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As necessidades do corpo e a passagem do tempo - sobre Chronos e Ananké



Foi em um desses momentos em que o corpo nos limita, que me lembrei de uma palestra sobre mitologia grega, num curso de arteterapia. A palestrante dizia: "só havia dois deuses gregos com os quais não era possível negociar: Chronos, que regia a passagem do tempo, e Ananké, deusa das necessidades orgânicas". 

Em uma cultura onde se podia barganhar com os tantos deuses que havia, com o amor, a raiva, o medo..., só duas verdades não eram negociáveis: o tempo vai passar e o corpo dará um jeito de ter aquilo de que precisa. 

Em nossa sociedade, fabricamos múmias vivas, "photoshopamos" todas as rugas, excluímos o velho da família e da casa. Tentamos domar as necessidades de sono, excreção, fome e restabelecimento com medicações e energéticos. Tentamos ganhar tempo driblando o corpo e ganhar corpo perdendo tempo. Corremos demais, descansamos mal e de menos, respiramos mal, nos alimentamos mal, bebemos pouca água.

E a doença, tão execrada pela nossa cultura -a velhice- se instala. Corpo e tempo erguem suas bandeiras - não como algozes, inimigos ou sabotadores - mas como amigos amorosos que vêm nos lembrar do que é inexorável: somos humanos, temos um corpo e precisamos respeitar tanto a ele quanto aos ciclos naturais da vida. Mais ainda, a doença, os acidentes, as dores, quando acolhidos, abraçados e escutados, trazem lições valiosas. Servem de alerta para aquilo a que não estamos atentos, mas que seria bom olhar e trabalhar, para sermos mais íntegros e livres. Guiam-nos de forma a reencontrarmos a nós mesmos, tantas vezes perdidos na loucura das correrias, dos compromissos, do dinheiro.

Que possamos respirar mais, pausar mais, nos alimentar melhor, aceitar o corpo que temos e as mudanças pelas quais ele passa e vai passar. Isso reduzirá as doenças e nos ajudará a fazer as pazes com o tempo. E que possamos, também, até lá, escutar amorosamente os berros do corpo, acolher a dor e as limitações como alertas insistentes, muitas vezes sofridos e frustrantes, mas, acima de tudo, amorosos e sábios. Saibamos honrar o tempo e o corpo, aproveitando-os da melhor forma, honrando o próprio envelhecer com amor e alegria. Porque, como diziam os gregos, com Chronos e Ananké não se pode negociar.

As Terapias Integradas podem te ajudar a entender e lidar melhor com o que está acontecendo. Quando conseguimos escutar a mensagem que nosso corpo nos passa, quando identificamos quais são as questões para as quais a dor está nos chamando a atenção, podemos cuidar delas. Com isso, o corpo pode voltar ao equilíbrio mais facilmente e se torna possível levar uma vida mais integrada, leve, plena e feliz.

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Publicado dia 19/2/2018
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Autor: Flávia Esper de Andrade   
Flávia Esper é professora, terapeuta integrativa, taróloga, astróloga, professora de Fogo Sagrado, escritora e contadora de histórias. Criou um método próprio de Tarô Terapêutico, unindo a formação que fez em diferentes áreas da terapia holística e da psicologia. Facilita, também, Grupos de apoio terapêutico para professores.
E-mail: flaviaesper@gmail.com | Mais artigos.

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