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O que acontece e o que fazer após uma Constelação Familiar? O que acontece e o que fazer após uma Constelação Familiar?

por Roberto Debski


Por diversas vezes comentei no grupo de estudos semanal, nos grupos de constelação e nos cursos que facilito sobre o que acontece, o que fazer (e o que não fazer) após uma constelação.
Observei em muitas oportunidades participantes que foram tocados pela constelação, ao seu término, cercarem o constelado, e o questionarem sobre diversos aspectos do que aconteceu durante a constelação, querendo entender aqueles movimentos de Amor, tão profundos e por si só tão reveladores.

Cada constelação familiar é um evento que toca fundo nossa alma. A alma de quem constela, do constelador, dos que representam e dos que participam assistindo. Ninguém comparece a um grupo de constelação por acaso, todo constelador sabe disto, através de inúmeros exemplos.

Há pessoas que "por acaso" foram convidadas por um amigo e resolveram participar, outras estavam olhando as suas redes sociais e de repente "se sentiram atraídas" por uma postagem e foram ver do que se tratava. Outras já haviam ouvido falar e de repente "sentiram que deviam participar", outras nunca ouviram falar nem sabiam do que se tratava mas alguém comentou ou fez um convite e mesmo sem saber o que era, "sentiram que precisavam comparecer" e foram, para participar de uma experiência que transformou sua realidade.

Se participamos de uma constelação, é porque fomos "chamados" e há algo que necessitávamos vivenciar através daquela constelação. Já estávamos prontos.
Por afinidade, sintonia, chegamos até lá, e fomos, junto a tantos, impactados pelo que se desvelou no campo.

Os comentários sempre acontecem e são semelhantes: "aquela constelação parece que foi feita para mim", "senti que era minha a constelação", "passo por um problema muito semelhante a este", "sabia que seria chamado para representar", e assim por diante. 
Já aconteceu com você?

Trago um exemplo pessoal. Em setembro de 2016, eu estava num evento em São Paulo, um seminário internacional com Bert e Sophie Hellinger, entre 900 consteladores do Brasil e de outros países, muitos amigos, conhecidos, colegas de curso, e como de costume o casal Hellinger chamava voluntários para participarem das constelações que se seguiam, e, neste momento, constelavam uma mulher e precisavam de um homem para representar seu companheiro. Eu já havia participado de inúmeros grupos de constelação, mas nenhum tão grande como aquele, com quase mil pessoas.
Dezenas, centenas, levantavam a mão a cada convite para participar das constelações, e nesta constelação eu não o fiz, mas senti algo diferente, já pressentia o que ia acontecer.
De repente, Sophie Hellinger aponta de longe o dedo em minha direção, eu que estava quieto no meio da multidão, quase escondido, me chamando para subir e participar.
Sabia que era comigo, mas ainda assim perguntei através de um gesto, "sou eu?", inclusive olhei para trás para ver se era outro o chamado. Eu estava claramente resistindo ao movimento.
Ela novamente fez um gesto, agora impaciente, para mim, como se dissesse "venha logo". Senti então que fazia parte de algo maior me chamava, e fui.
Subi ao local da constelação, um palco elevado, e entrei como representante na constelação daquela mulher, para exercer e vivenciar uma função que era relacionada diretamente a uma questão minha, algo que eu vivia pessoalmente e trazia muitas implicações para meu sistema familiar.
Foi como se fosse minha aquela constelação, e realmente era. A constelação é, sem dúvida, de cada um que participa, e também dos que assistem.
Trata-se de um incrível movimento de ressonância de campos mórficos, da interação de nossos sistemas familiares, todos presentes, cada um onde deve estar, os sistemas de todos, consteladores e constelados, representantes e participantes se entrelaçam em busca da cura para nossos emaranhamentos, todos e cada um a serviço da Vida.

Mas, então, a constelação chega ao seu término e muitas pessoas têm curiosidade e vão perguntar ao constelado sobre a sua constelação. Esta curiosidade pode ter um efeito negativo, pois a constelação familiar é um movimento da alma, nunca se encontra no nível da mente ou da racionalidade. Não é possível articular explicações a partir de juizos ou ideias preconcebidas.

Quando perguntamos para quem acabou de constelar o que aconteceu, o que ele ou ela sentiu, pedimos que "explique" o que significou cada movimento, e queremos "entender" a constelação racionalmente, estamos reduzindo a constelação e o constelado a um lugar intelectual, cognitivo, mental, e isto não é consonante com este caminho do sentir e entrar em contato com a alma e o campo mórfico, que é do que se trata a constelação.
Pode tirar o constelado da presença dele com sua imagem da sua constelação, levando-o também a retornar ao mental, às dúvidas e questionamentos, enfraquecendo seu movimento.

Nas oportunidades em que constelei, logo a seguir, mesmo que quisesse não conseguiria tecer explicações para quem quer que fosse, nem para mim mesmo. Ao terminar, como que num torpor, eu permanecia comigo mesmo, em meditação por longo tempo, deixando as mensagens e informações que se mostraram no campo percorrerem os recônditos de minha alma, sem querer entender nada, só sentindo, presente, até que aquele movimento se tranquilizasse, e eu pudesse retornar à vida cotidiana.
Isso demorava certo tempo, só então eu conseguia retornar ao "exterior", e voltar a participar das próximas constelações.

Mostra-se fundamental respeitar este momento do constelado, deixá-lo vivenciar e interiorizar a imagem de sua constelação em sua alma, para que faça o efeito possível e necessário, aprofundando a experiência.

Para nós também, deixemos o silência falar mais alto.
Abaixo trago um texto de Bert Hellinger falando exatamente sobre este tema. Espero que aproveitem, com a alma, indo além da mente.

"O que acontece depois de uma constelação familiar?"
"As constelações familiares atuam, quando se deixa exatamente como as viu. É uma imagem espacial e intemporal, das profundezas e tem a sua força quando se deixa tal e qual. 
Qualquer discussão sobre o seu conteúdo destrói a imagem.
O mesmo se aplica quando um acaba de trabalhar, algum do grupo aproxima-se mais tarde e pergunta-lhe: como foi? 
O que estão a fazer é debicar a sua alma. 
É fatal, invadir assim a alma de outra pessoa como se tivéssemos o direito de o fazer. 
Ninguém tem o direito de o fazer. Também não adianta tentar consolá-lo. A pessoa é forte. 
Quem tenta consolar, é fraco. Este é realmente quem não suporta a dor do outro. 
Porque no fundo não quer consolar o outro, mas usa o outro para se consolar.
Não é preciso interferir. E isso é válido para todo este trabalho.
A própria pessoa também não deve agir imediatamente. Não funciona assim. 
A imagem tem de descansar na sua alma. Às vezes por muito tempo, talvez meio ano ou mais. E não se faz nada para Mudar. 
As imagens já funcionam, simplesmente estando. 
E, ao fim de um tempo na alma, reúne-se a força necessária para fazer a coisa certa. 
Aquilo que é certo e bom será diferente do que um agora acabou de ver. 
A alma da pessoa sabe muito mais ainda e no final um segue a sua própria alma e assim tem a plena força.
Portanto, não segue o facilitador nem a esta imagem. 
Um segue a sua alma. Mas esta imagem tem impulsionado algo em sua alma que mais tarde torna possível agir.
É assim que temos de lidar com estas imagens". Texto de Bert Hellinger

Dr. Roberto Debski
Médico – CRM SP 58806
Especialista em Homeopatia e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira
Psicólogo – CRP/06 84803
Coach Sistêmico e Trainer em Programação Neurolinguística
Facilitador em Constelações Familiares
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Autor: Roberto Debski   
O Dr. Roberto é médico (CRM SP 58806) especialista em Acupuntura, Homeopatia e tem formação em Medicina Ortomolecular. Também é psicólogo (CRP 06/84803), Coach e Trainer em Programação Neuro-Linguistica com certificação Internacional e constelador sistêmico familiar. Acompanhe nossos próximos eventos! 
E-mail: rodebski@gmail.com
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Publicado em 14/07/2018

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