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QUANDO A MINHA BELEZA ERA FEIA!

por Irlei Wiesel

Publicado dia 4/6/2008 em Autoconhecimento

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Aos 15 anos fui indicada para concorrer ao título de rainha da faculdade. O convite foi um choque! Afinal, eu me achava tão estranha, um tanto desengonçada. Meu corpo era esquelético e alto. Eu media desconfortáveis 1,78m de puro complexo. Cresci tendo medidas desproporcionais, se comparada com minhas amigas. Todas eram baixinhas, algumas gordinhas e eu, o oposto. Portanto, incomum. Aprendi, cedo, a comparar-me com alguém. E nessa comparação, é claro, sentia-me fora dos padrões.

Lembro que, na escola, já no pré-escolar, eu era convidada, gentilmente, pela professora a me dirigir para o último lugar da fila. Nas séries posteriores não seria diferente. O lugar da altona e magricela Irlei, obviamente, seria sempre atrás de todos. Só faltavam dizer: “Ninguém mandou você nascer tão alta!”

Inconscientemente, cresci sentindo-me culpada por ser alta. Não entendia minha altura e, por conseguinte, não me aceitava. Diria até que eu me encolhia. Quanto mais contorcia meu corpo, na esperança de ficar com a altura do grupo, mais me sentia humilhada. Parecia sempre que eu mendigava algo. Sentia necessidade de que o grupo me aceitasse.

Essa ocupação doentia distanciava-me cada vez mais de mim. Desenvolvi uma série de crenças que, por muito tempo, distorceram minha realidade. Entre elas: "Eu sou feia!"
"Os outros valem mais que eu!" "Nasci para ser a última na vida!" "Jamais terei um lugar de destaque!" "Ser alta é um castigo, sou uma coitada!" "Rastejar é a lei do mundo!"

O tempo passou e fui para faculdade. Já no primeiro semestre fui indicada para concorrer. As caçadoras de beleza afirmavam que eu tinha os requisitos ideais para conquistar o título. Sabem o que eu tinha? Altura, peso ideal (magérrima), beleza, simpatia, luz própria...

Lembro-me que fiquei chocada, pois jamais vira tudo isso em mim. Como era possível que pessoas que mal me conheciam, viam tantas características fantásticas em mim? Como eu, que havia passado anos em minha companhia, não fora capaz de identificar nada disso?

A indicação rendeu-me uma alegria e também uma tristeza imensas. A alegria não preciso nem comentar o porquê, mas a tristeza, sim, merece um comentário. Descobri o quanto eu havia me abandonado por tanto tempo. Senti a triste condição que me havia imposto. Percebi o quanto distorci a realidade e, ao contrário do que eu havia alucinado, a minha altura e o meu baixo peso eram características minhas. Eram diferenças e não erros. Faziam parte da minha natureza e, mesmo que os padrões de beleza, à época, não lembrassem Gisele Bündchen, mesmo assim aquele corpo era meu. Aquela criatura em crescimento era o meu melhor, era o meu mais bonito, o mais ideal para minha felicidade.

Senti-me triste, pois deixara que os padrões externos abafassem a minha natureza interna. Como pude me encolher se a vida me queria ereta? Como pude me esquecer se a vida me queria alerta? Como pude distorcer a realidade contra mim mesma? Como permiti que a minha criança interior chorasse querendo sorrir?

Superado o espanto do convite, certamente aceitei concorrer. Para minha surpresa a vencedora foi anunciada. Seu nome: Irlei Lúcia Hammes. Sim, era eu mesma. Enquanto os aplausos tomavam conta do ambiente, eu aplaudia a minha vitória interna. No meio de tanta gente, eu alta, magra, esquelética, estava descobrindo que tinha valor. Os aplausos foram para a minha descoberta. Naquela noite em que uma moça em seu lindo vestido azul era freneticamente aplaudida renascia uma nova Irlei. A Irlei que se descobriu a tempo de conquistar respeito e identidade.

Os aplausos me impulsionavam para o encontro do meu verdadeiro valor. EU TINHA TUDO PARA ME DEIXAR FICAR DE LADO, MAS INACREDITAVELMENTE A VIDA ME DEU A CHANCE DE MUDAR MINHA CRENÇA.

E para você, o que está na hora de mudar?

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Irlei Wiesel   
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