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Olhares apaixonados

por Flávio Bastos

Publicado dia 13/8/2008 em Autoconhecimento

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Muitas vezes a intensa energia de uma relação ocorrida no remoto passado retorna no presente em forma de sintonia entre dois seres que se amaram apaixonadamente.

Silvia e Felipe eram primos em 1° grau, mas viviam em cidades distintas. Ela, numa pacata cidade do interior. Ele, num grande centro urbano. Devido à distância que os separava, raros eram os momentos em que se encontravam, pois as famílias costumavam se visitar em datas festivas ou comemorativas, em média uma vez por ano. Felipe era 12 anos mais velho que a prima e quando ia para o interior visitar a família, costumava se hospedar na casa dos tios, pais de Silvia.

O tempo passou, ele já era um adulto de 26 anos, ela uma adolescente de 14 anos. Foi quando os primeiros olhares fortuitos começaram a ser trocados. Sentiam-se atraídos um pelo outro, mas apesar da intensa sintonia que se estabelecia entre ambos Felipe mantinha a postura de um homem maduro, ou seja, de respeito à prima e de consideração aos tios que o recebiam de braços abertos a cada visita que fazia.

No entanto, a energia que fluia a cada encontro ocasional mexia com a química de seus corpos no sentido do desejo. A atração entre ambos era algo de considerável intensidade que fazia desses encontros uma incógnita em relação ao que poderia acontecer. Contudo, apesar da forte atração que ele sentia pela prima, a conduta de Felipe permanecia inalterada.

Passaram-se mais alguns anos. Felipe casou e foi viver com sua esposa na cidade em que residia. A partir de então, os raros encontros ocasionais entre Felipe e Silvia tornaram-se ainda mais raros. Veio o primeiro filho e ele convidou para padrinhos os seus tios.

Os primos voltaram a se encontrar quando a família, em situação de pesar, reuniu-se para despedir-se de um ente querido que falecera. Silvia já atingira a maioridade e os dois, ao se verem novamente, quase não conseguiram controlar a troca de olhares. Já não eram mais fortuitos, tímidos ou disfarçados, mas intensos e apaixonados. A energia que parecia unir pela sintonia aquelas almas, aumentara de intensidade. No entanto, nada de diferente aconteceu e cada um seguiu seu rumo. A vida apontara diferentes caminhos para almas afins, o destino quis que Felipe e Silvia caminhassem separadamente.

O tempo, inexorável, passou ainda mais. Silvia era uma mulher de 34 anos quando procurou-me para tratar uma fase depressiva e tentar entender aquela "história" não resolvida com seu primo.

No consultório ela questionava como perguntando a si mesmo: "Porque aquela intensa experiência platônica em que a relação íntima jamais ocorrera?" Ou: "Porque aquele jogo de sedução em que o passional se expressava no latente desejo e na ardente troca de olhares, sendo eu ainda uma adolescente e ele um homem casado?" Os porquês eram muitos...

Passadas algumas sessões de psicoterapia fomos para o momento de buscar respostas que pudessem estabelecer conexões entre o remoto passado e a vida atual de Silvia: a regressão!

Na sua experiência regressiva Silvia começou a acessar uma época muito antiga. Via-se na realeza, no corpo de uma rainha. Percebia que eram tempos de guerra e que a característica agitação daquele momento envolvia seu marido, o rei, e o exército que ele comandava.

Sentia que era véspera de uma importante batalha que seria travada contra o exército inimigo. O rei, reunido com seus oficiais de guerra, traçava o plano de luta. Estava inquieto, nervoso e mandou chamar, para a reunião, o seu conselheiro espiritual que era uma pessoa de confiança da realeza por possuir um dom premonitório. Era dele a última palavra nas importantes decisões do rei.

Ao perceber a "presença" do conselheiro Silvia mudou o semblante. Silenciou e após uma rápida pausa, falou: "É ele mesmo... é o Felipe!". E começou o "filme" daquele relacionamento a passar à sua frente: "Nos tornamos amantes às escondidas. Começamos a nos encontrar quando o rei saía para a guerra. Eram muito arriscados os encontros, mas enfrentávamos o risco em nome da paixão que nos unia. Agora entendo tudo... incrível!"

De repente, Silvia silencia novamente. Seu semblante torna-se sério, preocupado, como se estivesse a processar internamente algo que precisava compreender. Passado o "susto" e parecendo resignada com o que acabara de assimilar, Silvia expressa a sua dor: "A nossa relação foi descoberta e chegou ao conhecimento do meu marido. Sinto-me uma mulher prisioneira, ultrajada, humilhada e desacreditada por todos. É o meu fim... é o fim dele. É o fim de uma proibida paixão. Silvia emociona-se e chora.

COMENTÁRIO:
Analisando-se o caso abordado sob a ótica da Psicoterapia Interdimensional e pelo viés da experiência regressiva de Silvia, o que ocorreu entre ambos na vida atual, não passou de um grande teste de resistência ao amor entendido como apego e dependência emocional. Situação que, de certa forma, ainda os mantinha ligados pela sintonia ao remoto passado. Retornaram à vida presente com vínculos de parentesco e de consanguinidade para que, na possibilidade do reencontro e do estabelecimento da sintonia, valores ético-morais servissem de instumentos de aprendizagem para despertar, dentro do contexto familiar em que estavam inseridos, o respeito, a consideração, a auto-disciplina e o amor de nível solidário e fraternal.

Não esqueçamos que pela interpretação das leis da Reencarnação as decisões do espírito durante a fase de preparação pré-reencarnatória passam pelo seu livre arbítrio, ou seja, escolhemos como e qual família retornamos para mais uma jornada na relação da verdade do que somos e nos propomos a ser, com a energia do amor abrangente que transforma e liberta consciências. Em qualquer situação da vida, a escolha será sempre nossa.

Psicanalista Clínico e Interdimensional.
flaviobastos

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Flávio Bastos   
Flavio Bastos é criador intuitivo da Psicoterapia Interdimensional (PI) e psicanalista clínico. Outros cursos: Terapia Regressiva Evolutiva, Psicoterapia Reencarnacionista, Terapia Floral, Psicoterapia Holística, Parapsicologia, Capacitação em Dependência Química, Hipnose e Auto-hipnose e Dimensão Espiritual na Psicologia e Psicoterapia.
E-mail: [email protected]
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