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O Tempo da Eternidade

por Christina Nunes

Por Chris Mohammed


Salam, amigos.

Muitos anos atrás, a colecionadora inveterada de relógios de pulso entrou em um estado de saturação e jurou jamais usar nenhum outra vez.A era dos smartphones engatava a pleno vapor, impondo-se na vida das pessoas em ritmo de trator, arrasando tudo, indo por terra com todos os hábitos e utensílios obsoletos. De forma que despertadores eletrônicos ou portáteis (aqueles mesmo, reloginhos com barulhinhos chatos que nos tentavam a atirá-los pela janela a cada sobressalto tomado de manhã),desapareceram, sumiram da fabricação ou foram mesmo parar no lixo.
E os celulares substituíram tudo. Das consultas aos extratos bancários até, claro, a consulta às horas.
Fazer ligações permanece, até hoje, a sua função mais banal.
Desde então, aos poucos a minha coleção passou a uma desimportância cada vez mais acentuada, na medida em que também os relógios de pulso se tornaram cada vez mais descartáveis, porque funcionavam apenas com aquelas baterias irritantes que eu nunca tinha tempo de sair para comprar outra, sempre que acabavam.
Com isso, ia acumulando dúzias de reloginhos lindos, mas inúteis nas minhas gavetas.Comecei a vencer a tentação de comprar outros, e a cada novo que ganhava de meu pai - outro colecionador inveterado - confesso que mais agonia sentia do que encanto!


Além do mais, de algum modo, parar de usar relógios me lançou numa sensação confortável de livramento, de atemporalidade espiritual.
Menos um dispositivo controlador. Afinal, já bastam os relógios de rua, e os próprios celulares me colocando para fora da cama de manhã cedo. Tirar, assim, o relógio de pulso do hábito diário foi com jogar fora, com euforia, uma tornozeleira eletrônica.
Sentia-me mais liberta, de algum modo. E foi assim que parei, ao que pensava em definitivo, de usar os tais relógios.
Pensei assim, até ganhar esses dias do meu zawj (meu marido, assim chamado carinhosamente em árabe) uma relíquia carinhosa. Um antigo reloginho de pulso feminino de corda. Um mimo adorável, perfeito, que me encheu de encanto!
Como diria a ele que não usaria e que apenas guardaria como presente de valor estimativo, esquecido em algum armário?
Novinho, marca horas e dias com precisão! Guardado, acabaria parando de funcionar, e com o passar do tempo as engrenagens delicadas enferrujariam.
Foi assim que comecei a entender de fato, depois de tantos anos sem usar relógios, que a minha intenção, na verdade, era o livramento da opressão do descartável.
E o tempo não é descartável. Nunca foi, pois vivemos dentro de um eterno agora - uma página permanentemente em branco, onde sempre escreveremos a nossa própria história.


Relógios descartáveis de bateria, portanto, não prestam para mensurar o que é eterno, o que é efêmero, e ao mesmo tempo rico de possibilidades!
E para isso, o reloginho de corda se presta mais. Porque nos devolve o controle do que fazemos do tempo.
Damos ou não damos corda nele, e quando queremos. Quando não esquecemos. Quando queremos ou não queremos usa-lo no braço. Sem depender de uma bateria minúscula e tirana, sanguessuga financeira, poço sem fundo de um eterno gasto de dinheiro em conta gotas, que pretende alimentar o tempo, mas alimenta, na verdade, o mercado econômico desses mesmos descartáveis que hoje enfestam o mundo!
Relógios de corda são, de certo modo, mais 'humanos'. Pois nos devolvem esse antigo poder sobre a criação da própria vida, sobre a construção do nosso tempo.


Talvez por durarem mais, nos restituem, de algum modo, a certeza de que não estamos atirando ao lixo a nossa vida, como fazíamos com cada bateria gasta de cada nova linha, até hoje descartável e cara, dos relógios de pulso.
Texto Revisado
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Atualizado em 10/02/2019

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