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PARA SEMPRE NAS CORRENTEZAS



Não sei por que razão desta vez escrevo; o desejo de deixar uma mensagem, possivelmente. A vontade de compartilhar a ternura, a tristeza, a beleza, a busca de compreensão para os limites e limitações em que vivemos, estes muitas vezes intransponíveis. Vou abordar uma perda e hoje nem todo mundo aprecia este tema; as pessoas querem fugir deste aspecto da vida; não se permitem entrar em contato com a dor e vão na busca ilusória do prazer eterno. Mas nem a dor e nem o prazer são eternos, tudo é passageiro, tudo flui como as águas de um rio e se vão nas correntezas da vida.

O dia dos pais se passou e desta vez o meu não estava mais conosco; foi-se há pouco tempo. A dor de perder um pai é muito grande. Só pode avaliá-la aquele que viveu esta situação. Meu pai se foi e, no momento, por obra do destino, eu estava com ele e assisti sua partida. Moro distante de meus pais já há muito tempo e não os via há uns três anos aproximadamente. Não quero entrar em pormenores que constituem a minha história e que foram significativos em todo o enredo que cercou os momentos que antecederam sua ida. Quero apenas registrar aqui neste espaço-tempo o que possa talvez ser uma homenagem ao meu pai.

Quando nos afastamos de nossos pais para morarmos em outra cidade, perdemos tanto! Perdemos a família, a cidade, os amigos, as possibilidades que o permanecer poderia nos trazer. É bem verdade que ganhamos muitas outras graças e bênçãos como um trabalho, uma família, novas experiências, maturidade, mas a perda é um fato e irreparável.

Muitas vezes desejei meus pais, que residiam em São Paulo, cidade onde nasci, morando aqui em Fortaleza próximos a mim, aos meus filhos, netos deles. Algumas vezes ambos, meu pai e minha mãe estiveram por aqui a passeio, convivência rápida, passageira. O meu desejo era que eles morassem um período, que pudessem participar um pouco de minha vida e da família que constituí. Isso nunca aconteceu e nunca irá acontecer.

Não me lembrava mais de como sentia esta necessidade de aproximá-los, tinha desistido em meu íntimo desta empreitada. Até que hoje, após ter ido fazer uma caminhada numa trilha ecológica próxima à minha residência, dirigi-me à área do rio Cocó, região de manguezal. Um majestoso e belo rio, derrama suas águas em plena Fortaleza. Nos breves momentos em que estive contemplando este, pousando meu olhar por sobre suas águas verdes, me veio forte a vontade de mostrar a beleza deste lugar ao meu pai e em seguida veio a consciência de que isto não seria possível agora, por uma razão definitiva que não pode ser mudada, pois a morte o alcançou.

Mas insisti em permanecer o olhar sobre as águas do rio que fluem em tranqüilas correntezas, que nos serenam a mente e animam a alma e nos sussurram que a vida continua.

Quis escrever estas linhas para você meu pai. Viaje em luz e em meio ao fluir dos mistérios que desconhecemos. Que Deus o abençoe muito e sempre!

Que Deus nos abençoe a todos e que possamos contemplar a vida com o doce olhar do amor e da ternura que nos une misteriosamente e que possamos reverenciar os elos que nos envolvem como se fôssemos apenas UM.

Mil bênçãos!

E.M.RC.
Setembro de 2007

Texto revisado por Cris
Publicado dia 2/9/2007

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Autor: Maria Elda   
Psicóloga e autora do blog http://www.ramosrumoselacos.blogspot.com
E-mail: eldarodri@hotmail.com | Mais artigos.

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