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Para Além da Pandemia

Para Além da Pandemia

por Elaine Leal Carvalho
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Estou em casa. Quarentena com a família.
No início apenas observando, acompanhando os noticiários e as recomendações de cuidados básicos, acreditando que em pouco tempo estaria de volta às atividades “normais”.
Com o passar dos dias, fui compreendendo a gravidade da situação e meus sentimentos em relação aos acontecimentos.
No meio disso tudo lendo, ouvindo e refletindo sobre as inúmeras opiniões a respeito do assunto.

Aos poucos, na convivência mais constante com os familiares, sentimentos escondidos surgiram em relação a eles.
A princípio evitava parar e olhar o que efetivamente estava sentindo.
Pequenas irritações foram tomando proporções gigantescas. Pequenos surtos. Discussões sem fundamento.

O modo de cada um ser está bastante ampliado pela lente da convivência.
Juntou-se a isso oscilações de humor várias vezes ao dia, reflexões intermináveis sobre as minhas capacidades em lidar com tantas coisas ao mesmo tempo. Sem contar a total falta de privacidade.
Em alguns momentos senti minha sanidade distante, bem distante.
Conviver comigo não é simples e fácil. Minhas chatices e destemperos incomodam também.
Entre dias bons e dias não tão bons, estamos saudáveis. Por enquanto, ninguém aqui em casa ficou doente.

Em meio a avalanches de noticiários, posts, vídeos, livros recomendados de pessoas que surgem aos montes aconselhando sobre como manter o positivo, etc e tal, me vi considerando a mim como uma pessoa fora do contexto.
Tenho sentido tristeza. Choro dia sim e dia sim. Não há explicação.

Discursos do tipo “é preciso ser fort “, “mantenha a calma”, “seja positiva”, ou o mais usado VAI PASSAR, me irritam profundamente.

Não estou revoltada com a situação, nem com o vírus.

Aos poucos fui percebendo o que está realmente atuando em mim.

É como se não fosse permitido expressar os sentimentos de tristeza, medo, entre tantos outros.

Esta história de SER FORTE o tempo todo é balela. Ninguém é.
Ver tantas pessoas se apresentando como paladinos da vidência, do bem-estar, da espiritualidade, da verdade, enche o saco.
Ninguém sabe o que vai acontecer. Ninguém.
Minha tristeza deriva também de refletir sobre a MORTE.
A morte dos outros e a minha.

Ainda não tive coragem de conversar com a morte que anda lado a lado com a vida. Companheira de todos nós.
Conversar mesmo. Sem temor. Apenas conversar.
Tem acontecido frequentemente comigo lembranças da infância, da juventude, de pessoas que conheci, situações que vivi e sobrevivi.
O relacionamento com meus pais, com meus irmãos, com meu marido, filhos.
Arrependimentos, situações que eu não disse o que tinha para dizer e situações em que o silêncio teria sido melhor.
Eu tinha planos para 2020. Não tenho mais.

Meu mantra é “UM DIA DE CADA VEZ“.

Segundo os especialistas, estou inserida no grupo de risco. Pela idade (passei dos 50) e pelo histórico de crises respiratórias.

Em resumo: para a maioria das pessoas, estou velha. Facilmente descartável em situação de escolha de quem vive e quem morre.
Minhas décadas de trabalho, contribuindo com o país através dos meus pagamentos de impostos, não servem mais.
Minha vivência, meus estudos, minha profissão, não tem valor para aqueles que consideram “velhos” os que vieram antes e abriram as portas para os que chegaram depois.
No Brasil, infelizmente, não há respeito, condolências e nem reconhecimento por aqueles que contribuíram na construção de tudo que existe, até o presente momento.

Futuro? Quem sabe?
Certezas? Quais?

O que mais me move neste momento são as possibilidades de reconciliação com todos os meus relacionamentos.

Reconciliação com o meu ser.
Sem truques, fórmulas, técnicas, dizeres.
Reconciliação leve e real.

Aos que desprezam os movimentos da vida, apenas uma frase:
“ VOCÊS QUE LUTEM”.

Elaine Carvalho – terapeuta e consteladora familiar
Texto Revisado

 

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Atualizado em 03/05/2020

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