Você passa no teste do olho fechado?
Autor Sheila Tiemi Sakamoto
Assunto AutoconhecimentoAtualizado em 10/21/2026 3:49:27 PM

Todo mundo passa no teste do palco. A pergunta é: e o do teste do olho fechado - quando não tem plateia, não tem like, não tem testemunha? Cada um de nós sabe exatamente quem é... quando há plateia. Mas o que sobra de nós quando o camarim esvazia?
Fazemos julgamentos fáceis demais quando o palco é dos outros: "Que escândalo!", "Que absurdo!". E apontamos o dedo para o político desviando dinheiro, o artista envolvido numa polêmica, o parente que "não tem caráter", o vizinho "sem noção"... (E olha, aqui não estou defendendo ninguém, viu? Cada um responde pelo próprio ato). O problema é que o dedo apontado tem três voltados para nós mesmos. E é justamente quando ninguém está olhando que o nosso personagem sai de cena e o ser humano de verdade entra em palco.
Foi o que percebi esses dias, num episódio do cotidiano - desses que a vida adora nos presentear. Recebi uma encomenda e veio o livro errado, um bem mais caro que o pedido. Ninguém iria saber. Eu poderia ficar quieta, feliz da vida, com um livro de graça caindo no colo. Mas minha consciência pediu a palavra: entrei em contato com a loja e falei "olha, veio o errado, como fazemos para corrigir?". Pronto. Prefiro ser certinha com o Universo bem-alinhado do que a esperta com a balança torta.
E como essa balança insiste em aparecer: dias depois, em um posto de gasolina, passei o cartão e só percebi no aplicativo, depois, que o frentista tinha digitado um valor menor que o real. Ele já estava atendendo outro cliente. Eu já estava quase dando partida no carro. Ninguém veria. Mas os meus valores falaram mais alto: fui até ele, mostrei o valor da bomba e paguei a diferença. Ele ficou grato - porque, no fim do dia, aquela diferença sairia do bolso dele ou viraria quebra no caixa. Se eu "ganho" por um troco errado, alguém, em algum lugar, está "perdendo". E quem sou eu para decidir quem vai compensar essa balança?
Na visão sistêmica, todo "erro" precisa de compensação. Os campos conscientes - e principalmente os inconscientes - buscam incansavelmente o equilíbrio entre o dar e o receber. Quando tomamos algo sem que nos pertença, criamos um desequilíbrio no sistema. E sistemas querem fechar contas. Se a balança não é endireitada na hora, o sistema cobra depois - às vezes em dinheiro, às vezes em saúde, em um equipamento que quebra, em uma multa surpresa, em um relacionamento que desgasta sem a gente entender o por quê. Não é castigo divino nem azar: é o campo reordenando o que ficou torto.
A Neurociência confirma essa dança por outro ângulo. Nossos neurônios-espelho nos faz sentir o impacto do que causamos no outro - o desconforto que sentimos ao prejudicar alguém é biológico, não moralista. Eis o preço de agir contra os próprios valores: o cérebro entra em conflito, roendo por dentro, quando o discurso e a ação moram em casas diferentes. Agir alinhado, ao contrário, libera aquela sensação de bem-estar, de sono tranquilo. Ciência e sabedoria ancestral apontando para o mesmo lugar.
E o céu, como sempre, também trabalha. Na Astrologia, Saturno - o Senhor do Tempo, o cobrador cósmico dos boletos kármicos - está em exaltação em Libra. Isso mesmo: o planeta mais severo do zodíaco opera na sua máxima expressão justamente no signo da Balança, da justiça, das relações. Saturno em Libra é o mestre que ensina que limites, responsabilidade e consequências são o alicerce de qualquer equilíbrio genuíno. Ele não pune por maldade; ele quer a justiça. E devolve, com juros ou com bênçãos, exatamente o que colocamos no prato.
No Tarô, esse mesmo arquétipo vira imagem: o Arcano A Justiça, com sua balança na mão esquerda e a espada erguida na direita. A balança pesa o coração - assim como nas antigas tradições egípcias, onde o coração do morto era contrapeso à pena de Maat, a deusa da verdade. A espada, empunhada, é vertical como a palavra que dizemos sim ou não. A Justiça do Tarô não é cega: ela é clara. Ela pergunta, sem rodeios: e você, do lado de cá, o que tem colocado na balança?
Ninguém é perfeito - eu inclusive, e aos montes. Erro, corrijo, erro de novo. Mas a boa notícia é que consciência muda rota. Quando enxergamos nossos próprios desvios pequenos - o troco errado, a mercadoria que chegou além da conta, as centenas de micro-decisões diárias -, ganhamos o direito moral de olhar para os grandes escândalos não com dedo em riste, mas com um espelho na mão. Porque a mudança que o mundo precisa não começa no palácio, nem no plenário, nem no estúdio de TV. Começa aqui, no caixa do mercado, na encomenda que chegou errada, na maquininha do posto (e isso vale para todos eles também, que aparecem nas telinhas).
Então, da próxima vez que a tentação bater à porta - aquela vozinha sussurrando "mas ninguém vai saber" -, respire fundo e lembre-se: alguém sempre sabe. Você sabe. E o seu campo sistêmico, seus neurônios-espelho, Saturno e A Justiça sabem também. Todos torcendo para você escolher o alinhamento.
Quem somos quando ninguém está vendo? Somos, na verdade, a única versão real de quem somos. E é com ela - não com a de vitrine - que o Universo faz as contas.
Que as nossas balanças estejam sempre em equilíbrio. E, quando pender, que tenhamos a coragem de endireitá-la. De resto, o céu cobra menos.
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Autor Sheila Tiemi Sakamoto Minha escrita une saberes sistêmicos, astrológicos, numerológicos, tarológicos, da Neurociência, do Feng Shui e da Medicina Germânica. É a sinergia da união dos saberes a seu serviço. Terapeuta Sistêmica & Integrativa - atendimentos com acolhimento, responsabilidade e respeito pela sua história. https://www.instagram.com/sheila_tiemi_sakamoto/ E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Autoconhecimento clicando aqui. |









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