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Resgatando a mim mesma


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Não tenho vergonha de compartilhar que estou em tratamento em uma Clínica – Dia, por depressão. Sérios problemas familiares… No início eu estava resistente ao tratamento. Em que uma Clínica – Dia poderia me ajudar? Era isso o que eu pensava. Porém, certo dia eu combinei com uma das psicólogas que faria um desenho para um folder de divulgação de um grupo de discussão sobre saúde mental. Logo depois eu cantei um pouco com uma das colegas e dancei, pulei durante a musicoterapia. Eu estava resgatando a Patrícia criança, adolescente. Ainda estou procurando resgatar a mim mesma, escrevendo.

Eu era uma “figura” quando era criança. Certa vez eu estava no meu quarto, olhei ao redor e disse: “É tudo ilusão!” Em outra ocasião eu disse para a minha tia que era de outro planeta e que um disco voador viria me buscar. A minha tia ficou espantada.

Quando eu tinha oito anos fiquei triste ao escutar uma conversa entre adultos sobre os danos ao meio ambiente. Pouco tempo depois eu assisti a um filme sobre a vida de Beethoven e resolvi compor uma música. Cantei bastante durante o banho para a Fátima, que cuidava de mim. Mas depois sobrou apenas este poema:

“Encontro com a natureza

Canto ao som do canto dos passarinhos,

brinco ao redor das cerejeiras…

Nada poderia me tirar dos campos,

pois eu sou uma pioneira!”

É apenas um versinho de pé-quebrado, afinal eu tinha apenas oito anos. (Risadas) Um ano depois eu tive a minha primeira crise criativa. Eu disse para a minha mãe: “Perdi a inspiração!” A sensação que eu tinha é que a inspiração era algo divino e que tinha me abandonado.

Eu gostava de cantar, dançar, desenhar, brincar de teatro… Às vezes eu brincava de novela, inventava uma história baseada em músicas da época da Jovem Guarda. Às vezes me pediam para cantar. Eu era exibida. As professoras provavelmente achavam que eu era expressiva, desinibida e por isso me convidaram para participar de uma peça teatral ou para ser a “coreógrafa” em uma apresentação de dança do colégio. Depois da adolescência eu me tornei tímida, provavelmente porque passei a ter noção do ridículo.

Quando eu era criança alguns meninos gostaram de mim. Acho que eu tinha “brilho”! Lembrei-me da menina com doi ou três anos de idade, que tinha um sorriso que poderia iluminar um aposento ou uma casa inteira. Também me lembrei que fui uma linda menina quando tinha sete ou oito anos de idade: olhos verdes, pele e cabelos saudáveis, perfeitos, nariz e orelhas pequenos, delicados, dentes que brilhavam como pérolas… Eu tinha dentes grandes e separados como a Mônica, mas não deixava de ser uma menina bonita. (Risadas) Certa vez eu me olhei no espelho, vi aquela bela menina, mas pensei que não tinha o direito de me achar bonita, pois era menor do que as outras crianças. (Sou portadora da Síndrome de Turner e por isso sou baixinha e não posso ter filhos. Não tenho outros problemas de saúde além da osteoporose, decorrente do déficit hormonal.) Que bobagem! Mas só depois de muitos anos e de muito esforço consegui ter uma autoestima melhor.

Então nem tudo eram flores… Quando eu tinha dois ou três anos me sentia entediada, angustiada, preocupava-me com o futuro… É, eu tenho lembranças daquela época, o que não é muito comum. Parece loucura que uma criança tão pequena se preocupasse com o futuro? Mas eu me preocupava…

Eu tive problemas na pré-escola. Como eu era menor do que as outras crianças me colocaram em uma turma de crianças mais novas. Os meus pais então decidiram que eu iria mudar de escola. Eu era um pouco hiperativa e não queria fazer as tarefas escolares direitinho, rabiscava e ia brincar. Então uma professora falou para a minha mãe que eu tinha problemas motores. Fiz eletroencefalograma e o resultado foi normal. Mais uma vez mudei de escola. Na nova escola, tive aulas de reforço e acho acho que eu precisava mesmo de alguma atenção individual. Passei a ter um rendimento escolar dentro da média.

Durante a adolescência passei por um período de grave depressão e comecei a fazer terapia. Foram vários terapeutas... Como já observei anteriormente, demorei muitos anos para conseguir ter uma autoestima melhor.

Sei que preciso acolher a Patrícia criança e a Patrícia adolescente, com a sua luz e sua escuridão. A menina e a jovem que fui um dia têm muito a me oferecer. E a Patrícia adulta tem a capacidade de curar feridas, de oferecer amor para si mesma, de cuidar-se e trazer luz para a escuridão.

Recomendo o livro “A Revolução Interior”, de Gloria Steinen. É o melhor livro sobre autoestima que já li. Neste livro há um capítulo muito interessante sobre “parábolas de retorno”. São histórias que podem servir como inspiração, mas é claro que cada um tem que viver a sua própria história.


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Conteúdo desenvolvido por: Patricia M. Barros   
Sou jornalista e advogada. Atualmente sou funcionária pública e estudante de psicologia e psicanálise. Sempre me interessei por questões que envolvem comportamento e o desenvolvimento pessoal. Espero contribuir um pouco para o bem-estar e felicidade de algumas pessoas!
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