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ZOZ - Viver no passado é perder o presente

Atualizado dia 5/3/2024 12:23:25 AM em Autoconhecimento
por Margareth Maria Demarchi


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A mente humana produz conhecimentos variados. Quase todo o tempo esses conhecimentos resultam das avaliações daquilo que vemos e de situações que vivemos; diante disso, quando somos confrontadas, usamos o arquivo de memórias como defesa para dar mais força a esta avaliação, é o que fazemos quando queremos legitimar nossos argumentos para justificar atitudes e ações.

Assim, quando olhamos para uma situação do presente que nos desagrada e acionamos esse mecanismo, passamos a nos defender como se já soubéssemos o que irá acontecer, comparando o que acontece agora com o conhecimento do que já aconteceu em alguma outra experiência, como se a situação anterior pudesse ser revivida.

Isso acontece quando temos medo do novo (desconhecido) e procuramos uma forma de transformá-lo automaticamente naquilo que já foi passado (conhecido). Desta forma, cremos que sabemos como controlar o resultado dos eventos para desempenhar uma vida de “controle” e, como consequência, transferir este comportamento para os nossos relacionamentos. 


Calma e cautela, pois é difícil reconhecer isso. Tente perceber o quanto você avalia as pessoas, mesmo sem ter o conhecimento real e profundo de cada uma delas, dos ambientes em cada uma vive, e das suas experiências e reações dessas pessoas quando não estão em sua presença. Note quantas conclusões possivelmente erradas você retira da sua mente (que é colecionadora de informações e julgamentos), ao invés de usá-las para o aprendizado e interpretação mais adequada dos eventos e comportamentos.

Podemos agora, parar e raciocinar o quanto de tempo e energia é empregada na atividade mental de controlar a vida dos outros, como se isso fosse fundamental para se viver. Mas, por que tantas pessoas fazem isso? Qual é a necessidade por trás disso?

O que acontece é que se deixa de pensar nas próprias mudanças de atitude para se ocupar com mudança de atitude de outras pessoas. Com isso toma-se o caminho fácil da justificativa da falta de tempo para com o que diz respeito a si mesmo associada à uma dificuldade ou impossibilidade qualquer para mudar o próprio comportamento e atitudes em relação ao que incomoda, daí vem uma lista de “muletas” escondidas em frases como – “A gente vai levando”; “Isso é assim mesmo”; “Um dia eu consigo”; “Já estou acostumada”; “Mas eu estou certa”; “É muito difícil me enganar”; ”Isso não nunca vai mudar”; “Foi sempre assim ..., e assim segue.

O interessante é que normalmente se acredita que há mesmo uma facilidade em abrir os olhos e orientar aqueles que se nos apresentam em dificuldades e encontrar-lhes caminhos alternativos. Isso acontece porque a emoção não está envolvida (diferente de quando se trata de nós mesmas, pois aí a emoção toma conta da razão). Sem o envolvimento da emoção, as coisas parecem se tornar mais claras e assim fica mais fácil resolver e encaminhar a solução para aquilo que incomoda, como os conflitos por exemplo, neste cenário, aparentemente quem orienta, consegue mais força em relação a quem está sendo orientado.

O controle é um mecanismo de defesa da força interna que se mantém contrário à força externa. O controle pretende replicar o que acontece na lei da física – “se a força tiver o mesmo sentido do deslocamento o trabalho será positivo e sem resistência”. Isto ajuda a entender que quando a força interna (a nossa percepção das coisas, ou a percepção que temos segundo a nossa vivência), tem o mesmo sentido da força externa (que inicialmente contraria a nossa percepção e depois compreende e aceita o nosso direcionamento) a ação será positiva, mas se a força interna está oposta à força externa ou vice-versa, isso cria uma ação de resistência.

Isso significa que há uma disputa interna entre forças antagônicas. Internamente acontece um julgamento sem compreensão correta das coisas que envolvem a situação e sua rejeição a ela. A necessidade de controle acontece porque existe a possibilidade do descontrole. Neste caso, há o medo ou receio de que a força de controle (que exige um controle sobre si mesmo, ou que quer agir sobre um outro comportamento) seja mais fraca do que a força de descontrole (uma emoção ou energia que está sendo constantemente contida, uma força oposta, que quer evitar ser avaliada, criticada ou orientada).

Existem mulheres que iniciam o relacionamento no controle, e o parceiro quando o sente, reage com controle também. Quando se usa o controle a intenção é a defesa.

Mas do que? Medo do abandono? De ser ridicularizada? Desprezada?

Pense! Como é possível iniciar um relacionamento com esses conceitos?

A seguinte situação permite uma visão desse tema:

- Hanna enquanto menina sempre presenciou a mãe fazendo tudo e lamentando a falta de colaboração dos demais. Ainda que não aceitasse essa forma de comportamento, certamente não se deu conta do padrão que isso estava estabelecendo em sua mente. Casou-se, e se via fazendo coisas semelhantes, trabalhando para uma empresa e cumprindo a dupla jornada em casa. Hanna preocupava-se com todas as coisas sem que o marido, Allan, sequer percebesse toda essa agitação, o que contudo, não o impedia de reclamar que ela vinha muito estressada do trabalho.

Para Hanna, chegar em casa e ouvir críticas tornou-se motivo de muitas discussões. Sem surpresas, Allan começa a preferir sair e se divertir um pouco com os amigos.

Hanna passa a reproduzir o passado vivido por sua mãe, e agora se vê no lugar dela, porque não aprendeu a ver esta situação de forma diferente. O marido poderia ter sido envolvido, mas desde o início do casamento, Hanna assumiu tudo como única responsável pelos encargos do casamento e repetiu as mesmas ações da mãe, as mesmas que não aceitava durante a sua adolescência e até antes do seu casamento.

O que aconteceria se Hanna quando menina tivesse a experiência de todos em sua casa colaborando com a mãe? Bem, ela saberia que é possível a colaboração de todos.

Sabendo que é possível a colaboração, como ela reagiria com o marido na situação que se passava? Isso pede uma reflexão consciente.

Hanna cresceu vendo a mãe lamentar e agora ela também lamenta, e isso vai sendo repassado de mãe para filha. Assim, esse comportamento heroico de quem luta sozinha e tem dificuldade de envolver outras pessoas vai se perpetuando.

Hanna, tal como a sua mãe, pode estar usando todas as atividades as quais assume responsabilidade (sua força de controle), para não tomar contato com a sua carência afetiva e a falta de amor (sua força de descontrole) porque o seu valor está sustentado nas atividades e no entorno das atividades, fora disso não consegue dar amor e, portanto, não o recebe.

Quando se quer aplicar a força do controle é porque o descontrole já está sendo sentido. Às vezes esse controle se aplica às outras pessoas ou situações porque há dificuldade de olhar para o próprio descontrole. Existem pessoas que conseguem reconhecer o seu descontrole e tentam controlá-lo, em certas situações o exagero na tentativa de controle faz com que sejam pressionadas pela a força oposta, ou o descontrole desmedido (que pode até chegar a uma fobia).

Para neutralizar essa força oposta, como foi visto no capitulo 3 - Compreendendo o Arquivo Ativo do passado, será preciso rever o curso da vida e compreender o que na vida está em sentido oposto ou criando obstáculos ao bem-estar interno.

É muito importante ter clareza de que sempre que o controle é inserido no relacionamento, este controle está baseado no medo e não favorece para que se chegue ao verdadeiro vínculo afetivo.

Reconhecer esse fato exige que se percorram algumas etapas importantes:

Que se compreenda que o medo está associado às experiências negativas do passado. Quase sempre são experiências cujos resultados advêm da percepção que se tem de situações vividas no relacionamento familiar, com os pais, ou irmãos, ou outros parentes, é quando se quer controlar para evitar prejuízos emocionais e isto gera um estado de alerta, e o seu alarme é o comportamento de defesa, numa reação contra a presença imaginária da situação armazenada e que agora aflora no sentimento.

Para visualizar uma das formas comuns de manifestação desse controle, pode-se observar como muitas mulheres que se sentem sozinhas e sem força por um lado, por outro lado também são controladoras (numa evidente forma de defesa).

Normalmente, quando essas mulheres não conseguem aceitar os pais devido ao tratamento que receberam deles, ficam emocionalmente em posição superior a eles, isso causa desequilíbrio na suas vidas.

Os pais têm que ser reconhecidos como provedores, eles nos deram a vida e ofereceram o seu melhor, independentemente do que eles ofereceram, não são dependentes nem inferiores (sem nenhuma conotação econômico-social). Reconhecer isso é fundamental, porque só assim é possível a aceitação de si mesma e dar o melhor si e com isso criar tranquilidade e a propriedade de simplesmente ser o que se é, sem os artifícios.

E agora? O que fazer diante disso?

Ouça com atenção e perceba mais os "seus atos”[1] e o quanto se necessita de prática na arte de ouvir sem interpretar. Quanto maior a nossa crítica em relação às outras pessoas, maior a crítica com nós mesmas. Ao se defrontar com situações semelhantes a este tema, é preciso aprender a agir e ser mais tolerante consigo mesma, porque somente assim será possível ser tolerante com as demais pessoas à sua volta. Qualquer comportamento ou atitude rejeitada em alguém, sempre está inerente à quem o rejeita. Procure verificar se está vivendo no presente ou se está vivendo no passado/futuro.

Algumas vezes, se quer estar no futuro com projetos fabulosos que não passam para ação. Apenas deslumbra-se e se espera que, "um dia" se possa estar da forma imaginada.

Reflita sobre os seus diálogos internos.

Por medo, segue-se desprezando a beleza real da vida com comparações sem utilidade e criação de regras que impedem de exercer as melhores aspirações e relacionamentos, e com frequência se vive fora do presente e se perde algo muito importante: a liberdade de ser e estar no agora.


[1]
 Livro vermelho de C.G.Jung, cap. 334, nesse capitulo ele descreve a autocritica apresentada nessa seção de abertura como confronto com a sombra; Livro Pontos Fracos - Dr. Wayne W. Dyer
* Direitos autorais Margareth Maria Demarchi
*Todos comentários serão bem-vindos. Obrigada* 

Texto Revisado

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