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SEJAM O COELHO BRANCO...

por Christina Nunes

Publicado dia 8/3/2008 em Autoconhecimento

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Toda vez que Alice (é, a do país das maravilhas mesmo!) ia se deslumbrando com algum novo cenário do país maravilhoso - o Chapeleiro Louco, o Gato Feliz, o que fosse - lá vinha o Coelho Branco e atraía a sua atenção para algum novo ângulo inimaginável daquele lugar que, sem a intenção de fato, a menina ia descortinando devido à sua obsessão em perseguir e alcançar aquele misterioso animal sempre a correr consultando um relógio como se atrasadíssimo para alguma coisa...

Somos como Alice - deveríamos ser como o Coelho! Porque os vários cenários das nossas vidas por vezes nos fazem perder o norte, esquecendo-nos do imenso resto, em vista do que invariavelmente os aspectos desses cenários nos embriagam e nos fazem, literalmente, surtar.

Aqui é a vida familiar onde de repente apenas as dores de cabeça domésticas com pratos sujos e com contas a pagar existem, e quase nos convencem de que nada mais nos resta que o destino de pagadores de contas ou de lavadores de pratos; ali é o ambiente profissional, onde a visão unilateral dos que nos cercam a nosso respeito quase nos convence de que somos aquilo mesmo, e não o que somos... de sorte que no local onde em muitos dos casos gastamos mais da metade das horas das nossas vidas somos de tal forma hipnotizados pelo confinamento consciencial desfechado por décadas de atividades monocórdias que acabamos quase sempre convencidos de que o destino e a vida nada mais são que aquilo: as atividades do dia-a-dia, a atmosfera peculiar daquele pequeno universo fechado, os pareceres positivos ou negativos de uns ou de outros a nosso respeito, e as palavras, e os mesmos cenários, e as palavras...

Palavras... como as deste texto que agora vocês lêem e que, dentro em muito pouco, já terão talvez esquecido, passando a outro da grande e rica variedade presente no Somos Todos Um!

A menos que nos surja - ou ainda melhor - que nos tornemos o tal Coelho Branco!

Perseguir ou ser um Coelho Branco - através de uma novidade que nos acena com novas perspectivas de relacionamento, ou de amizades, ou profissionais; a percepção abrupta que nos maravilha com o entendimento de que tudo, absolutamente tudo que dizem sobre nós de bom ou de ruim, e vice-versa, não passa de um fragmento ínfimo da totalidade de possibilidades da vida, principalmente no que nos diz respeito! - pode ser o grande momento da nossa trajetória eterna! A maior e final sacada que nos fornece o pulo do gato, a chave de ouro para nunca mais nos colocarmos de modo voluntário num estacato vital que nos impede de ir adiante para encontrar o novo pote no fim do arco-íris!

Os pratos a serem lavados não são, não, a totalidade da finalidade das nossas vidas, senão mero detalhe de meio de caminho! As contas a serem pagas, ídem, assim como o relacionamento profissional que finda ou começa, os eventuais desentendimentos ou decepções com o que venham a pensar a nosso respeito, ou as possíveis vaidades pelas concepções elogiosas sobre o que fazemos! Tudo unilateral; tudo relatividade pura; tudo faceta fugaz!

É preciso que se entenda que isso não nos despojará do nosso perfil humano no momento de nos felicitarmos pelas eventuais vitórias ou de nos sentirmos desconsolados com supostos fracassos. O ponto aqui é saber elaborar situações do modo correto à compreensão de que nenhuma delas pode ou deve nos deslumbrar ao ponto de nos atolarmos nelas, tolhidos da infinidade de perspectivas brilhantes que nos aguardam logo ali, mais além, depois da curva! Pois como nenhum dia é igual ao outro, nos próximos, certamente, nos aguardarão novas aventuras maiores ainda do que aquelas cinematográficas que tanto nos empolgam. Simplesmente, caríssimos, porque em sendo reais somos nelas os principais atores e, sobretudo, os criadores da história! E o ato de criação é um continuum, o maior dom que possuímos a nosso favor! Ainda que disso não tenhamos a menor consciência!

Então, sejamos o incansável Coelho Branco, escapulindo incessantemente das armadilhas que nos aprisionam nos minutos que morrem por si. Até que afinal nos deparemos com a maravilha final da famosa toca do Coelho Branco: a da realidade incomensurável do Universo repleto de luzes e de paisagens magníficas, banhadas de luzes desconhecidas, à nossa espera - justo naquele momento final em que, como em tantas outras mortes, nos entregamos ao desespero, julgando, como Alice, que tudo tinha chegado ao fim!

Lucilla & amp. Caio Fábio Quinto
Autores dos romances espíritas O PRETORIANO, SOB O PODER DA ÁGUIA e ELYSIUM, UMA HISTÓRIA DE AMOR ENTRE ALMAS GÊMEAS

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
E-mail: [email protected]
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