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TRANSPESSOAL: UMA CIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA



Vivemos em um momento histórico paradoxal: por um lado presenciamos a ausência total de valores éticos e humanos, por outro assistimos a um renascer da espiritualidade em bases mais verdadeiras e menos ligadas a ortodoxias. Com um firme bater de asas, a Fênix humana se eleva novamente nas alturas para, quem sabe desta vez, se aproximar um pouco mais de sua essência.
A história da Transpessoal acompanha esse renascimento desde o início, quando apostou no princípio auto-sustentável do psiquismo. Enquanto a maioria das correntes psicológicas e psicanalíticas dissecavam a morbidez humana, Maslow teve a intuição que o verdadeiro motor que nos impulsiona não está ligado à satisfação de nossas necessidades básicas, mas sim, ao anseio pela transcendência. É isso que eleva o espírito humano às alturas e que, quando saciado, torna todas as patologias desnecessárias.
Apesar de ser estudada em diversas universidades européias e norte-americanas há mais de 20 anos, a psicologia Transpessoal continua sendo quase desconhecida no Brasil. Ainda ignorada pelos órgãos e conselhos de psicologia e relegada a misticismo pelo ensino universitário tem, contudo, despertado o interesse de estudiosos e pesquisadores de diversas áreas. Dezenas de teses estão demonstrando sua aplicabilidade na área da educação, da psicoterapia, da saúde, e nos Estados Unidos suas técnicas estão sendo usadas no tratamento de doenças terminais como o câncer, cardiopatias, doenças auto-imunes, etc.
A Universidade de Montreal, no Canadá, adotou a pedagogia transpessoal no ensino universitário de diversos cursos, inclusive de fotografia e cinema. Os alunos, encantados com os resultados, deixaram seu testemunho no jornal local. Um deles dizia que “nunca imaginou que num curso de tecnologia pudesse aprender tanto sobre si mesmo”...
Vários organismos internacionais como a UNESCO, o Banco Mundial e pessoas ligadas a uma reflexão mais séria sobre os problemas da humanidade (Roger Garaudy, Edgar Faure, Pierre Weil...) reconhecem que falta, em geral, uma educação que integre todas as dimensões do ser humano: o físico, o mental, o emocional e o espiritual. Isso resulta num desenvolvimento desequilibrado e desarmônico. Um simples olhar à nossa volta mostra que nossa civilização se compõe de materialistas que rejeitam o espírito, de espiritualistas que rejeitam a matéria, de atletas subdesenvolvidos mentalmente, de intelectuais pobres de espírito...
O foco da educação, da psicologia, da medicina e de todo o conhecimento em geral é a “pessoa”, uma unidade isolada do todo ao qual pertence. Dessa concepção resulta uma visão reducionista e analítica da realidade, que deu origem a uma ciência sem consciência. Por oposição, a Transpessoal designa um ir além do “pessoal”, definindo uma visão globalística, holística e universal do ser. Dessa concepção resulta uma visão sistêmica e sintética da realidade. No plano do conhecimento, as conseqüências dessa mudança de visão são enormes, mas nem todos as percebem.
E, no plano do senso comum, algumas alegações equivocadas sobre a Transpessoal raiam ao cômico. De um lado, terapeutas se auto-intitulam ‘transpessoais’ sem saber realmente do que se trata; do outro, pessoas buscam uma psicoterapia transpessoal julgando que podem resolver seus problemas num toque de mágica. Querem passar por uma regressão, por uma sessão de hipnotismo, receber a energia do Reiki ou tomar florais como quem toma Doril, ou seja, querem se curar sem ter de mudar de hábitos, mexer na sua ‘caixa preta’, modificar seu modo de pensar e ver o mundo.
O mais grave é que existem pessoas que prometem esse tipo de coisa num workshop de fim de semana. Novas formas de terapia com nomes esdrúxulos são relacionadas à Transpessoal com promessas vãs e pouco éticas. Isso alimenta aqueles que desejam manter a ilusão de que, sem esforço, podemos nos curar de nossas mazelas. E também contribui para uma imagem caricatural do terapeuta como um mago exorcista, dotado de poderes paranormais e capaz de ler o futuro ou o passado...
Por desconhecimento de ambos os lados, não percebem que não são as técnicas, nem as práticas alternativas ou o instrumental que fazem um bom profissional transpessoal, e sim, o trabalho duro sobre si mesmos, sobre o seu ego.
Transpessoal não é maquiagem. Também não é um conjunto de técnicas e exercícios que prometem um caminho mais rápido para a espiritualidade. Aquilo que as religiões em todos os tempos ensinaram como sendo um caminho árduo, feito de disciplina, de amorosidade, de domínio sobre a vontade e os sentidos, tudo isso vale para a Transpessoal. Com uma diferença: não é religião.
A Transpessoal é a ciência da alquimia interior. Não passa pelos altares nem pelos sacerdócios ou pelas igrejas. Pelo contrário: é no silêncio de uma consciência profundamente imersa em meditação que começa um processo alquímico.
Por fim, tomando emprestadas as palavras de Stanislav Grof, eu diria que “o que realmente define uma orientação transpessoal, seja na educação, seja em psicoterapia, é um modelo de psique que reconhece a importância das dimensões espirituais ou cósmicas, e o potencial de evolução da consciência”. Isto aponta diretamente para um processo de autotransformação inerente à consciência orientado e sustentado por princípios que a transcendem.
E é justamente porque nesses estados superiores da consciência se incluem os mais elevadas visões, metas e aspirações do ser humano que a Transpessoal se afirma como uma ciência ética e auto-sustentável, uma ciência da consciência.

Mani Alvarez é psicanalista e educadora
Diretora de planejamento do Instituto Humanitatis
www.humanitatis.com

Texto revisado por Cris
Publicado dia 25/7/2007

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