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O TEMPO MOSTRA...



Houve uma época em que eu pensava e me comportava como talvez muitos de vocês ainda pensem e se comportem: me preocupando com o que os outros pensavam ou deixavam de pensar a meu respeito. Todavia, deixem-me dizer-lhes que transcendi este aprendizado. Todo mundo pode. E deve!

As vivências da vida doem e a maioria de nós pressupõe de um modo muito generoso acerca de nós mesmos que nem sempre corresponde à opinião alheia. Mas, em contrapartida, o que haverá de ser, a qualquer tempo, a opinião alheia? O mesmo que nuvens - eu lhes afianço! Muda o tempo todo, conforme os dias e as circunstâncias que a todos colhem de improviso, remodelando ângulos de visão a respeito de tudo e de todos - para o pior, para o melhor; segundo conveniências, segundo aprendizado, segundo alegrias ou sofrimentos que, acima de qualquer outra coisa, ensinam que não nos achamos no controle de tudo e nem certos ou errados todo o tempo, e nem ao menos condenados a um enclausuramento dentro de uma perspectiva de vida pétrea. E finalmente que, a partir mesmo disso, nossa opinião sobre os acontecimentos e as pessoas haverá de ser sempre, e no mínimo, míope, unilateral e destituída de abrangência plena! A menos que nos mantenhamos abertos para acompanhar o ritmo mutante do fluxo da vida que, à nossa revelia, nos arrasta ao crescimento contínuo, ao amadurecimento inevitável e a modificações externas e internas!

E essas modificações são justas, boas e necessárias...

Assim, o segredo reside na arte de nos mantermos íntegros, fiéis a nós mesmos e, não obstante, abertos às possibilidades de melhoria e de reformulação íntima - de dentro da consciência de que sempre podemos ir além, realizar mais e aprender mais um pouco - mas sem perder de vista o nosso valor intrínseco e a realidade das nossas potencialidades e das nossas virtudes.

No mais das vezes, uma tal postura soa a muitos como arrogância, já que infelizmente um dos vícios do ser humano é querer moldar o próximo segundo suas questionáveis verdades absolutas e referências que, mais do que tudo, obedecem apenas e simplesmente ao seu próprio e tacanho contexto de vida e lances a isto inerentes - não mais!

Todavia, como realizá-lo, achando força interior para tanto? A maioria de nós, talvez, oferece dificuldades de lidar com a rejeição. Contudo, é preciso não se perder de vista a verdade inconteste de que a importância real reside apenas naquilo que de fato somos - e jamais no que possam pensar que somos, que mais não reflete do que opiniões; e, opiniões, já foi dito, são nuvens! E a constatação dessa assertiva se faz relativamente fácil no dia-a-dia.

Infelizmente somente nos damos conta dessas coisas após anos sendo experimentados no batismo de fogo das vivências responsáveis por nos despertar para determinadas percepções sutis que, de início e de dentro de um idealismo ingênuo, não possuímos.

Aprendemos, portanto, que nem todo sorriso é bem intencionado, como também nem todo mau humor é nocivo. Aprendemos que pontos de vista no mais das vezes refletem, acima de todas as outras considerações, apenas interesses individuais. Aprendemos que a sabedoria maior reside em nos fazermos de tontos diante dos que gostam de se fazer passar por espertos em nosso prejuízo, porque os efeitos da esperteza deles não contam com indefinida duração - vítimas que são das próprias mudanças à sua revelia e inerentes ao cotidiano - assim como as suas presenças no enredo das nossas vidas; e que a integridade dos nossos propósitos, quando dotados de luz própria, mais cedo ou mais tarde se faz notar, já que conta com autenticidade e com valor real e intrínseco.

Ao longo do tempo, efetivamente, pude constatar, no decurso dos meus dias, a verdade profunda contida no dito popular: "o homem põe e Deus dispõe". E que, na utilização desta constatação a nosso favor, a melhor surpresa é a descoberta de que não se faz preciso nenhum esforço ou desgaste de nossa parte para conquistarmos os benefícios reais dessa realidade.

É só esperar a passagem inexorável do tempo, que de si revelará a todos, ao influxo suave das mudanças de estações, a presença inquestionável de belas árvores floridas e multicores por debaixo do gelo das nevascas traiçoeiras, que não sobrevive para além do calor brando do sol da primavera!

Texto revisado por Cris
Publicado dia 4/11/2007

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Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
E-mail: meridius@superig.com.br | Mais artigos.

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