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QUEM É A GUERREIRA FERIDA E COMO CURÁ-LA.....



No meu trabalho como psicoterapeuta e facilitadora de workshops e círculos de mulheres, tenho encontrado inúmeras mulheres que passam por conflitos, medos, falta de confiança e auto-estima... Existe ainda um sentimento de saudade, saudade para algo sobre o que não existe definição, saudade de si mesma... Mas as dores que mais estão levando a mulher em busca de ajuda é a cura da “Guerreira Ferida”.

Quem é a “Guerreira Ferida”? É a mulher independente, confiante, bem sucedida, a mulher que conquistou o seu espaço dentro do mercado financeiro, tendo geralmente excelentes cargo e remuneração. É capaz de resolver qualquer problema e geralmente não pede ajuda, mesmo quando precisa. Conquistou essa posição com muita luta, enfrentando toda a dificuldade que existe para uma mulher ocupar um cargo de confiança em uma sociedade patriarcal.

“Durante sua “jornada” essa guerreira, por proteção, veste-se com uma “armadura” e está sempre com sua ”espada” na mão, uma visão simbólica que demonstra estar na defensiva. Acredita que não precisa de companhia, abandonou a fantasia do “Príncipe Encantado”. Algumas vezes essa “Guerreira Ferida” se torna amarga, zangada e se castiga privando-se de vivenciar suas emoções, de demonstrar suas fragilidades. Só que essa “Guerreira”, na realidade, está muito ferida; a dor é sentida na alma, no coração. Ela está cansada de lutar, a armadura está pesada e ela sente que há necessidade de equilibrar o uso da espada.

Dentro da psicologia feminina e, citando aqui uma especialista no assunto, Jean Shinoda Bolen, a “Guerreira Ferida” é um dos arquétipos mais presentes na sociedade atual. Shinoda relaciona este padrão fazendo uma comparação entre a mulher contemporânea e as deusas gregas. Nesta visão a “Guerreira Ferida” é a mulher em desequilíbrio entre os arquétipos das deusas Atenas e Afrodite.

No meu entender, a mulher teve que despertar este arquétipo da guerreira para sobreviver na sociedade atual. Ela veste suas armas para realizar seus sonhos. Só que não sabe ao certo equilibrar este padrão com as outras faces do feminino que habitam seu coração e ainda a medida certa entre o equilíbrio das energias masculina e feminina.

Como curar a “Guerreira Ferida”? Segundo Suzana Kennedy, ”a Guerreira Ferida almeja se transformar em Deusa, mesmo que não pudesse usar essas palavras para descrever o seu desejo. Quem é a Deusa? A Deusa é simplesmente a incorporação do Divino em um corpo feminino. Ela tem discernimento e age com integridade. Ela tem uma essência de paz interior que é inabalável. A Deusa irradia uma energia que é tão poderosamente bela, amorosa e suave, que os outros são atraídos para ela como imã.”

É como se as deusas, não ouvidas por séculos, reivindicassem nesse momento seu espaço. Temos que a elas voltar, prestando atenção às vozes de nosso corpo, nosso sentimento, emoção, hormônios, coração e pensamento. E, acima de tudo, sustentar esses achados mesmo quando eles contrariam preceitos milenares.

A Deusa pode ter sido uma “Guerreira Ferida”, mas curou suas feridas, equilibrou a face guerreira com as outras faces: a mãe, a amante, a menina, a anciã, a protetora, a espiritualista, a sombra, a luz, etc. Ela sentiu todos os seus medos, anseios, raiva, amor, libertando-se, assim. Ela transformou seus sentimentos, a traição e abandono em confiança e tranqüilidade. Ela aprendeu a olhar para dentro e gostar do que vê. Ela combate o ataque espiritual e físico com amor.

A “Guerreira Ferida e a Deusa”: dois arquétipos femininos poderosos. Um cansado e ferido; o outro, radiante e curado.

A mulher que vive o padrão da “Guerreira Ferida”, para ser curada, deve reencontrar-se com sua “Deusa Interior” e isso torna-se mais fácil quando a mulher descobre a sua espiritualidade, sentindo que o divino habita dentro de si mesma. Nesse reencontro essa “Deusa Mulher” renasce e sabe desfrutar toda sua feminilidade com coragem que emana do seu coração. Ela confia plenamente no poder de ser mulher, nos seus instintos, no poder do seu ventre sagrado. Ela se liberta de seus sentimentos suprimidos de traição e abandono. Ela equilibra razão e emoção, masculino e feminino... Ela irradia amor, confiança, beleza. Ela também sente o divino em todos os seres, sentindo necessidade de compartilhar a sua descoberta.

Curada, essa guerreira reconhece e desperta outros aspectos da Deusa que lhe sirvam melhor em qualquer momento. E em algum momento, naturalmente, ela atrairá um deus para compartilhar toda sua soberania, amor, beleza...

Com carinho.

Artigo inspirado no trabalho da Cirandda da Lua com Círculos de Mulheres, em cursos, workshops e atendimentos individuais e no texto “A Guerreira Ferida” de Suzana Kennedy.
Sugestão de leitura:
"Mulheres que Correm com os Lobos", de Clarissa Pinkola Estes
"As Deusas e a Mulher", de Jean Shinoda Bolen.

Soraya F. Mariani
www.ciranddadalua.com.br
ciranddadalua@yahoo.com.br
(11) 9979-0447

Texto revisado por Cris
Publicado dia 18/8/2007

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Autor: CIRANDDA DA LUA    
Soraya Mariani é coordenadora do Projeto Cirandda da Lua.Tem formação acadêmica em artes e pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia e Arte Terapia. Agrega ao seu conhecimento diversas técnicas holísticas: floral, fitoterapia, encantação de contos, tarô; e ainda dedica-se ao estudo e prática da mitologia arquetípica, filosofia, antroposofia.
E-mail: ciranddadalua@yahoo.com.br | Mais artigos.

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