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Um Livro... Um Filme... A Vida...


por Maria Lúcia Pellizzaro Gregori

Um Livro... Um Filme... A Vida...

Por que quando assistimos um filme depois de termos lido um livro não o classificamos tão bom quanto nosso primeiro contato com o tema através da leitura?
Temos o poder de criar realidades todo o tempo.
As coisas são como são, mas individualmente, possuem olhares separados que diversificam as formas de enxergar, imaginar e sentir.

Enquanto lemos, vamos criando telas mentais, que se afinam com nossa história pessoal, quer seja de forma consciente ou de forma inconsciente, quer venha do inconsciente pessoal ou do inconsciente coletivo.

Quando lemos um livro, nós nos tornamos co-criadores da obra pois durante todo o tempo da leitura construímos nossos próprios horizontes, com as nuances de cores que simbolizam nosso nascer e por do sol, com nossos campos em dias de chuva, com nossos jardins repletos ou não de árvores e flores que têm o tamanho e as cores da nossa preferência.

Quando aparecem os personagens nós os escolhemos mais altos ou mais baixos, mais gordos ou mais magros, se aparecem roupas surradas nós as desgastamos na nossa mente de acordo com nossa experiência passada de roupas velhas ou desbotadas mas nunca sabemos como o autor desenharia todas as cenas.

As expressões de raiva, as expressões amorosas, expressões de medo ou de coragem, todas elas são fotografadas em nossa imaginação representando momentos semelhantes em que éramos os reais representantes dentro dos fatos da nossa vida.

O tempo todo, espontaneamente, tentamos direcionar as próximas páginas de um livro para o lado pessoal, torcendo para que uns consigam seu propósito, para que outros se afastem do perigo, assim como faríamos ou já fizemos em nossa vida real.

O desenrolar dos capítulos seguem paralelos à nossa tela imaginária e, sem perceber, estamos também escrevendo um livro. Chegamos ao seu final decepcionados ou encantados, emocionados ou indiferentes porque não éramos apenas leitores mas participantes ativos de uma obra.

Pois bem.
Se o livro ganhou destaque ele poderá se tornar também um filme.
E lá vamos nós assisti-lo.
Só que desta vez, nesse formato, não seremos “co”, seremos apenas expectadores e como a própria palavra diz, estaremos na expectativa, e neste contexto, na expectativa de ver nossa co-autoria na tela.
Aí começa a crítica que subestima o filme e desanima a platéia que conhece o livro.
Os atores geralmente já participaram de outras obras cinematográficas e nós guardamos as emoções desse passado artístico de cada um deles.

Quando estão representando os personagens do livro, nós não aceitamos completamente seus novos papeis pois estamos presos a emoções anteriores que eles representaram e que podem ser até opostas às que representam agora.
É como se fôssemos traídos de alguma forma.

“Nosso” livro, nesse momento, nos surpreende ainda mais pois, além das imagens que não tinham aparecido na nossa tela mental, “nosso” livro também tem som. Foram criadas várias vozes, músicas e ruídos que não estavam lá enquanto o líamos.

O que eu quero dizer com tudo isso?

Que, muitas vezes, fazemos assim na nossa vida, esperando que aconteçam fatos que tecemos de acordo com nossa necessidade, que as pessoas sejam como queremos que sejam, que os sentimentos sejam controlados pela mente e até chegamos a acreditar que o certo e o errado devem ser definidos pelas nossas crenças.

Na vida, vamos escrevendo nossa história passo a passo, e nela vão chegando também, de alguma forma, memórias mais remotas, que interferem positivamente ou não nas nossas decisões.

O importante é nosso compromisso de aprender, reaprender, deletar, reescrever, confiar, entregar, com o propósito de sermos melhores a cada respiração, conscientes de que folhas secas devem cair e ser levadas pelo vento e folhas novas devem permanecer, para que possam prestar seu serviço em favor de tudo e de todos.

O livro da vida, suas cenas, suas cores, seus desbotamentos, seus sons, suas aparentes repetições, suas expressões, seus autores e personagens devem se aproximar cada vez mais de uma única e poderosa VERDADE.

Então, vamos buscar, consistentemente, importantes respostas.
Quem somos?
O que estamos fazendo aqui, no Planeta Terra?
O que é “ser humano”?
O que faremos com tudo isso?
Pra onde levaremos todas essas experiências que acumulamos?

Precisamos nos fazer essas perguntas sempre e realizar o melhor que nossa consciência nos trouxer a cada momento, sabendo que ela não para de expandir assim como o Universo também não para de expandir e por isso não conseguimos ser a mesma pessoa mais de uma vez.

Assim é o livro...
Assim é o filme...
Assim é a vida...

Texto Revisado


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Autor: Maria Lúcia Pellizzaro Gregori   
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Publicado em 05/05/2019

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

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I-Ching: 19 – LIN – APROXIMAÇÃO
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