Será que extraterrestres estão entre nós?
Autor Alexei Bueno
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 8/21/2026 10:19:29 AM

O tema extraterrestre é algo que sempre despertou em mim grande interesse e curiosidade. Muito antes de me aprofundar nas experiências fora do corpo, ainda na infância, lembro-me das revistas UFO, na época editadas por A. J. Gevaerd, das quais meu pai era assinante. Estamos falando da década de 1990, período em que meu pai também participava de convenções e encontros dedicados à ufologia. Esse interesse permaneceu ao longo dos anos e, cerca de uma década atrás, tive inclusive a oportunidade de acompanhá-lo em uma dessas convenções, realizada em São Paulo.
Dessa maneira, o tema extraterrestre sempre foi tratado com bastante naturalidade em nossa família. Assistíamos em família a filmes e documentários relacionados ao assunto, e a possibilidade da existência de vida extraterrestre nunca nos pareceu algo estranho ou absurdo. Lembro-me especialmente da repercussão do chamado "Caso Varginha", que, na época, provocou grande alvoroço e despertou ainda mais minha curiosidade. Cheguei inclusive a apresentar um trabalho escolar sobre o tema.
Por outro lado, a década de 1990 também foi marcada por muitas histórias controversas e até bizarras relacionadas ao tema. Um exemplo bastante conhecido envolve Urandir Fernandes de Oliveira e o chamado "ET Bilu", caso que, a meu ver, recebeu uma exposição extraordinária e foi explorado de maneira bastante sensacionalista, em grande medida pela capacidade de atrair audiência. Era uma época em que a televisão e o rádio ainda constituíam os principais meios de comunicação para a maioria das pessoas, o que conferia enorme alcance e influência a histórias bizarras que atraíssem a audiência.
Após a adolescência, passei a nutrir também um grande interesse pela ciência, especialmente pela astronomia. E foi justamente por meio dela que me deparei com um dos principais desafios à ideia de visitas extraterrestres à Terra: as imensas distâncias que separam os sistemas estelares. Soma-se a isso a complexidade das condições necessárias para que um planeta possa abrigar vida como a conhecemos, envolvendo uma delicada combinação de fatores, como gravidade adequada, presença de água em estado líquido, composição atmosférica, estabilidade da estrela e muitos outros fatores.
Para termos uma dimensão dessas distâncias, basta observar que a luz - cuja velocidade no vácuo é de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo e representa, segundo a física atual, o limite de velocidade para a transmissão de matéria e informação - leva cerca de oito minutos para percorrer a distância entre o Sol e a Terra. Já a luz proveniente de Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, leva aproximadamente 4,2 anos para chegar até nós. Quando ampliamos essa escala para outros sistemas estelares e, principalmente, para outras galáxias, passamos a falar em distâncias de milhares, milhões ou mesmo bilhões de anos-luz. Diante dessa realidade, a ideia de um verdadeiro "trânsito interestelar" parece extremamente difícil quando analisada exclusivamente à luz dos conhecimentos científicos e das tecnologias de que dispomos atualmente.
Somando-se a essas questões, há ainda outro aspecto que se tornou particularmente evidente para mim com a popularização da internet, a partir dos anos 2000: grande parte do conteúdo relacionado ao fenômeno UFO e à presença extraterrestre mostrou-se constituída por informações falsas, distorcidas, exageradas ou simplesmente impossíveis de verificar - aquilo que hoje costumamos chamar de fake news. Evidentemente, esse problema não nasceu com a internet; muito antes dela, livros, revistas, programas de televisão e documentários já contribuíam para a divulgação de histórias de credibilidade bastante duvidosa. Um episódio que me marcou foi a famosa filmagem da suposta "autópsia de um extraterrestre" exibida no Jornal Nacional, que recebeu enorme repercussão na televisão brasileira e, posteriormente, teve sua autenticidade desacreditada. Esse tipo de episódio também revela uma característica dos meios de comunicação: uma história extraordinária pode gerar audiência quando é apresentada como verdadeira e, depois, novamente quando suas inconsistências ou falsificações são reveladas.
Com a crescente popularização das temáticas relacionadas às experiências fora do corpo, surgiu, mais recentemente, uma nova onda de relatos de pessoas que afirmam ter mantido contato com seres extraterrestres durante o sono ou em estados alterados de consciência. Trata-se, sem dúvida, de uma possibilidade intrigante: a hipótese de que seres provenientes de outros sistemas possam estar presentes e atuar de maneira "invisível" em uma dimensão da realidade que normalmente não percebemos. Ainda assim, sempre mantive certo "pé atrás", como costumamos dizer aqui no interior, diante desse tipo de relato, sobretudo quando afirmações extraordinárias são apresentadas sem elementos que permitam verificá-las. A mesma cautela se aplica ao que costuma ser chamado de "ufologia mística", que, em muitos casos, parece ultrapassar a investigação do fenômeno e assumir características próprias de uma nova forma de religião.
Por outro lado, existem casos clássicos de supostas abduções que, a meu ver, apresentam elementos suficientes para que não sejam simplesmente descartados, permanecendo ao menos no campo das possibilidades a serem investigadas. Um dos exemplos mais conhecidos é o do ex-lenhador Travis Walton, protagonista de um dos episódios mais marcantes da história da ufologia (principalmente pela quantidade e qualidade das evidências). Seu relato ganhou notoriedade internacional e serviu de inspiração para o filme Fire in the Sky (Fogo no Céu). É importante observar, porém, que a representação da experiência a bordo da suposta nave no filme foi bastante dramatizada e diferente do relato apresentado pelo próprio Walton.
Mas a questão central deste artigo permanece: afinal, será que os extraterrestres já estão aqui? Nos últimos anos, temos acompanhado uma verdadeira enxurrada de notícias, depoimentos e vídeos provenientes de instituições políticas e militares Estados Unidos relacionados aos chamados UAPs - Fenômenos Anômalos Não Identificados, denominação moderna que ampliou o antigo conceito de UFO (Unidentified Flying Object), ou OVNI (Objeto Voador Não Identificado), em português. Entretanto, como o assunto inevitavelmente se mistura a questões políticas, tornando-se difícil o entendimento do que realmente está por trás dessa crescente exposição. Estaríamos apenas diante de um tema de grande apelo público, eventualmente capaz de desviar a atenção de outros problemas políticos? Ou estaríamos presenciando uma divulgação gradual de informações, preparando a sociedade para revelações extremamente impactantes - quem sabe até para um futuro contato aberto? Talvez nenhuma dessas hipóteses esteja correta; ou, de maneira ainda mais intrigante, diferentes interesses possam existir simultaneamente.
Particularmente, considero a possibilidade de que aquilo que chamamos de "primeiro contato" talvez já tenha ocorrido em algum momento remoto de nossa história. Também vejo com interesse, embora com algumas ressalvas, a hipótese popularmente conhecida como "Eram os Deuses Astronautas?", segundo a qual seres extraterrestres teriam visitado a Terra em tempos antigos e, de alguma maneira, influenciado povos ou mesmo o desenvolvimento da humanidade. É verdade que essa ideia pode soar como algo saído de um episódio de Star Trek (Jornada nas Estrelas), mas nem por isso deixa de ser uma hipótese fascinante para reflexão. O importante, a meu ver, é manter a mente aberta às possibilidades sem abandonar a cautela, distinguindo sempre aquilo que podemos comprovar daquilo que permanece no terreno da especulação.
Wagner Borges apresenta uma reflexão interessante ao afirmar que, em certo sentido, somos todos extraterrestres, pois a única dimensão verdadeiramente terrestre de nossa existência seria o corpo físico; nossa essência transcendente ou espiritual, por sua própria natureza, não estaria limitada ao plano material nem ao planeta Terra. A essa reflexão eu acrescentaria uma perspectiva encontrada tanto na Teosofia quanto em diferentes correntes do pensamento hinduísta: a Vida, em sua essência, é una, embora se manifeste sob incontáveis formas, em diferentes planos de existência, mundos e estruturas biológicas. Sob esse ponto de vista, o plano físico poderia ser compreendido como o grande palco da multiplicidade, no qual uma mesma realidade fundamental se expressa através de uma extraordinária diversidade de seres e formas de vida. O universo transforma-se, assim, em uma verdadeira escola cósmica, onde a Vida experimenta e manifesta suas inúmeras possibilidades através de diversas formas e em diversos sistemas solares.
Como conclusão, é muito fácil nos deixarmos envolver pelo fascínio que o tema extraterrestre desperta, a ponto de confundirmos aquilo que gostaríamos que fosse verdadeiro com aquilo que efetivamente podemos demonstrar. Ao longo da história da ufologia, não faltaram supostos contatados, divulgadores e personagens que se aproveitaram do interesse pelo assunto em busca de fama, dinheiro ou notoriedade - algo que, evidentemente, não é exclusividade desse campo. O fenômeno UFO ganhou especial destaque a partir do período posterior às guerras mundiais, embora relatos de acontecimentos celestes incomuns possam ser encontrados em registros muito mais antigos. Diante de tudo isso, entre o entusiasmo e a busca pela verdade, prefiro a segunda opção: manter a mente aberta, mas acompanhada de cautela, senso crítico e análise racional dos fatos. Como diz o conhecido ditado, "onde há fumaça, há fogo"; contudo, existe uma distância considerável entre admitir como plausível a existência de vida inteligente extraterrestre no vasto universo e afirmar, com certeza, que esses seres já estiveram - ou estão - entre nós. Talvez seja justamente nesse equilíbrio entre curiosidade e prudência, abertura e ceticismo, que possamos nos aproximar um pouco mais da verdade.
Alexei Bueno
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