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O que fazer quando a ansiedade se torna um transtorno?

por Nadya Prado
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Você, talvez, sinta ansiedade em alguns momentos da sua vida, isto é natural, faz parte da dinâmica emocional. Mas é importante distinguir quando a ansiedade passa a ser um problema de saúde.
Para entender melhor a ansiedade e o que ela causa em nós, vamos começar por compreender o medo.

Em situações de perigo, o cérebro emocional aciona no corpo uma série de recursos próprios do medo. Segundo o DSM - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o medo é uma resposta emocional, física e comportamental a uma ameaça externa reconhecível. Já a ansiedade é um estado emocional incômodo, perturbador e antecipatório, que causa os mesmos sintomas da reação emocional do medo.

Poderíamos dizer que a ansiedade está na mente, enquanto o medo está no corpo. Porém, ao sentirmos ansiedade, o corpo reage ao estímulo emocional, seja ele real ou imaginário. É o medo em ação, promovendo a liberação de hormônios, alterando a sua fisiologia, gerando sintomas desagradáveis. Mãos geladas e suadas, taquicardia, confusão mental, desarranjos intestinais, falta de ar, são alguns sintomas.

Sentir ansiedade, em alguns momentos, é positivo, de um algum modo, porque o estado de desconforto nos leva a buscarmos aprender a lidar com aquilo que não conhecemos e nos sentimos inseguros ou incompetentes. Ela nos torna adaptativos e nos tira da zona de conforto. A ansiedade também gera cautela para que não sejamos, demasiadamente, impulsivos.

Além dos limites, a ansiedade se torna uma doença, um transtorno. Ao invés de nos ajudar, ela passa a ser um sofrimento constante. Neste estágio, o que era um recurso adaptativo passa a ser um sintoma inapropriado sem uma ameaça previsível ou real. Da ansiedade surgem vários transtornos e conhecê-la melhor pode fazer toda a diferença na cura. O medo e a ansiedade, normalmente, são acompanhados de um comportamento de esquiva, o que explica as alterações metabólicas no corpo que se prepara para reagir ao perigo iminente.

Esse sentimento de esquiva está presente nos transtornos de ansiedade em geral. As sensações desagradáveis no corpo, decorrentes do medo faz com o próprio medo se potencialize e a pessoa amedrontada tenta fugir e evitar todas as situações que gerem o desconforto emocional e físico. Dito isto, fica mais fácil compreender a tomada de decisão dos ansiosos, em busca do alívio imediato, pelas vias medicamentosas e por um deslocamento da ansiedade para outros transtornos como, por exemplo, as compulsões. Ocorre que, enquanto não abordamos as causas, os problemas continuam.

A preocupação é um estado emocional antecipatório em que a mente viaja para possíveis ou imaginárias situações futuras em que poderia se sentir vulnerável. Este estado mental pode ser produto de falta de autoconfiança e entrega. E sempre vem acompanhada de uma necessidade de tentar controlar as situações futuras.
Autoconfiança implica uma série de questões que são trazidas desde a infância e quem sabe de outras vidas. A entrega trata de uma confiança em algo maior e o entendimento que a vulnerabilidade é parte das experiências e pode ser encarada como um aprendizado ao espírito.

Também considero bastante importante o fato de hoje em dia as pessoas sempre buscarem resultados e não viverem o momento presente. Querem controlar todas as coisas, como se isso fosse possível, sem trabalharem em si a aceitação. Ganhar ou perder é tudo uma questão de ponto de vista e quando queremos apenas ganhar, segundo nossas expectativas, não permitimos que a vida possa fluir livremente.

A ansiedade é um estado natural da mente que se sente em permanente conflito com as pessoas e acontecimentos. Ela tem sempre a sensação de ter que lutar para sobreviver. Por isto, a mente é sempre angustiada e se livrar desse estado mental é libertador. Para tanto, é necessário acessar outros estados de consciência, suplantando a mente sofredora e sem saída. Viver aqui e agora é o estado de não-ansiedade e de não-mente que todos nós podemos acessar. Para alcançar esta condição de tranquilidade e ir diminuindo o fluxo de pensamentos angustiantes, é fundamental praticar a dissociação saudável, por meio da expansão da consciência, que sabe a diferença entre o eu verdadeiro e o falso eu.

A prática da meditação é o início de toda transformação. A partir dela começa a cura em que a mente doente sai do comando, dando lugar à consciência desperta. É um processo terapêutico de reencontro com a essência do ser e reconstrução de pessoa pelo sentimento nobre do autoamor.

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Atualizado em 19/02/2020

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