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PARA QUE SER FELIZ?



Num de seus discursos, Krishnamurti diz que uma revolução muito grande acontecerá no mundo se certo número de pessoas se transformar interiormente. Estamos vivendo num mundo em que se dá mais tempo e valor aos bens materiais do que a própria família ou à vida pessoal. As pessoas, de modo geral, investem o tempo em manter seus bens materiais: do trabalho para casa e de casa para o trabalho não é um caminho para a felicidade! Mas para que sermos felizes e não por quê? ‘Por que’ implica numa justificativa para a felicidade, ‘para que’ tem uma finalidade para ser feliz.

Penso que todos nós devemos ter uma finalidade na vida. Sem ela não vejo sentido em estarmos aqui! Por que se dá mais valor a sustentar o status, o carro, a casa, as roupas? Porque desejamos ser iguais a alguém, nos comparamos de modo negativo, na aparência das coisas. Ou como dizemos mais profundamente ‘damos valor ao eu externo’. É claro que muitos dos leitores dirão: Não! Eu não faço isso! Mas nós fazemos parte de uma pequena população, se comparada à população mundial, que temos acesso a trabalho, informação, estudo. E mesmo assim, talvez alguns se debatam para encontrar a felicidade! E aqui vejo o primeiro empecilho: a felicidade não vai ser encontrada nunca! Ela se faz, se constrói, se trabalha, toma brilho, ‘nosso’ brilho, nossa cor, nosso jeito.

Geralmente, as pessoas querem encontrar a felicidade numa receita ou copiando alguém que é feliz. Então, vamos seguir este ou aquele comportamento. Surgem os modismos: ser feliz é rir; felicidade é amar; ser feliz significa compartilhar, perdoar, e por aí afora. São inúmeras as receitas, os modismos. Se analisarmos a questão pelas épocas veremos que a felicidade das nossas avós (e nem vou tão longe assim), das nossas mães era bem menos exigente do que em nosso tempo. Hoje, temos cobranças internas e externas.

Mas qual é a nossa necessidade básica para a felicidade? E então veio a mim essa questão: Para que eu quero ser feliz? Então percebi que deveria saber primeiro o que é a tal felicidade.

De acordo com o dicionário esta palavra deriva de ‘Felix’ (latim) que significa ‘fértil’, ‘frutuoso’, ‘fecundo’Como o que é fértil é também favorável, daqui mais tarde derivaram ‘afortunado’, ’alegre’, ’satisfeito’.
Vejam só: daqui saiu também filius, filho, fecundo (fértil) e fêmina (fêmea). E aqui veio minha primeira surpresa: só pelo fato de ser mulher ‘fêmea’ já sou feliz!
Mas também sou fecunda, pois tenho filhos e me considero alegre e satisfeita: então sou mais feliz ainda!
Poderia encerrar por aqui, ir descansar e me gabar para o mundo todo (pelo menos os amigos que me curtem!) o quanto eu sou feliz! Mas, além disso, sou também teimosa, e creio que ‘fértil’ em idéias e desejos quero que todos sejam felizes. Até os homens! Que de acordo com a definição do dicionário devem ter mais dificuldades para ser felices.

Surgiu minha segunda indagação: o que eu quero quando procuro ser feliz? Quais são as minhas reais aspirações e necessidades? Quando eu posso ser feliz? Sempre? Até quando vejo os horrores que acontecem no mundo? Quando alguém está passando necessidades: fome, frio, extremo calor, sede... fica mais fácil desculpar a falta da felicidade. Mas quando se tem tudo o que se precisa aparece um vazio, um sentimento de culpa, talvez, mesmo sabendo que não somos os culpados individualmente pela situação do mundo. Para que quero ser definida como uma pessoa feliz num mundo infeliz?

Terceira indagação: a felicidade é um caminho, um modo de ser, e não um destino a se chegar. Preciso, ‘tenho’, que ser feliz. Para ajudar o mundo a sorrir, a viver, a ter paz. Se ‘felicidade’ é ser criativo, fértil, fecundo. É para isto que tenho que ser feliz: para criar novos modos de viver; para que seja eu mesmo um campo fecundo no qual sementes de amor de paz possam ser plantados e colhidos, espalhados aos quatro pontos do planeta. Criar um modo de ser feliz: especificar desejos e metas e me mirar neles, para que chegando lá a satisfação me preencha e uma vez feliz com os resultados, possa especificar outros desejos e metas e assim interminavelmente. Porque se ser fértil é ser feliz, tenho que ser feliz enquanto estiver neste campo de semeadura, e para sempre, visto que a vida é infinita a felicidade também o é.

Eu acredito na felicidade, sempre tenho desejos; cada dia da minha vida meus desejos são profundos e a cada dia sou feliz! E quanto mais sou feliz, menos quero ter um carro caro, ou gastar tanto com supérfluos: quero ter o melhor carro que se adapte às minhas necessidades, e que os supérfluos passem a ser necessidades alegres! Na minha felicidade, quero ser terra fértil, para produzir tudo o que preciso, na hora em que preciso. Como Buda, me sento todos os dias à sombra da minha árvore, e vejo que não devo ir a lugar nenhum procurar a felicidade porque ela está dentro de mim! Ela quer sair! Quer se mostrar! Quer se recriar em cada pessoa que chega a mim!

Para chegar a este conceito fiz um caminho do qual muitas vezes se foge: o autoconhecimento. Entrei em mim, me olhei por dentro sem dor: percebi minha inveja, meu ciúme, minha falta de amor. E um a um fui destruindo tudo isso. Deixei apenas minha essência, meu EU SOU, meu interior...
E surgi muito melhor, se já era uma ‘fêmea criativa e feliz’ agora sou um ser humano muito mais feliz!

Se amarmos a Terra, o Universo, ‘temos que’ ser felizes! Para que possamos criar, amamentar nossas crias, ter os nossos filhos espirituais, terrenos, de trabalho, em fim Para que possamos tomar posse desta bênção que nos foi dada: a vida!

Seja feliz para que todos possam se espelhar em você e também queiram ser felizes. Não copiando você, mas criando, fertilizando, iluminando a própria vida!

Texto revisado por: Cris





Publicado dia 8/9/2007

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