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Ufa... Algo Mudou!


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Minha experiência de Natal veio sendo, nos últimos anos, desafiadora. Não fazendo parte há muito tempo da festa consumista e ao mesmo tempo me sentindo ‘ave rara’ no ambiente genético, os natais eram momentos de, no mínimo, respirar fundo antes de encarar o contraste melódico. A experiência do natal em família evoca a sensação daqueles velhos clichês, aquela visão antiga sobre nós que, de alguma maneira, a família porta. Mudamos tanto, demos voltas e voltas no mundo (interno e externo), mas ainda estamos congelados nas retinas e nas sinapses daqueles que próximos, mas às vezes longe de nós, ainda sustentam visões e julgamentos a nosso respeito. Mas também fazemos isso com nossos familiares... “fulana é sempre assim”, “sicrano, você sabe como ele é”... enfim, tudo o que se diz, se ouve... ou se pensa.

Certa vez, perguntaram ao Lama Gangchen a importância do perdão e como se perdoa. Ele disse: “Perdoa-se porque é preciso caminhar e seguir o caminho”. É só por isso que perdoamos: porque precisamos seguir. Precisamos seguir. Continuar o caminho. Continuar. Algo tão simples e vital como fazer xixi... se você não esvaziar a bexiga, tem infecção, explode... é vital. Não é uma questão de escolha. Você não pensa “quero fazer xixi”, você sente necessidade e faz o que é preciso.

Enfim, mais um natal chegou. Até o dia 23 à noite ainda não sabia o que faria e aceitei o convite para o natal em família. Mas, para meu azar, ou sorte, senti-me mal na madrugada de 24 de dezembro. E, de alguma forma, esse mal estar colocou-me exatamente no lugar interno certo. Não queria mais nada, tinha desistido da celebração do natal, porque estava me sentindo tão mal que estava topando morrer! Sem melodrama, eu só pensei... "Acho que não vai dar pra ir, mas tudo bem. Vou ficar aqui e dormir..." E em algum lugar houve uma entrega – da expectativa de qualquer coisa, inclusive do natal. “Tudo, tudo bem” eu pensei, sinceramente. Então, no dia 24, melhor, mas ainda fraca, sentei-me ao sol e fiquei sentindo a luz e o calor em mim... fiz contato com os ressentimentos e feridas ainda abertas em relação a algumas pessoas próximas e da família. Senti o coração fechado e lembrei-me do exercício da constelação familiar sobre o perdão: visualize a pessoa com quem tem/teve dificuldade bem à sua frente, veja bem o rosto dela, veja bem os olhos dela e olhando neles diga: “sinto muito” e em seguida diga: “eu aceito tudo o que você tem”, “eu aceito você exatamente como é”. Já o tinha feito algumas vezes, e simplesmente fiz o que tinha que fazer. Não sei se foi pelo mal estar, pela baixa das defesas que ele propiciou, mas, desta vez, senti a luz do sol entrando até o fundo da minha alma. E senti algo mais ou menos assim: eu sou responsável pelo meu sentimento, o outro é responsável pelo dele. Não importa mais o que o outro pensa e sente a meu respeito... Desisto de tentar ter razão, ou de fazê-lo me ver, desisto de esperar que ele me entenda... desisto de controlar o que o outro sentirá a meu respeito, desisto de tudo... E deu um alívio enorme!

Sem defesas, sem esperar nada, fui ao natal me abrindo para o momento de estar lá e a experiência foi estar lá sem achar nada... percebi que havia muito mando em querer que os outros fossem como eu esperava... cada um é o que é... eu sou como sou. Só.

Quando fazemos o nosso pedaço sem achar nada, as coisas mudam. Percebi que algo mudou em mim: depois que nos sentimos sós no mundo, ou seja, quando perdemos a expectativa de esperar qualquer coisa de quem quer que seja - e essa é uma experiência dolorosa, mas libertadora - quando compreendemos que ninguém vai mesmo nos dar nada, ou melhor, ninguém tem que nos dar nada, então, neste estar só, nasce definitivamente um eu. E esse eu dialoga com o outro. Percebi-me mais mansa, mais branda neste natal. Abri-me. Dei um passo para sair do meu pódium de julgamento e não achei nada sobre ninguém. E é um alívio quando, nessa rendição, o coração se abre... ou entreabre, novamente.

Somos parte de uma família mais ampla: a família dos humanos.

O natal foi mais leve porque não esperei nada dele... Curiosamente, todos sentiram a mesma leveza. Todos estavam mais abertos ou tentando se abrir. Senti que ganhei novos amigos, sem esperar nada como família. Descobri novas pessoas que talvez eu estivesse enxergando pelo prisma genético no sentido pejorativo, mas que não são família, são pessoas. E SÃO BOAS PESSOAS e EU AMO ESSAS PESSOAS! E eu posso ser diferente... a sensação de ser ‘ave rara’ não me perturbou...

Família não existe no sentido demarcado do termo. Somos um ser e a nossa família são os humanos. Sem esperar nada é bem melhor.

Cheguei à conclusão de que eu e meus familiares genéticos nos perdemos todos no mundo, soltos na tempestade e nos reencontramos, cada um vindo da sua prova. Mas estávamos todos cansados e cada um tão consigo mesmo que nessa fragilidade não havia mais luta... havia delicadeza.

Ufa... Enfim, algo mudou!

Texto revisado por Cris

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Conteúdo desenvolvido por: Isabela Bisconcini   
Isabela Bisconcini é Psicóloga Clínica e Consteladora Sistêmica. Terapeuta EMDR. Terapeuta Floral, Reiki II, NgalSo Chagwang Reiki, AURA-SOMA. Deeksha Giver. Dedicou-se por 25 anos ao estudo da psicologia budista e prática do Budismo Tibetano. Participou do Centro de Dharma da Paz desde 1988, quando Lama Gangchen Rinpoche o fundou.
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