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Plantando Orquídeas

por Julio Lótus

Publicado dia 14/1/2008 em Autoconhecimento

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Numa de minhas férias pelo interior do Brasil encontrei no meio da mata uma orquídea lilás do tamanho de uma bola de boliche. Sua beleza era estonteante e sua cor era de um tom que jamais vi.

Retirei uma muda com muito cuidado e chegando ao hotel onde estava hospedado pedi a um funcionário que me conseguisse uma vasilha onde eu pudesse colocá-la até que comprasse um vaso e terra preta para plantá-la e, depois de findas minhas férias conseguisse transportá-la para minha cidade.

Naquela cidade fui a uma unidade da Secretaria do Meio-ambiente e verifiquei como proceder para conseguir trazê-la dentro das leis ambientais. Depois de informado, comprei o vaso, a terra preta e a plantei.

Quando estava perto de terminar o meu período de férias levei a orquídea ao Órgão do Meio-ambiente e lá obtive o certificado para retornar à minha cidade de origem.

Chegando em casa, antes mesmo de desfazer as malas, com o mesmo cuidado com que a retirei da mata plantei-a em meu jardim que estava sempre muito bem cuidado. Limpei a grama em volta da orquídea e coloquei a terra para que ela viesse a sobreviver, mas com o passar do tempo percebi que a planta murchava vagarosa, mas decididamente.

Fiquei muito triste e me senti impotente diante do fato de vê-la cada dia mais feia, desbotada e murcha, porém uma coisa que aprendi dos ciganos é que muitas vezes desistimos de algo num momento em que estamos prestes a atingir o nosso objetivo, simplesmente por que desanimamos. Diante da lembrança dessa filosofia insisti em cuidados cada vez mais dedicados, sempre com o objetivo de não perdê-la.

Finalmente depois de alguns dias de pura agonia ela não resistiu, caiu do talo e eu chorei como uma criança que se desespera por ver que seu brinquedo preferido está quebrado.

Muito desanimado por meu fracasso, pensei inúmeras vezes em cavar o jardim e retirar sua raiz para descartá-la, mas com o desânimo que eu estava não encontrava forças nem para extirpar sua raiz.

O tempo foi passando e toda vez que eu olhava o jardim me batia um forte desânimo e então vinha à minha mente todo o esforço que despendi para retirá-la da mata, para obter a licença de transporte, para conservá-la viva no hotel e para cuidar dela depois do replantio. Tudo tinha sido tão inútil e inconformado fui deixando o tempo passar sem nada fazer.

Alguns meses depois fui fazer duas palestras na capital de um estado vizinho em dois dias seguidos, mas na manhã do segundo dia recebi a indicação de um hóspede do mesmo hotel onde eu estava, para ir visitar o Jardim Botânico. Ao invés de ir às compras como costumava fazer sempre que tinha um tempo vago entre uma palestra e outra, aceitei a dica e para lá me dirigi.

Andei por quase todo o Jardim Botânico e já no final de minha expedição fui ver o orquidário, mas logo na entrada fique muitíssimo aborrecido por ver que uma orquídea idêntica à que eu colhera estava lá, bela e vistosa como a que eu um dia possuíra. Atraído por sua beleza me aproximei, comecei a ler as suas especificações e tomei um tremendo susto quando li que aquela variedade de planta, depois de algum tempo perde a flor que renasce alguns meses depois.

Aturdido e ansioso, não via a hora de chegar em casa para verificar a veracidade da informação contida no viveiro da planta no Jardim Botânico.

No dia seguinte cheguei de viagem, arregacei as mangas, peguei as ferramentas de jardinagem para me certificar que a raiz da planta não estava morta e, constatei a veracidade da informação, pois a raiz estava viva, viçosa e havia uma muda nascendo ainda sob a terra. Tomei um banho demorado, vesti uma roupa leve e fui para o escritório pensar sobre que lição eu poderia tirar dessa experiência.

Depois de muita reflexão escrevi o seguinte texto:

"Os ciganos me ensinaram que um homem forte deve ser determinado em seu propósito e mesmo que enfrente adversidades, não deve desistir jamais, pois se o fizer, nunca saberá quanto faltou para atingir o seu objetivo. Com a orquídea aprendi que muitas vezes em nossa vida desejamos algo tão intensamente, nos esforçamos muito por conseguí-lo, mas não nos preocupamos em planejar e estudar tudo o que é necessário saber para que o objetivo seja alcançado sem sofrimento. Sofrimento esse que por vezes se torna inútil, porque mesmo que ainda que não tenhamos visto as nossas metas realizadas, elas podem estar hibernando, se nutrindo e se estruturando para se apresentarem na sua mais bela e impressionante forma visando alegrar nosso coração e coroar o nosso esforço."

Não desistir de nossos sonhos é muito importante para podermos avaliar o quanto faltava quando nos bateu o desânimo, mas planejar e estudar tudo o que servir para nos ajudar na conquista de nosso sonho, é fundamental!

Texto revisado por Cris

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