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PERDOAR DÓI MENOS...



"Nunca corte o que puderes desatar." André Luiz

Quem acompanha os meus artigos deve se recordar de que, quanto a este assunto, já escrevi coisas bastante objetivas sobre os desfechos indesejáveis de relacionamentos amorosos que se acabam de maneira mal resolvida. Já falei anteriormente de traição e de reformulação - principalmente nas atitudes femininas - na hora de se posicionar diante destes impasses que a todos, ou a quase todos, já batizaram, no decorrer dos repertórios individuais dos envolvimentos mais ou menos longos, mais ou menos intensos, felizes ou infelizes.

Agora - e para a possível surpresa de alguns que porventura tenham acompanhado a minha linha de raciocínio anteriormente - quero discorrer sobre o significado daquele ditame volta e meia ouvido em meio ao sem número de conversas e debates já havidos sobre o tema: "a mulher sempre perdoa" (nos casos de traição).

Pois o ditame é verídico, meus leitores! E, como tudo nesta vida possui duas faces e várias nuances, vou lhes explanar a respeito do porquê!

Isso não tem nada a ver com o que já foi dito noutros textos meus a respeito das regrinhas noveleiras, onde a mocinha super descolada, ao se ver enganada pelo parceiro, engaja-se, via de regra, no mais tétrico atestado passado de falta de amor próprio e de pudor, sob o pretexto pouco convincente de, até nisso, atracar-se no exercício brutal da competitividade - empenhando-se com isso em horrorosos cabos-de-guerra tendo como questionável prêmio o "infiel depositário", que fez ambas de idiotas! Não, não é a isso que me refiro! Já pude anteriormente expor que o correto em qualquer situação destas é justo o oposto do exposto nas novelinhas globais, recheadas de inglórios exemplos de falta de dignidade e respeito próprio na conduta amorosa feminina! Porque o justo, meus caros, a meu ver, é justamente se cobrar amor próprio, em primeiro lugar, para se ver respeitada - e, ato contínuo, desfechar uma acareação - as duas mulheres envolvidas! - diante do "mancebo", para fazer-lhe ver que a fila anda também para nós, e que não somos tão idiotas ou "utilitárias", no sentido chulo da coisa, quanto ele o queria!

Refiro-me, portanto, a outra coisa: aos envolvimentos longos e românticos - de ambas as partes - quando a parte masculina dá aquela derrapada básica e conveniente, justificada por ditados de países patriarcais como o nosso que rezam que "a carne é fraca e para o homem nada pega". Nada disso, destarte, justifica a deslealdade, meus caros! Ou se é leal e se joga limpo em qualquer circunstância do relacionamento, ou se é desleal, e ponto final! Carne fraca?! Rá!!

Mas acontece que, quando o componente de romantismo e seriedade faz a tônica do envolvimento, a coisa é diversa. E a mulher perdoa sempre! Por que? A sacada me veio pela observação simples e despretensiosa da visão de vida sábia de uma amiga por estes dias.

Mulher perdoa sempre porque separar é mais doloroso; mulher perdoa, meus amigos, porque muitas vezes a proposta reconciliatória implica em proposta de resgate de um sem fim de minúcias valiosas engastadas em todo um histórico de vivência em comum e de momentos pequenos e significativos do passado; mulher perdoa sempre porque, em havendo a chance, por menor que seja, de reconciliação, isto representa também chance à felicidade - em contrapartida à dor certa de qualquer modalidade de separação - nem que a convivência, a esta altura, se baseasse apenas em hábito e em comodidade!

Muitas vezes, como o vinho envelhecido e precioso, o amor refina a sua qualidade com a ação do tempo, dos reveses e das vivências compartilhadas - positivas e negativas! E o que é amor, no fim das contas, nem se parece mais com amor! Todavia, não caiam nesta armadilha! Porque ainda e sempre será amor - e o mais precioso! Porque curtido e experimentado em autenticidade e em resistência pelo cinzel áspero da experiência, que põe à prova a longevidade de qualquer coisa nesta vida!

É por isso que mulher perdoa sempre! E é verídico, meus queridos, e digno do mais profundo respeito e compreensão, que desautorizam qualquer espécie de ironia e de menosprezo por este prisma valioso da sensibilidade humana!

Mulher perdoa sempre - talvez por já vir a este mundo preparada para a sublimidade da maior expressão amorosa existente, que é o amor de mãe - invulnerável a qualquer desafio porventura refletido nas expressões de ingratidão filial, ou de sofrimento sacrificial que lhe seja exigido.

Mulher perdoa sempre! Por talvez sentir que é disso que o mundo precisa em qualquer época: da abnegação que enxerga a fundo as maiores carências humanas, necessitadas não de mais dissensões; não de mais demonstrações de fracasso na convivência entre as diferenças humanas - mas do exemplo que, ainda uma vez, nos comprove que apenas o amor edifica, cura, une, esquece, perdoa, reformula - e sobrevive aos reveses mais duros e às inevitáveis transformações que o passar do tempo opera nos seres, por mais radicais que elas sejam!

Com amor,
Lucilla & Caio Fábio Quinto

Lucilla & Caio Fábio Quinto são autores dos romances espíritas "O Pretoriano", da Mundo Maior Editora, "Sob o Poder da Águia" e "Elysium, uma História de Amor Entre Almas Gêmeas", da Lúmen Editorial

Texto revisado por Cris
Publicado dia 16/6/2007

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Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
E-mail: meridius@superig.com.br | Mais artigos.

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