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Voltando ao feminino


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Uma vez dei uma pequena festa de aniversário em casa. Vieram poucos amigos, e decidi alugar o salão do prédio para acomodar melhor as pessoas. Como adoro cantar, levei o aparelho de karaokê comigo.
Estava distraída tentando alimentar todo mundo e vi que o aparelho de cantoria ainda não tinha sido ligado. Fui para perto da TV para ver como eu poderia fazer aquilo e um dos meus amigos chegou para me ajudar. Ele me viu atarantada, cheia de fios pendurando e pensando em como fazer aquilo. Ele falou para entregar a ele, que ele faria. Automaticamente levantei uma barreira e falei que dava conta, ele não precisava se incomodar. Ele se incomodou, mas foi com a minha resposta e falou algo como eu não querer a ajuda de um homem nem para aquilo. Deixei pra lá, liguei o aparelho e sai feliz da vida. Vitoriosa. Pensei.
 
Se eu soubesse o quanto aquilo me faria pensar e me arrepender. Naquele momento, eu era uma mulher forte e independente, na minha concepção. Fazendo as coisas que geralmente cabem as homens e nem precisando de ajuda. Sofri aquele dia, tentando dar conta de tudo naquela festa. Terminei a noite exausta e pensando se valeria a pena repetir aquilo no próximo ano, principalmente quando me vi sozinha, limpando e levando tudo de volta para o apartamento, as 3 da manhã e com os pés doendo do salto alto.
Nos ensinaram que deveríamos ser fortes e corajosas. E até hoje reverbera nas redes sociais a imagem de uma mulher masculina, mostrando o muque e escrito que podemos.
E sim, podemos. Mas queremos? Precisamos? Somos obrigadas a assumir todos os papéis e sorrir com isso?
 
A força do feminino nunca foi e nunca será bruta. Naquele momento - e nos anos seguintes - vivi sozinha e acumulando funções difíceis quando são feitas por uma só pessoa. Cozinhar saudável, lavar e passar, administrar as finanças, trabalhar, dar conta dos filhos e manter a bunda dura com exercício que levam "apenas" 10 minutos do seu dia. 10 minutos disso, mais só 10 minutos para ler algumas páginas de um livro, algumas horas lavando louça e mais tanto cuidando de crianças que exigem 24 horas de atenção.
O resultado foram solteiras que não acham um par - somente homens fracos. Casadas que precisam ser mães de seus maridos e ainda pagar as contas. Mulheres pesadas, doentes e exaustas. Casos e mais casos da síndrome de Burnout e uma culpa que não acaba nunca.
 
Entendemos o nosso poder como o mesmo dos homens. Vestimos calças e vestimos a energia masculina com nossas. Competimos com os homens - de dentro de casa ou fora. Nos tornamos arrogantes e exaustas e pior, não estamos felizes. Nem livres como achávamos.
Isso porque sacrificamos a nossa natureza no processo. A natureza de nutrir, a natureza de cuidar, a natureza de amar. Mutilamos nossos corpo com botox exagerados - não que eu seja contra, mas que diabos é essa coisa de harmonização facial - mas não nos nutrimos. E acumulamos divórcios e relacionamentos tóxicos porque insistimos em colocar um quadrado no espaço de uma bola.
 
Quando decidi que queria meu feminino de volta foi um sofrimento. Admitir a sociedade machista - que menospreza as coisas das mulherzinhas - e ser resistente a isso é difícil. Por muitos anos fui rejeitada e zuada por ser feminina demais. Por usar babados e frufrus. Até que decidi que precisava ser prática e parar de menstruar. ledo engano, não quero mais isso.
Ser mulher é ser leve - e estou aprendendo a ter uma rotina puxada, mas mesmo assim não me sentir sobrecarregada. Aprendendo a delegar e a exigir atitudes de homem dos homens. É dificil, mas hoje olho nos olhos de algum que não segurou uma porta para mim com cara feia. É esse o ensinamento que devemos passar aos homens e aos meninos. Mulheres são feitas para ser protegidas e cuidadas e agora estou começando a permitir isso.
E isso muda tudo, todas as nossas relações, todo o nosso dia a dia. Ir para a aula de dança sem culpa - ou achando que eu deveria atender mais um cliente naquele horário e não estar com essa "frescura", já muda o meu humor. Aceitar gentilezas e presentes só porque sou mulher. Voltar a cozinhar com o prazer de nutrir a mim e a minha família. Esse polo é delicioso e leve. Respeito e humilde. Estou, com certeza, bem mais feliz com isso.
Texto Revisado

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Conteúdo desenvolvido por: Andrea Pavlo   
Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa.
E-mail: contato@andreapavlo.com | Mais artigos.

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