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Você sabia que Dante Alighieri foi um Templário? Parte IV



Torna-se desnecessário esclarecer que esse Cardeal era membro da Ordem. O quarteto anterior se refere bem claramente à absoluta necessidade de guardar os tesouros espirituais para aqueles que sejam realmente dignos deles. Uma nova e sábia indicação de que jamais se deve iniciar profanos que não possuam altas condições e virtudes (tornando alheio ao “vulgo ingrato” de que falava Dante, ou seja, a turba desagradável) a dá ele próprio, Barberino, com aquela de “temer os ignorantes” e acrescenta depois, o mesmo autor: “Digo e declaro que todas as obras feitas por muitos referentes ao Amor as entendo em um sentido espiritual; porém, nem todas podem ser compreendidas por todos”. E em outra obra emanada da Ordem, o “Julgamento do Amor”, se faz referência aos “Mistérios de Amor” que não se podem comunicar aos vís, aos indiscretos e às pessoas vulgares.

O notável é que toda a dissimulação empregada em suas obras com relação a temas iniciáticos, Dante a perdia subitamente ao passar a ocupar-se, inclusive nas mesmas obras suas, de temas mais profanos. Assim, por exemplo, quando no Canto XXXI do Purgatório faz referência à nefasta aliança entre a Igreja e o Rei da França, Philippe o Belo, para destruir a Ordem do Templo, afirma sem vacilar (na tradução do Prof. Battistessa esses versos ficam assim):
Firme como um castelo no alto da montanha
Vi ali, sentada, uma rameira
Meio desnuda, pronta a dar guinadas.
E como porque não a tiraram dali
Um gigante vi de pé à sua frente,
E assim de vez em quando se beijavam.


Cabe esclarecer que o poeta, como gigante, alude a Philippe o Belo, o rei da França (era muito alto como todos os homens de sua família). A rameira ou prostituta simboliza a Igreja Católica. Aqui Dante se inspira claramente no Apocalipse XVII, quando esse texto se refere à prostituta da cidade das sete colinas que fornicou com todos os poderosos da Terra, e os habitantes da Terra se embriagaram com o vinho de sua prostituição.

E nós agregamos: a confissão de parte, substituição de provas. Mas, sem dúvida era grande a justa indignação de Dante ao assistir a um fato tão iníquo como a destruição do Templo. Ele correu a Paris, no começo de 1310, tão logo começou a paródia do julgamento dos Cavaleiros Templários e permaneceu ali até 1312, sem que nenhuma razão profana o obrigasse nem a tal viagem nem a tal prolongada estada. Cabe supor, com bons fundamentos, que se acudiu à Paris foi simplesmente para fazer o quanto estivesse a seu alcance para salvar os Cavaleiros, seus Irmãos, do tormento e da fogueira.

Tempos muito duros foram esses para o Templo e suas Ordens filiais, tempos em que se deviam redobrar as precauções para não cair como vítima da voragem do fanatismo ignorante. Por isso tantas precauções, tanto segredo, tanta chave esotérica. E assim, a nível de síntese final, damos, para facilitar a leitura da obra do florentino a partir do ponto de vista esotérico, um breve glossário:

Amor: nostalgia e desejo da união com Deus.
Piedade: Igreja espiritual, ou seja, os Mistérios Iniciáticos.
Violência e Força: O Papa e o clero romano.
Morte e crueldade: Inquisição Romana.
Beatriz: Igreja do Espírito, Sophia; Divina Sabedoria.
Beatriz é a antítese da Prostituta: Igreja da carne, Igreja Católica.

VELTRO (o ‘lebrel’): é o eVangELho eTeRnO (observar as maiúsculas) tal como supeitou Giovanni Papini mas com referência à Sophia e à Igreja Joanita (baseada no evangelho de São João) e não nas doutrinas de Gioacchino da Fiori e Gerardo de San Donnino, como conjecturava Papini.

A tirania do espaço nos impede aqui de entrar em outros aspectos fundamentais do esoterismo dantesco tais como a influência que tiveram, no grande florentino, os mestres espirituais islâmicos e os esquemas astrosóficos que se observam na “Divina Comédia”. Desenvolveremos esses temas em outros trabalhos, continuando os esforços colossais de Miguel Asín Palácios e de Georg Rabuse, cujas obras muito contribuiram para esclarecer essa questão. Desde já isso reabre a velha questão acerca da muito provável iniciação recebida pelos Cavaleiros Templários por parte de esoteristas islâmicos.

Essa exposição não estará completa se não mencionarmos brevemente dois grupos de fatos fundamentais que não podem se dever ao acaso de modo algum. Em primeiro lugar, a viagem poética de Dante pelo Inferno, Purgatório e Paraíso está calcada ainda em detalhes menores sobre a viagem noturna de Maomé descrita no Corão e em outros modelos da literatura espiritual islâmica. Disso se ocupa extensamente Miguel Asín Palacios em sua famosa obra “A escatologia muçulmana na Divina Comédia”, reeditada por Hiperión, Madrid, 1984. Mais sugestivas ainda são as repetidas citações por parte de Dante, do maior dos mestres espirituais do Islam, o murciano Mohyiddin Ibn ‘Arabi sem citar jamais a fonte. Como assinala Geúnon, Dante conheceu a obra de Ibn ‘Arabi de fontes profanas porque o ocultava, principalmente quando não tem inconveniente em citar outros filósofos islâmicos como Avicena e Averroes.

Remeto para maiores detalhes à obra clássica de René Guénon, “L’ésoterisme de Dante”, Gallimard, Paris, 1957.

O outro grupo de fatos que se conecta estreitamente com o dito são os vínculos indubitáveis que existiram entre o Templo e a seita islâmica dos Haschischin (mal traduzido por assassinos ou por “gente do Haschischin”). De fato Haschischin só pode se traduzir como “Guardiões da Terra Santa”, quer dizer a mesma designação que os Templários davam à sua própria Ordem. Isso foi assinalado por Guénon e por J.H. Pronst-Biraben, em “Os Misérios dos Templários”. As semelhanças de ambas as Ordens iam muito mais longe pois suas estruturas hierárquicas, passando inclusive pela adoção das mesmas cores (branca e vermelha) de uma e outra. De fato, é sabido que os Templários e os Haschischin tiveram contato na Síria antes de 1128, ano da redação da Regra do Templo.

Os fatos anteriores levam a suspeitar que nos achamos frente a uma corrente iniciática subterrânea com indubitável origem no Islam. Desta, o que se fez público só o foi em forma velada através dos escritos dos Fedeli d’Amore. Na realidade existem outros fatos contundentes do mais alto interesse, mas é suficiente o que aqui foi exposto. Concluamos pois esta exposição e justifiquemos esse nosso silêncio com as palavras de outro membro da Fede Santa, Andreas Cappelanus, em sua obra “Liber de arte amandi”:
QUEM NÃO SABE CALAR
NÃO SABE AMAR.

Texto revisado por Cris
Publicado dia 3/4/2007

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