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Quando a auto-ajuda não ajuda e ainda atrapalha



“Quando todos pensam o mesmo, ninguém está pensando”.
Walter Lippmann


Imagino que o título deste artigo deva estar causando estranheza ao leitor. Por que a auto-ajuda atrapalharia alguém?

Peço um pouco de paciência para poder me explicar. Todos os dias, textos e frases invadem nossas caixas de e-mail, livros chegam às lojas, folhetos são pendurados nas repartições, todos eles prometendo verdadeiros prodígios, caso consigamos colocar em prática algumas receitas: “Viva melhor e mais, sendo uma pessoa positiva”; “Seja feliz através dos bons pensamentos”; “Melhore seu desempenho pessoal, cultivando a alegria”; “Realize-se através do autoconhecimento”; “Cure-se utilizando a lei da atração”; “Tenha paz através do auto-perdão”; etc.

São dicas importantes que certamente auxiliam aqueles que já se encontram amadurecidos para absorvê-las. Daí as mudanças são sensíveis e animadoras.

Acontece que não é raro encontrarmos pessoas que, mesmo possuindo plena consciência da necessidade urgente de mudanças, ao lerem textos, livros, frases ou santinhos contendo as maravilhas da sabedoria humana, não possuem forças para a tão almejada transformação. São como frutos que, mesmo contendo semente, ainda não podem gerar uma boa árvore.

Será que é por pura falta de boa vontade? Não parece ser isso. Aliás, a teoria individualista que toma conta dos ocidentais tem sido a causa para este tipo de pensamento.

Caro leitor, não é porque lemos os mesmos textos que todos conseguiremos atuar e modificar nossos destinos da mesma forma. Explique para um materialista convicto que o elemento espírito existe e que ele é importante. Só pela argumentação fica difícil, não é mesmo?

Pois bem, agora imagine que na história de vida dele surgiu o elemento morte (de um parente muito querido). Provavelmente o homem que é só razão passará a se dar conta de que é preciso considerar outras possibilidades...

Veja você que falo de experiências que contribuem para este entendimento. Sem elas como exigir compreensão e vivência? Não basta a boa vontade (contudo é preciso salientar que sem a força de vontade nada conseguimos). Ela é imprescindível, porém, não atua de forma solitária. Pessoas perseverantes que conseguem focar seus objetivos e sabem aproveitar cada oportunidade que a vida lhes traz, certamente são vencedoras, sofrem menos e ainda por cima ajudam os outros através de seus bons exemplos.

Mas tais pessoas não compreenderam algumas leis universais pelo acaso. Não, o acaso não existe. A história de vida (ou de vidas) deles é que poderá clarear nossas indagações e aquilo que no início parece ser causado por tal coisa, passa a ser explicado de outra maneira.

E como a auto-ajuda pode atrapalhar alguém?

Quando lemos e ouvimos as pessoas comentarem que TODOS podem conseguir a melhoria imediata e que para isso basta que aprendam a observar as lições contidas nos textos de auto-ajuda, uma onda de derrotismo pode invadir aqueles que por mais que se esforcem para alterar os padrões mentais, os hábitos, as tendências, não conseguem nem paz, nem harmonia e muito menos alegria em suas vidas. Então, aquilo que vem com a proposta de libertação, escraviza. O que nasce com a intenção de esclarecer, marginaliza.

Nem todos os que lêem auto-ajuda estão preparados para a semeadura. E o pior é que se sentem culpados pelo que não conseguem fazer, sem se darem conta de que não é por falta de vontade ou esforço próprio, mas por falta de condições, sejam elas orgânicas, psíquicas, espirituais, sociais ou históricas. E então, aquele que já coleciona fracassos colocará sobre a própria cabeça mais um triste veredito: o da própria incompetência, quando na verdade nem tudo dependia dele.

Sempre ouvimos relatos dos que conseguiram maravilhas em suas vidas, através da superação e da observância das técnicas contidas em tais textos. Em contrapartida os falidos nunca aparecem. O que eles falariam ao público? Diriam que não conseguem porque não têm capacidade ou força de vontade? Melhor ficarem quietinhos. Já bastam os rotuladores de plantão que não tardarão em apontar o indicador na direção deles.

A auto-ajuda trabalha com o pressuposto de que todos os problemas e soluções estão dentro de você, desconsiderando a realidade social onde o indivíduo se encontra, suas relações ou sua história.

Acredito que os construtores de textos deste gênero precisam, urgentemente, deixar de colocar em seus escritos as frases: “Se você quiser, consegue”; ou ainda, “Tudo só depende de você!”. Essas afirmativas, além de não contribuírem para mudanças sociais necessárias, acabam por sobrecarregar o indivíduo.

Digo ainda que necessitam, antes de mais nada, esclarecer aos leitores que as possibilidades de melhoria aumentam sensivelmente quando tais lições são observadas, mas que mesmo essas saudáveis práticas não trazem a certeza de mudanças imediatas e que elas podem acontecer, talvez, num futuro um pouco mais distante, uma vez que inúmeras quedas podem acontecer no meio do caminho.

Se não fizerem isso, correrão o risco de se tornarem cúmplices de maiores rotulações e, quem sabe, de maiores fracassos.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 9/10/2007

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Autor: Claudia Gelernter   
Tanatóloga e Oradora Espírita, professora e coordenadora doutrinária
E-mail: claudiagelernter@uol.com.br | Mais artigos.

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