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TEMPO DE NATAL



Percorro apressadamente as ruas da grande metrópole e, por um segundo, um arco luminoso da decoração natalina me chama a atenção. E só aí percebo que mais um ano está chegando ao fim. É tempo de Natal.

Como se não bastasse a percepção constante de que o tempo está correndo mais rápido, chegam as luzes pequenas dos enfeites natalinos para nos pressionar... E é inevitável a mente inquieta percorrer o túnel do tempo, refletindo: o que foi feito neste ano? E infelizmente muitas mentes se deixam levar ao desespero ao perceberem as inúmeras frustrações. Não houve tempo daquele sonho se concretizar e toda a esperança contida no início do ano se derrete qual uma geleira iluminada pelo sol da consciência.

E parece que o trânsito, já insano da metrópole, fica quase insuportável nesta época do ano... E as pessoas que já no dia-a-dia correm nesta época parecem voar e se debatem na ânsia de comprar, comprar, comprar. E os asilos, hospitais e orfanatos ficam mais lotados de visitantes, como se as pessoas que vivem nesses locais, só fossem lembradas na época da festa natalina... Como se os mendigos, idosos e órfãos só sentissem frio, fome e abandono uma vez ao ano!

E percebo que as pessoas que suportaram a solidão durante o ano inteiro começam a ficar mais vulneráveis nesta época. Há muitas festas, confraternizações e luzes. Mas há também tristeza, desavenças e solidão! Existem crianças que aprendem muito cedo que Natal é sinônimo de presente e os adultos vão ensinando-as a bajularem para conseguirem o que querem. Como se os presentes pudessem realmente substituir os afetos!

As vitrines lotadas de atrações fazem os olhares brilharem de cobiça e desejo! Há ainda o Papai Noel, o bom velhinho que satisfaz todos os desejos infantis! E há apenas uma escolha: qual vai ser o seu olhar frente a mais um término de ano? O que seus olhos vão enxergar? Só as trevas, a pobreza, a solidão? Ou as luzes, a alegria, a confraternização?

Existem basicamente dois grupos: os que amam o Natal e as festas de Fim de Ano e há os que odeiam. De qual deles você fará parte? Eu? Não sei! Talvez de nenhum deles.

Quando eu era criança geralmente ficava muito feliz com as festas de fim de ano; hoje mais velha me bate uma nostalgia, uma saudade da inocência que foi ferida e não consigo ficar imune a ela. Mas creio que tenho uma escolha e quero escolher olhar para tudo e enxergar os dois lados. Compreender aquele que não gosta desta época e compreender aquele que gosta.

Respeitar as inúmeras dores de cada alma e tentar continuar meu caminho tentando ajudar as pessoas a escolherem sonhar com coisas boas e não desistirem de acreditar.
E então faço um apelo a todos. Que nós nos lembremos com maior intensidade dos ensinamentos de Jesus, não só na época de Natal. Que tentemos praticar a caridade e a alegria durante o ano inteiro. Que tentemos apaziguar as desavenças, não só porque mais um ano termina, mas porque qualquer dia pode ser o último. Que pratiquemos a cada segundo a tolerância, a paciência e o respeito que são ingredientes imprescindíveis para o amor continuar forte dentro de si, o ano inteiro. Que não fiquemos atônitos nos lamentamos das inúmeras frustrações que tivemos ao longo do ano e larguemos os chicotes que castigam nossas costas e as costas de pessoas que amamos, só porque erros foram cometidos. Que possamos atravessar a ponte da culpa sem ficarmos presos nela. E que ela apenas sirva de alerta para as lições que temos que aprender. E possamos praticar o perdão.

Que mesmo você que se sente sozinho por não ter alguém da família ou amigo por perto, possa perceber a presença silenciosa da Natureza que nos conforta tanto e nos dá tanto! A presença muda das árvores, das flores, do vento, dos animais que aparentemente submissos nos ensinam tantas lições de entrega, beleza, doação e amor!
Que você possa olhar para as luzes artificiais e se lembrar da Luz verdadeira que está em seu coração!

E que você transforme a nostalgia e a saudade de tempos antigos em alimento para sua criança interior lhe ensinar a sonhar e acreditar mais uma vez! Que a euforia da amizade se espalhe por todo seu ser e que o nascimento de Jesus lhe traga a lição mais importante para a humanidade: “Amai-vos uns aos outros e a Deus acima de tudo!”
“Amai-vos uns aos outros como a vós mesmos!”

Feliz Natal e um Ano Novo cheio de paz dentro de você!

Verônica Dutenkefer

Texto revisado por Cris
Publicado dia 9/11/2007

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