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SEJAM VIVOS!



" O teu bem maior é a liberdade!"
Espírito anônimo

Por conta do meu artigo Sem Carros, mas Feliz, alguém me escreve agradecendo, em razão de ter se sentido aliviada, já que também viveu a situação de ser olhada volta e meia “meio estranho” devido a, tal como eu, não ter até hoje tirado carteira de motorista. Isto suscitou reflexões oportunas, que quero compartilhar. Algo que me chega, meio a meio, via inspiração também.

Sem que nem nos demos conta plena, a época e a sociedade na qual vivemos nos cobra posturas. De tal maneira que, assim como se dá em relação à carteira de motorista, não é raro que sejamos olhados enviesado devido a afirmarmos, com sinceridade, que não gostamos nem um pouco daquele programa televisivo da moda que é unanimidade nacional; devido a não gostarmos de cerveja ou de chopp (eu não gosto!), ou em virtude de nos posicionarmos via voz do coração e quanto a perfis comuns ao padrão de comportamento usual de maneira diferenciada do que é tido como adequado.

Um exemplo é se alegar pouco afeito à competitividade no meio profissional. Nem todos possuem, efetivamente, perfil para liderança. Afirmá-lo com honestidade é, pois, demonstrar dignidade e integridade de caráter. No entanto, muitas vezes a não demonstração de ambição competitiva, visando a ascensão no âmbito do trabalho, talvez que para a maioria das mentalidades é visto como pusilanimidade, desinteresse ou indolência. E você quase passa por incompetente se, numa equipe, dá a entender que se contenta apenas em trabalhar bem, em favor do bom rendimento do serviço, e não para demonstrar que é mais e melhor do que os outros, e, a partir disso, apto a conquistar os tão almejados cargos de liderança e de chefia.

Fora de dúvidas no entanto que, segundo a noção mais comezinha de gerenciamento humano em qualquer âmbito administrativo ou trabalhista, o mensageiro é tão importante quanto qualquer membro da diretoria.

Fico imaginando se, em épocas nas quais não se dispunha da mais simplória ferramenta tecnológica com as quais lidamos nos nossos dias, faria sentido alguém olhar com menosprezo ou suspeição para outrem, devido a este outrem não dispor dum cavalo para locomover-se de um para outro povoado; ou alguém valer menos como ser humano devido a não lograr ser, pelo menos, o bufão do rei. De qualquer modo, tratar-se-ia de uma miopia tão crítica na maneira de se considerar a vida e as pessoas, quanto hoje parece ser a que discrimina este ou aquele por não possuir o carro do ano, ou o cargo de chefia, ou ao menos o de chefe de cozinha da Casa Branca.

Em todo lugar e tempo, a liberdade é o apanágio supremo da vida; por conseguinte, dos seres das mais variadas procedências e espécies espalhados pela superfície do globo. E me parece que é inerente a esta liberdade o direito de simplesmente ser. Ser, segundo a percepção de cada qual do que venha a ser a Vida – segundo a sua ótica toda peculiar, suas vivências e o conseqüente matiz que estas possam imprimir em seu modo de reagir às sucessivas circunstâncias que compõe cada história individual. Então, com base nesta verdade, com o que quase se exige que toda uma sociedade reaja em função de padrões, tidos como aquilo a ser seguido, apreciado e imitado?

Por que cargas d’água todos devem saber dirigir? Gostar de informática e de aprender inglês?! Assistir ao Big Brother? Cismar que precisa de um I Pod?! Do MacLanche Feliz?! Da Barbie, e de ser chefe?!

Para onde vão aptidões, vocações, tendências, preferências e - mais do que tudo isso! – autenticidade e integridade – tudo o que representa, portanto, a riqueza da diversidade infinita da vida nos seres e nas coisas, o que é justo a maravilha da magnificência da Criação, dentro e fora de nós?!

Para onde, neste contexto, iria a liberdade?!

Que jamais abramos mão desta prerrogativa: a de sermos vivos, acima de qualquer outra coisa; acima do que seja do lado de fora, ou do que sejam, ou do que pensam que devamos ser! E ser vivo implica em ser livre – para querer ou não dirigir, assistirmos ao que der na telha no cinema, e não ao que a douta crítica indica como bom e louvável; para ouvirmos música clássica ignorando as caretas ao porventura não gostarmos de pagode; para descobrirmos o quanto podemos nos dar bem dando ouvidos apenas à voz interior e ao próprio coração, ao invés de seguir os ditames do famoso expert e profundo conhecedor de quaisquer áreas da vida... e perceber que, quanto a vários aspectos, bem freqüentemente o expert é que andava enganado; para dar mais importância a um fim de sexta-feira ao lado das crianças do que no grande evento imperdível na empresa; para optarmos pela rajada das brisas no rosto numa manhã de sábado sob o sol tépido discordando de quem só vê sentido num fim de semana na praia...

Sendo o que quisermos ser respeitando o sagrado ser alheio. Sem modas, sem tendências da época, sem os efeitos da lavagem cerebral massificante imposta pelo marketing e pela tecnologia...

Ar puro e renovado, para a alma e para os pulmões! Diariamente!

Sejam vivos!...

Com amor,

Lucilla

Texto revisado por: Cris
Publicado dia 14/10/2007

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Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
E-mail: meridius@superig.com.br | Mais artigos.

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