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OLHOS DE VER

por Christina Nunes

Publicado dia 28/6/2008 em Autoconhecimento

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Na chamada idade da razão certamente não acreditamos mais em Papai Noel nem em coelho da Páscoa. Sabemos que não existem - não na versão lúdica da coisa. Entendemos que no fim das contas esses personagens míticos são, quando muito e em verdade, alguém benévolo da nossa convivência, que pode nos cercar em variadas versões: um pai ou mãe, uma avó ou tia bondosa, dependendo das incontáveis modalidades modernas de agrupamentos familiares presenciadas na sociedade dos nossos tempos.

Também, e conforme se consolida esta idade da razão, aprimoramos o nosso entendimento para ver com clareza as inúmeras outras nuances presentes nos contextos de nossas vidas e interpretadas, até então, quiçá com excessos de ingenuidade, tendência esta que aos poucos vai sendo burilada, deixando lugar ao amadurecimento e depurada pelas vivências até ao ponto onde se constata com clareza que nem todo sorriso é indício de boas intenções ou de uma índole benéfica, assim como o caráter reservado de outros tantos não significa necessariamente antipatia, perfil antisocial ou qualquer desses rótulos aferidos precipitadamente por intermédio de uma noção imatura ou superficial nutrida a respeito do próximo. Aprendemos da realidade, da austeridade e do rigor em certas expressões dos anjos e da simpatia dissimulada embutida nas falácias enganadoras dos demônios.

É o desenvolvimento paulatino, no nível do cotidiano terrestre mais comum, dos chamados olhos de ver.

O ingresso na constatação irrefutável das realidades maiores da Vida no seu contexto mais vasto e mais abrangente só faz sedimentar essa tendência natural da evolução humana no mundo. De sorte que aquilatar das maravilhas infindáveis no aprendizado ininterrupto vivenciado nas vidas sucessivas nos inclina inevitavel e espontaneamente a rejeitar o entendimento imaturo e acanhado das penas e regozijos eternos para além dos portais da morte - em si inexistente e apenas mal compreendida - e mais ainda a noção mórbida do "nada" na posteridade da nossa passagem pelo planeta, quando a cada dia, sob os respaldos da vanguarda da ciência, o tudo, uno, indissolúvel, indestrutível, se materializa à luz hodierna das nossas experiências como fator constitutivo do que se faz presente com equanimidade tanto dentro quanto fora de nós mesmos.

Não mais basta, portanto, ao espírito amadurecido pela forja do cadinho das vivências milenares, o argumento imposto da fé cega e ditatorial dos antolhos direcionados apenas aos interesses dos que antes detinham os poderes religiosos, políticos e científicos estabelecidos. Chega-se a um ponto em que simplesmente não se tolera mais o velho e carcomido não devemos adentrar os mistérios que apenas a Deus pertencem. A humanidade, amadurecida em espírito, quer saber - e reivindica este direito lídimo, inspirado primevamente pelo despertar de sua visão para o sentido e para a extensão maior e infinita de sua trajetória!

Não lhe basta, destarte, que lhe afirmem o que quer que seja acerca disto ou daquilo. Há que se ir lá para se constatar, experimentar, ver, entender, especular, inteirar-se. Reivindica, assim, o seu direito inalienável de rejeitar quaisquer imposições ditadas por pretensos intermediadores exclusivistas de supostos mistérios inacessíveis.

O homem, enfim, necessita, na hora que passa, ver para crer... mas ver naquele sentido mais autêntico, íntegro e exato - com a inteireza de sua compreensão e do seu ser, não apenas fazendo uso dos seus órgãos externos, de resto falhos para a totalidade dos fatos da Vida!

Era exatamente a esta percepção interna que outrora se referiu o Cristo, ao aludir que bem aventurados eram os que não viram e ainda assim creram. Pois estes que assim creram eram os que possuiam olhos de ver. Que não se contentaram com as meias explicações e argumentos obscuros disseminados pelos fariseus da época, arbitrariamente posicionados como os intermediários únicos entre a divindade e o povo, mas que primavam, antes, por desgovernar os homens na direção desta mesma divindade - porque não lhes interessava abdicarem de suas distinções e privilégios humanos em favor do esclarecimento evolutivo das almas sob a sua vasta influência. Seu único móbil, ao contrário, eram as iniciativas e a luta pela conservação dos seus frágeis e transitórios poderes terrenos... ao preço da manutenção de todo o resto dos homens sob as sombras desoladoras da miséria e subserviência espiritual!

Mas os tempos atuais são a antesala da era plena das luzes! Busca-se com sinceridade, por almas de escol reencarnadas no orbe com a missão conjunta de prenúncio desta era de claridades definitivas, a "verdade verdadeira" a respeito dos ícones passados, toldados pelos conceitos enganosos de séculos de civilização!

Nos tempos chegados da idade da razão do espírito tange-se, positivamente, o Jesus real, e como nunca valoroso, quando despido dos ranços dogmáticos de sua divinização mítica, para dar lugar ao Mestre de inconcebível majestade espiritual nimbada pelas luzes refulgentes do autêntico avanço do espírito, e não recoberto das lendas infantis da ressurreição do corpo contrária quanto injusta à equanimidade do Criador para com as suas criaturas - todas, sem exceção, filhas do mesmo Pai!

Eclodem, de outra feita, as comunicações entre as muitas dimensões da vida - crianças e adultos recordam-se espontaneamente do contexto de suas vidas anteriores e noticiam, via meios de comunicação de massa, minúcias de outros tempos supostamente sepultados pelos séculos; buscam-se tais indícios, confirmam-se dados de maior ou de menor complexidade; assombra-se toda gente com tais episódios a multiplicarem-se na rotina dos homens simples, rompendo-se assim, definitivamente, os grilhões das fronteiras da comunicação entre os seres ingressos transitóriamente na carne com os seres e as coisas de outras terras e de outros céus!...

Sinais estranhos se fazem presentes em toda a face planetária e nos domínios celestes. O homem, ousado, engaja-se em busca difícil, em investigação. Já não bastam nem mesmo, à convicção definitiva de alguns fatos, os dados disponíveis pela instrumentação tecnológica, passíveis de adulteração pela iniciativa escusa dos inescrupulosos. Há que se obter certezas, segurança; alicerces que sirvam de base ao entendimento maior do que de fato constituí a grandiosidade da Vida universal! É o basta contundente à ortodoxia decrépita de todo o tipo de crença cega imposta outrora por quaisquer expressões de autoritarismo do pensamento humano!

O homem de gênio, exausto de rodar à tonta no percurso vertiginoso dos séculos passados imerso em enganos e descaminhos originados na própria ignorância do sentido maior de sua existência, brada: Basta! Se tenho olhos para ver... quero ver!

Que seja!

E embora progressiva, arduamente, o homem de hoje, o gérmen do homem de um futuro muito próximo, realizará à luz dos dias, definitivamente, a sua plena capacidade de ver! Para que nunca mais se perca nas trevas da involução onde durante tanto tempo mourejou à mercê dos que, pretensiosamente, se arvoravam em guias cegos de outros cegos.

Caio Fábio Quinto pela psicografia de Christina Nunes
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Sobre o Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
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