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O sentido do sofrimento



A questão do sofrimento é tão antiga quanto a própria humanidade. E muitas são as abordagens filosóficas sobre ele. Na Bíblia, já vamos encontrar Jó clamando: “Que significam meus sofrimentos? Para que servem?” Qual o sentido da dor? Por que as pessoas adoecem? Qual a finalidade do sofrimento? Diz Ignácio Larrañaga: “Onde está o homem, aí estão juntas a alegria e a dor (...) o sofrimento será sempre a sombra do homem”.

O absurdo da dor está na sua falta de sentido, na sua inutilidade. Quem a vê assim se entrega ao desespero e à revolta. Mas, se a dor é vista como uma pedagogia, um sistema de aprendizagem, um esmeril, que leva o indivíduo a crescer espiritualmente, por que haveria o Cristo de sofrer? Por que os grandes santos também não foram esquecidos pela dor e pela doença? Se olhamos a dor pelo prisma da fé cristã, sabemos que aquele que sofre em Cristo, morre com Cristo.

João Paulo II dizia: “Todo homem tem sua participação na redenção. Cada um é chamado também a participar nesse sofrimento mediante o qual todo sofrimento humano foi redimido. Levando a cabo a redenção pelo sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível de redenção. Por conseguinte todo homem, em seu sofrimento, também pode ser participante do sofrimento redentor de Cristo.” Salvafici doloris 19.

Só aquele que muito padece tem a capacidade de se com-padecer, isto é, alcançar a compaixão e a misericórdia, próprias dos grandes espíritos. Em muitas ocasiões podemos perceber, nos evangelhos, a familiaridade de Jesus com o sofrimento. E quem mais se com-padeceu tanto pela humanidade? Diz Larrañaga: “O que sofre na fé sofre com Cristo e como Cristo”. E continua: “Quem não sofreu parece uma vara de bambu: não tem miolo, não sabe nada. Um grande sofrimento é como uma tempestade que devasta e arrasa uma região. Passada a prova, a paisagem reluz cheia de calma e de serenidade. (...) Sem sofrimento, não há sabedoria”.

Em Romanos 5, 3-5, encontramos as palavras de Paulo: “Nós nos alegramos no sofrimento porque sabemos que o sofrimento nos dá a paciência, e a paciência nos prova, e quando provados temos esperança, e esta esperança nunca falha”.

Tudo isso não significa que o Cristianismo seja uma apologia do sofrimento, como foi entendido no passado e ainda é interpretado por muitos. Absolutamente! Ao contrário, ele é a Boa Nova. Ele nos mostra que nascemos para a felicidade e para a glória. Entretanto, em sua sabedoria, não pode negar aquilo que é inerente à própria condição de ser humano. E nos consola e conforta. Mostra que, em todo ato de sofrimento ou de contingência da vida, existe um Sim e um Não. O sim é aceitar com serenidade, lutando por transformação. O não é revoltar-se e criar a guerra na mente e no coração. O sim, remetendo-nos novamente à sabedoria de Larrañaga, “consiste, enfim, em aceitar o mistério universal da vida”.

Entretanto, existem outras visões sobre o sofrimento, a doença e a dor. Através de nossos estudos, das orações, das meditações e de nossas próprias vivências chegamos à conclusão de que costumamos ver Deus como uma entidade exterior a nós e ao mundo. Enquanto esta for a nossa forma de enxergarmos a Deus, estaremos vivendo na ilusão. Na ilusão da doença, na ilusão da dor, na ilusão da pobreza, na ilusão do mal.

Apenas quando encontramos a verdade, que é a comunhão perfeita com Deus, a compreensão de que Ele e nós somos Um, toda ilusão haverá de desaparecer e o Reino estará dentro de nós, mesmo vivendo na Terra. A enfermidade e qualquer mal são manifestações da desarmonia da vida. Enquanto penso em mim como separada de Deus, não posso ter saúde, abundância, paz. Porque Deus É em mim e só em Deus que está em mim, está todo Bem, toda saúde, toda a provisão, toda a paz. Ao repousar nesta paz, no regaço do Pai, o corpo retoma suas funções normais porque todo poder está em nós, já que somos com Deus.

Diz Joel S. Goldsmith: “Deus deve tornar-se para nós uma experiência viva, e precisamos descobrir uma maneira de estabelecer contato com aquele de quem nos julgamos separados. Quando somos tocados pelo espírito, recebemos a revelação, que é Deus. E então deixamos o espírito de Deus assumir o comando. Deixamos que a presença divina siga adiante de nós para corrigir o que está errado”. A partir do instante em que conseguimos perceber que Deus é vida ou que a vida é Deus, nossa condição geral começa a melhorar.

Há um salto na consciência quando conseguimos compreender que a nossa natureza é a verdadeira natureza de Deus. A lei é para aqueles que vivem segundo a concepção humana; a graça é para os que vivem espiritualmente. Só quando entendemos que todos os fenômenos visíveis têm sua origem no mundo invisível, passamos a viver na esfera espiritual, onde tudo é perfeito e harmonioso porque tudo é Deus.

As pessoas que se dizem espiritualistas, como em nosso caso, passam a vida estudando, meditando, buscando a Deus e procurando melhorar suas condições de seres humanos. Entretanto, só seremos realmente espirituais quando passarmos a viver em estado permanente de graça, no universo de Deus, no universo do Espírito. Esta transição de um estado de consciência a outro não é nada fácil. Mas sempre haverá de acontecer em algum momento de nossa vida: seja aqui ou em outra dimensão. Até lá, seremos atingidos pela ilusão do sofrimento. Cada um tem seu caminho. E todos temos que percorrê-lo sozinhos.

A cura mais profunda é a cura do “eu” interior e quem crê na reencarnação sabe, também, que existem as correções necessárias. Sabemos, porém, que a cura integral só virá quando atingirmos a iluminação, estágio este que muitos de nós estamos longe de alcançar.

É preciso termos em mente as palavras de Goldsmith: “se nos agarrarmos à idéia pessoal do “Eu” não estaremos permitindo que o espírito opere e flua através de nós na qualidade de cura e regeneração”. Lembremo-nos, pois, que este é o testemunho de alguém em processo evolutivo. Muitos santos e mestres conhecidos viveram a vida na ilusão e sofreram até que, um dia, atingiram a iluminação e passaram a viver na presença eterna de Deus. Como já dissemos, este é um caminho nada fácil e bastante “estreito”. Mas, como já afirmamos, também, é um caminho que todos nós temos que trilhar.

Como diz Mauro Kwitko: “Como podemos entender o Divino? Quem somos nós para querermos saber o que é Deus e entender as suas obras?” Ele ainda explica: “A doença física é uma alteração energética de acúmulo ou deficiência e isso vem dos pensamentos e dos sentimentos, o que afeta os chakras e daí os órgãos. (...) O mais importante é passar por situações de sofrimento e procurar sair dele com inteligência, com competência, com honestidade, sem acomodamento, sem desespero, sem revolta (...) o que traz consigo a evolução.“

Maria Luiza Silveira Teles
Professora universitária, escritora, terapeuta Reiki

Texto revisado por Cris
Publicado dia 25/1/2007

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Autor: Maria Luiza Silveira Teles   
Fui professora de Inglês e, depois, professora universitária de Psicologia e Sociologia. Tenho 29 obras publicadas pelas editoras Vozes, Brasiliense e Parêntese. Hoje, trabalho como professora-visitante por todo o Brasil, sou consultora pedagógica e editorial e faça Reiki nas pessoas necessitadas que me chamam.
E-mail: marialuiza60teles@yahoo.com.br | Mais artigos.

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