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SAUDADE

por Maria Luiza Silveira Teles

Publicado dia 15/4/2008 em Autoconhecimento

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Hoje, uma saudade danada veio bater à minha porta. E não adiantou querer deixá-la de fora. Ela, rebelde, foi se adentrando e tomando conta do meu ser.

Saudade de pés no chão, de fruta na árvore, de perfume de flor e mato, de leite ao pé da vaca, de andar na chuva sem medo e brincar nas enxurradas. Saudade daqueles que marcaram minha vida, ajudaram na formação de meu ser e, depois, se foram para outras dimensões, deixando cicatrizes em minh’alma.

Bobagem dizer que a gente se conforma, acaba por aceitar; aceita porque não tem jeito, porque por mais que nos rendamos à vida ela tem seus abismos, seus desertos, seus absurdos, seus imponderáveis.

De um modo geral, o ser humano foge de assuntos como doença, perdas, morte, tragédias. Esconjura-os para que eles jamais venham pegá–lo. Mas é uma fuga inútil: numa esquina ou beco qualquer do mundo, eles vêm e nos dilaceram. Assim é a saudade. A gente procura viver o hoje, o aqui e o agora, mas ela é um fantasma que vive a nos rondar. Basta um momento de descuido e se aboleta em nosso coração, levando-nos à tristeza e às lágrimas.

E quando você percebe, com exatidão, o futuro que já se configura e anuncia a dor? Você tenta de todo modo não pensar naquilo e busca o alento no momento presente da alegria. Mas... o futuro, um dia, chega. E a dor com ele. É como quando você vê seus pais, pouco a pouco, definhando, transfigurando-se, fragilizando-se. O que se pode fazer para transformar essa dura realidade? Seus heróis, seus portos, seus jequitibás, vão tombando lenta e dolorosamente. E a gente já sabe o que virá. E é impotente diante do curso natural e inexorável da vida. Vida dói, gente! Não adianta negar! É bonita, é aventura, é prazer, mas dói também. Dói nascer, dói viver, dói morrer.

E a danada da saudade, como um mosquito que nos aborrece e espantamos a todo instante, não é que continua ali?

Vai, saudade! Deixa-me beber da taça maravilhosa da vida! Sai pra lá! Desocupa meu peito! Dá lugar para o amor e a beleza de sempre. O amor que é maior que você e as dores todas do caminho! Acabou-se a quaresma. A Ressurreição aconteceu! Xô! Deixa-me viver que muito trabalho me espera! Um dia a gente acerta as contas... Ah, esse dia virá, com certeza! Porque nesta vida tudo acontece, tudo é possível.

É como disse um sábio qualquer, cujo nome me foge à mente: “Não existe uma páscoa sem uma quaresma profunda”. E eu que não sou sábia nem nada, digo: "Não há Páscoa sem alegria, sem o sentido do amor, da fé e da esperança".

Afinal de contas, melhor ter saudade, isto é, ter boas lembranças para curtir do que uma vida pobre, sem saudade alguma porque no passado só houve dor, miséria e desamor. Se for assim, viva a saudade, porque é sinônimo de vida bem vivida!

Maria Luiza Silveira Teles

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Maria Luiza Silveira Teles   
Fui professora de Inglês e, depois, professora universitária de Psicologia e Sociologia. Tenho 29 obras publicadas pelas editoras Vozes, Brasiliense e Parêntese. Hoje, trabalho como professora-visitante por todo o Brasil, sou consultora pedagógica e editorial e faça Reiki nas pessoas necessitadas que me chamam.
E-mail: [email protected]
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