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SÉRIE UFO - UFOLATRIA

por Christina Nunes

Publicado dia 5/2/2008 em Autoconhecimento

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Provavelmente em virtude de um artigo publicado faz tempo, talvez no fim do ano retrasado, recebi ontem e-mail de um leitor fazendo menção à questão Val Ellam. Existem determinadas mensagens que me propiciam esclarecimentos de âmbito mais amplo, levando-se em consideração que são motivadas por alguns artigos que publico intentando dividir impressões com os leitores a respeito deste ou daquele assunto.

O problema havido com as predições do Val Ellam se assemelharam até certa medida com o acontecido com o professor Juscelino Nóbrega, sobre quem publiquei alguns textos também. Trata-se daqueles casos que nem são exatamente inéditos, de sensitivos que falharam em suas missões em razão do despoliciamento na utilização dos seus próprios dons. Vou me ater aqui ao primeiro caso, que é o que se relaciona diretamente à temática ufológica.

Há mais ou menos um ano o sr. Jan Val Ellam anunciara, via canalização, avisos que puseram em polvorosa todo o mundo ufológico - e também irada a sua facção ortodoxa, diga-se!

Não era para menos. Seus comunicados previam meses exatos, dia e hora nos quais, durante um certo período de 2007, naves extraterrenas passariam a baixar em massa nos nossos céus, resgatando a Terra de um processo de quarentena milenar no qual nós mesmos nos metemos para com a convivência com as muitas outras civilizações espalhadas no Universo, em decorrência da intemperança legendária das nossas atitudes.

Na época eu havia lido alguns livros de Ellam porque, seguidor da linha espiritualista na abordagem da questão, a meu ver ele discutia as coisas sob determinada ótica que - diga-se! - ainda agora julgo fazer sentido. Porque também penso que a Terra, mergulhada num Universo deste tamanho e certamente povoado de cabo a rabo, não se acha neste insólito estado de isolamento comunicativo para com os povos planetários à toa. Haja vista que UFOs surgem secularmente em nossos céus desde há um contar de tempo impreciso - mas travar contato direto com os habitantes de nosso planeta, isto é outra coisa que, salvo nos casos isolados das ditas abduções ou possíveis e aventados contatos diretos e ocultos com governos de nações terrenas, absolutamente não acontece! Pelo menos em níveis expressivos.

Como se deu com o referido leitor, também me impressionei com o conteúdo da entrevista de Ellam na revista UFO especial publicada na época com nada menos que quinze páginas. Prestei atenção aos meses e datas mencionadas e, movida por natural espírito investigativo, chegada a hora, também me pus a inspecionar os céus em busca dos tais sinais inequívocos que apareceriam. O que se tornou complicado com o decorrer do tempo porque, se sou testemunha de eventos isolados desde a época que se estende da infância, transmudou-se em coisa melindrosa a visualização de algumas poucas luzes estranhas neste período, sem saber ao certo se as atribuía ou não à conjuntura em questão, ou se não se tratavam no fim das contas daqueles mesmos eventos que volta e meia nos colhem de surpresa nos céus, contidos na estatística usual da casuística ufológica observada em todo o mundo.

O fato, caros, é que, por lisura, a conclusão não poderia ser outra, quando, passados alguns meses, nada se via de anormal que não o céu com seus eventuais contatos visuais que nada constituem de novo para quem se habituou às vigílias.

Considero-me, sim, ufóloga espírita, de vez que a pluralidade dos mundos habitados mencionada na Doutrina de Kardec explica com lógica irrefutável determinados fenômenos da área da ufologia, quando do aparecimento e desmaterialização súbita de objetos não identificados; do surgimento de outros que estranhamente mudam de forma ou que não apresentam forma definida, e ainda os casos outros, mais insólitos, das visualizações de uma fartura absurda de UFOs nos céus em estado de desprendimento do corpo físico. Explicação que levo em conta pela lógica de que se reveste de um ponto de vista mais amplo, mais ousado, da questão, e de nuances do fenômeno que não logram elucidação satisfatória em se lançando mão de ortodoxia e de intransigência. Isto é uma coisa.

Outra, contudo, é o que lastimavelmente aconteceu no caso Val Ellam e que vem vitimizando grande soma de pessoas envolvidas com a ufologia dita esotérica - que particularmente vejo como uma outra facção, distinta da espírita - na hora de se potencializar às raias do absurdo a adoração a ETs como seres fantasticamente superiores que lá estão à espera para salvar a humanidade na hora da catástrofe final e resgatar-nos em naves gigantescas para não sei aonde.

Entendo que a evolução humana se dá tão naturalmente quanto o nascer e o pôr do sol: sem saltos, sem a perversão das leis naturais - mesmo daquelas de que a nossa ciência ainda sequer logrou proximidade pelos fatores limitadores óbvios do seu arcabouço instrumental que, contudo, serão também naturalmente transcendidos com o passar do tempo.

É de senso comum, sim, que reencarnamos neste mundo em levas sucessivas, como camadas de areia trazidas pelas ondas, em processo ininterrupto de avanço evolutivo; e que neste processo os habitantes das dimensões invisíveis - sejam as pertencentes às esferas espirituais do próprio orbe, sejam seres extracorpóreos provindos de outros mundos ou paragens do Cosmos - nos auxiliam via inspiração e interação contínua, também no nível espiritual. Todavia, isto é coisa bem diversa da inadmissível imprudência, incauta mesmo, de se alardear por aí datas e invasões intergalácticas a partir de uma mistura indigesta envolvendo a sensibilidade extrapsíquica e algo que deve ser estudado e abordado com extrema seriedade, qual seja a temática da ufologia.

Agir assim, sem erro, é incorrer em grave processo auto-obsessivo. É deixar-se dominar por doentia fascinação possivelmente exercida até, de modo implacável, por entidades obsessoras da invisibilidade e das camadas umbralinas do orbe terreno, com o alvo sombrio de atrapalhar decisivamente a clareza dessas questões graves, desacreditando irreversivelmente seus representantes ao lançá-los no ridículo público e no opróbrio. Todavia, se tal lastimável ordem de coisas se efetiva, forçoso reconhecer que o culpado maior é o próprio intermediador da mensagem extracorpórea, invariavelmente vitimado pela combinação funesta da vaidade exaltada e da invigilância na hora de transmitir mensagens espetaculares e alarmistas ao público sem atentar devidamente nos resultados adversos que advirão, implacáveis, a curto prazo, se tais predições fantasiosas não se cumprem.

Tais tristes vítimas do culto da ufolatria pecam por imprevisão. Devem vigiar severamente tudo o que lhes chega de procedência inusual no território da fenomenologia ufológica, bem como filtrar dados com intransigente imparcialidade antes de fazê-los cair no domínio público. Só desta forma se preservarão do estigma irreversível do fanatismo, que não haverá jamais de contar com a adesão e respeitabilidade tanto da parte dos estudiosos sérios, quanto também daqueles que se sentiram - com razão! - lesados na sua boa fé ao se virem ludibriados pelo conteúdo de uma mensagem que, e em nela confiando, os fez se portarem, pelo menos durante algum tempo, como autênticos idiotas.

Abraço cordial a todos.

Lucilla

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Christina Nunes   
Chris Mohammed (Christina Nunes) é escritora com doze romances espiritualistas publicados. Identificada de longa data com o Sufismo, abraçou o Islam, e hoje escreve em livre criação, sem o que define com humor como as tornozeleiras eletrônicas dos compromissos da carreira de uma escritora profissional. Também é musicista nas horas vagas.
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