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Separação dos pais e as possíveis conseqüências nas crianças



Há pouco tempo, o enfoque dado pelos psicólogos que atendiam casais em processo de separação era o de levar em conta a problemática dos cônjuges em questão. Mas atualmente muitos estudos e pesquisas têm tido a preocupação de demonstrar os efeitos da separação nos filhos desses casais. Percebeu-se que esses efeitos são mais prejudiciais e duradouros do que se pensava, pois estas crianças são vítimas involuntárias do dilaceramento desse processo de ruptura.

Então, de que modo essas crianças poderiam vivenciar as dissociações causadas por esta situação? Pode-se dizer que poderá haver dissociações quanto ao corpo, a afetividade e o social.

O corpo da criança desenvolveu-se num determinado espaço onde os pais estavam presentes. Se um dos pais vai embora e se o espaço físico (casa) não for o mesmo, a criança não mais se reconhece, nem mesmo em seu corpo, podendo haver, então, uma alienação em suas referências espaciais e temporais, pois uma depende da outra. Mas se pelo menos o espaço físico for mantido, onde os pais viviam unidos, poderá haver uma mediação e o impacto da separação poderá ser, possivelmente, mais ameno para a criança, pois identifica seu corpo com a casa em que vive. Se esta fica "destruída" pela ausência de um dos pais ou pela mudança, ela poderá viver dois níveis de desestruturação: uma no nível espacial (corpo) e outra no nível da afetividade (sentimentos dissociados). Esta referência é válida também em relação à escola. Se a separação ocorrer durante o período letivo, não é aconselhável deslocá-la para outra escola, pois isto poderia acarretar uma dupla confusão sentida pela criança: pelo problema da separação, o seu íntimo formado através de seus pais fica abalado e de outro, seu ser social, que depende de seus colegas da mesma idade, poderá também ser prejudicado.

Possivelmente a criança nesta fase, durante um período médio de dois anos, poderá apresentar dificuldades na escola. Neste período poderá apresentar sinais de tristeza, de quase não brincar, de distração, ficando absorta em seus pensamentos e reflexões. Essas reações variam de acordo com a idade da criança e de criança para criança.

Até os 4 anos a criança necessita, com certa dominância, da figura materna ou de quem exerce essa função, podendo vir a ser o pai a "mamãe" que estou citando. Nesta faixa de idade a criança precisa do lugar onde viveu até então, pois este seria uma espécie de envoltório espacial de segurança. Já as crianças a partir de 5 anos já compreendem a finalidade do divórcio, se identificam com um dos pais, podendo culpar o outro como responsável pela situação. Nesta fase seria interessante que os pais tivessem vida própria afetivo-sexual, pois a criança nesta época costuma fantasiar poder ser o cônjuge e se isto for "confirmado" pela realidade, pode vir a ser perigoso (complexo de Édipo).

Mesmo que a mãe venha a se casar com outra pessoa, é importante que o pai continue a assumir a responsabilidade por seus filhos, pois estes precisam dele para o seu desenvolvimento. Quando isso não ocorre, pode a criança se ver obrigada a agarrar-se à mãe e ao companheiro dela e isto poderá ser prejudicial.

Não quero dizer com isso que todas as crianças de pais separados serão problemáticas na vida futura. A nossa tarefa é poder entender qual o preço de tais ajustes emocionais, que possivelmente não serão de dor e nem de forma automática à nova realidade.

Precisamos nos lembrar destes momentos dolorosos causados pelo impacto da separação sobre a criança e tentar valorizar os aspectos mais positivos do casamento, tentando preservá-lo. Durante três décadas as preocupações eram em relação à liberdade dos adultos e foi esquecido o preço emocional que as crianças pagam.

Eu, como psicóloga, percebo a necessidade de se averiguar, medir, elaborar sobre o processo de separação, sobre estes momentos de crise conjugal, para que os pais não tomem decisões precipitadas e até erradas e prejudiquem, além deles mesmos, o futuro de seus filhos.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 1/6/2007

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Autor: Rita Maria Brudniewski Granato   
Sua metodologia atual de trabalho combina diversas áreas da Psicologia tradicional e moderna, com resultados altamente eficazes comprovados pela recuperação de centenas de pacientes ao longo dos seus mais de 30 anos de profissão Especializou-se em atendimento a adultos, adolescentes, crianças, casais e família.
E-mail: ritagranato@ritagranato.psc.br | Mais artigos.

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