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Os Cátaros

por Marcos Spagnuolo Souza

Publicado dia 3/2/2008 em Autoconhecimento

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Durante alguns anos três mulheres e dois homens sentavam em volta do velho senhor para escutar leitura de seu próprio manuscrito sobre os Cátaros.
Em silêncio, ficávamos horas e horas escutando a voz pausada do velho senhor que em determinadas passagens algumas lágrimas eram vistas em seus olhos. Foram momentos maravilhosos em minha vida que estão gravados no fundo de minha alma. O ambiente era repleto de veneração e amor aos antigos Cátaros cujos ensinamentos ainda estão vivos no planeta que vivemos.

A introdução foi elaborada pela minha querida “irmã” Maria Serapião, no dia 07 de novembro de 1986, na cidade de Belo Horizonte. Durante o período de sua vida, demonstrou ser um anjo entre os humanos; foi uma cátara durante toda a sua vida. A ela presto as minhas homenagens e referências depositando uma coroa de flores brancas em seu túmulo. Quando ela partiu para outras paragens não tive oportunidade de acompanhar os seus últimos momentos de vida no plano material, no entanto, continuamos juntos.

INTRODUÇÃO

Os Cátaros (do grego Katharos: puros) viveram na Europa, entre os séculos XI e XIV, no sul da França, na região montanhosa do Pirineus. Transformaram as muitas grutas, ali existentes, em santuários naturais. Conservavam a mesma conduta de alta espiritualidade dos essênios e dos primeiros cristãos e foram continuadores do Gnosticismo. Deste surgiram mais ou menos setenta ramos que receberam nomes diferentes em cada país onde habitavam. Todos foram tachados de “hereges” e, como tal, perseguidos e exterminados barbaramente pelos seus próprios irmãos da cristandade, embora praticassem o mais autêntico cristianismo.

São os mais conhecidos: Paulicianos, na Bulgária; Bogomilos, na Rússia; Templários, na Palestina; Humanista Rosa Cruz, na Alemanha e Cátaros ou Albigenses, na França.

Gnose, etimologicamente, quer dizer conhecer. É, portanto, uma palavra muito abrangente. Significa, de acordo com J. Van Rijckenborg: o alento de Deus; o logos, a fonte de todas as coisas; a fraternidade universal, como portadora e manifestação do campo de radiação crística; o conhecimento vivo que é de Deus, e que se torna parte daqueles que, mediante o renascimento, entraram no nascimento da luz de Deus.

Os Cátaros preencheram a todos os requisitos da gnose e alcançaram à perfeição. São também conhecidos pelos epítetos de Homens Puros, Homens Bons, Homens Perfeitos.

CÁTAROS

A origem específica dos cátaros está no século XI quando um grupo de pessoas resolveu seguir em pensamento, palavras e ações os ensinamentos de Jesus Cristo. Sabemos muito pouco a respeito dos cátaros, devido à destruição feita pela Igreja Católica Apostólica Romana de toda a sua obra literária.

A Igreja Católica utilizou-se das Cruzadas e da Inquisição para eliminar os bons homens, que pregavam as palavras dos Evangelhos, nos séculos XII e XIII na Europa, principalmente na França.

Todos os cátaros eram trovadores, entoando as canções que transmitiam seus conhecimentos a respeito do regresso da alma ao universo divino. Orar e versificar eram a mesma coisa para os cátaros. A oração dos cátaros, os travadores andantes que se sentiam peregrinos na Terra, falavam de sua verdadeira pátria, o Reino da Luz, existente muito além das estrelas.

Na França, os cátaros predominaram nas localidades de Omès, passando por Montsegur, percorrendo Tabor e penetrando nas curvas de Sabarthes. O que sabemos dos cátaros foi, em parte, por intermédio dos processos da Inquisição.

Abordaremos as atividades exotéricas (externas) dos cátaros, pois, o conhecimento esotérico (interno) nunca foi encontrado. Sabemos que o conhecimento esotérico, preservado em documentos foi retirado da França por um mensageiro desconhecido que transmitiu o segredo dos cátaros a uma outra fraternidade que continuaria o trabalho dos “Bons Homens”. A transmissão do conhecimento a outra fraternidade não foi um ato imediato e muitos anos passaram para que a outra fraternidade recebesse o tesouro preservado durante tanto tempo.

O principal valor dos cátaros estava na dignidade pessoal de suas vidas. Seus atos e suas palavras concordavam absolutamente com sua doutrina. Os que os escutavam não podiam acusá-los de hipocrisia. Possuíam um comportamento social, fruto ou resultante da maturidade espiritual e não em decorrência de regras e regulamentações. Um pássaro só levanta vôo quando, internamente, seus órgãos estão preparados para a tarefa, e não por imposição ou pelo querer.

O catarismo formou uma sociedade em que se trabalhava no mundo e se preparava internamente, para o grande encontro com Deus.

OS CÁTAROS E O SISTEMA FEUDAL

O catarismo, por sua natureza, se opôs ao sistema feudal. A teoria cátara da reencarnação acabou com a noção de herança segundo a qual, o pai transmitia ao seu filho, não só suas virtudes, como também o direito natural de escravizar outros homens. Os “bons homens”, outra designação dos cátaros, revelaram à condessa de Tolousa que ela em outra existência tinha sido uma pobre aldeã debilitando a confiança que havia na continuidade da raça.

Os feudais eram guerreiros. A sociedade era formada por uma hierarquia de barões e cavaleiros, não tendo outro sentido que a relação com a guerra e a organização de mútua defesa. Para os cátaros a guerra não era uma atividade justa e nem boa. O juramento sobre a fé, a honra e lealdade estava presente na vida cotidiana dos senhores feudais e cavaleiros e os cátaros proibiam o juramento aos perfeitos e o desvalorizavam aos olhos dos simples crentes. O catarismo incitava as mulheres a tornarem-se mais independentes do poder marital e desacreditava o matrimônio Romano. O catarismo não dava valor à propriedade do tipo feudal, a saber, o senhor, o único proprietário da terra, mas que não a cultivava, e vivia sobre os esforços daqueles que trabalhavam. Para os cátaros, o importante era que cada qual vivesse de seu próprio trabalho.

Texto revisado por: Cris

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