato mais íntimo com nossa identidade.

Todo bloqueio ou limitação de gestos guarda em si um conteúdo emocional não manifesto com o qual não queremos ou não podemos ter contato, porque se fosse diferente, não seria um bloqueio e não configuraria uma rigidez muscular.

A função do professor de Educação Física não é a de um terapeuta, mas é importante que ele saiba que quando está alongando um aluno, está mexendo com algo mais profundo do que simplesmente estruturas fisiológicas. Ele estará atuando numa configuração de identidade. Uma identidade que para se defender das agressões por ela sofrida, construiu mecanismos de defesa que se corporificam como bloqueios musculares, emocionais e mentais.

Esses bloqueios são erguidos em uma época de nossas vidas quando estávamos ainda construindo nossa identidade; esse funcionamento é anterior ao cortical. Nós não percebemos o mecanismo da couraça como algo estranho, ou seja, essa configuração é sentida como sendo nosso desenho corporal, nosso jeito de ser, sentir e atuar no mundo.

O professor precisa, primeiramente, perceber o seu próprio corpo para poder perceber o corpo do outro. Esse contato com sua intimidade corporal deflagra o que chamamos de consciência corporal e isso aumenta a percepção e a sua sensação de existir. A rigidez muscular tem sua correspondente psicológica e mental, ou seja, existe uma resistência emocional e uma estrutura de crenças que nos aprisiona dentro de um padrão de comportamento que acreditamos ser o ideal. Evitamos o alongamento por medo de uma prestação de contas com aquilo que realmente somos, queremos e sonhamos e que nem sempre corresponde à nossa máscara de aceitação.

Estaria tudo bem em todo o equilíbrio entre o anseio da identidade e a sua manifestação possível, não fosse o fato que citei anteriormente de que isso tem um preço muito alto. Esse preço é a diminuição da auto-estima, da alegria de viver, da autonomia em fazer nossas escolhas e, principalmente, o fato de que isso detona com nosso sistema imunológico. Ficamos muito mais suscetíveis às doenças porque fadigamos nosso organismo na manutenção dessa estrutura em funcionamento.

O corpo mantém uma série de contrações crônicas e cada fibra muscular envolvida nesse processo está em constante desgaste energético. São grandes áreas no organismo onde a irrigação sanguínea, respiração, retirada de substratos de reações bioquímicas e toda circulação de fluídos corporais encontram-se prejudicados.

O professor tem nas mãos valiosos instrumentos de intervenção: o movimento, a respiração e seu próprio corpo como campo de pesquisa. Saber como usá-los enriquece e facilita seu trabalho junto ao aluno, além de alicerçar sua busca de melhoramento pessoal.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 30/10/2007

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