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A Dança da Vida - Parte 4: o corpo fala


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O corpo retrata a história do indivíduo. Vamos observar como isso acontece. Observemos as crianças: na sua relação com o mundo, antes que ela venha dominar todos os seus veículos de expressão e manipulação da realidade, a criança se coloca experiencialmente inteira no seu aprendizado. O corpo atua espontaneamente sem a mediação de sua capacidade mental. Ambos, corpo e mente, crescem juntos. É numa atividade lúdica que a criança absorve e apreende a realidade.

A experimentação e o uso dos sentidos são de fundamental importância para o desenvolvimento motor e psicológico, como prova, por exemplo, o papel que os ouvidos e sua função auditiva exercem no desenvolvimento do equilíbrio físico. A criança experiência de tudo: ela vive cada personagem que cria na imaginação; ela dramatiza a sua experiência, ela se coloca de corpo e alma na brincadeira, vive intensamente as suas emoções. Nela, tudo flui espontaneamente. É nesse aprendizado que a criança cria as bases para o seu desenvolvimento pessoal e sua relação com o mundo. Porém, essa fase não dura muito tempo. Cedo a criança começa a ser tolhida em suas potencialidades. Em casa, na escola, na sociedade. Considere o peso, a enorme influência dos valores culturais e das instituições sociais sobre a formação do indivíduo: do patriarcalismo (muito mais que “machismo”, toda uma cultura assentada no poder do homem); do ensino cada vez mais medíocre (resultado do reducionismo, da especialização, da insensibilidade); de uma noção religiosa repressora e cheia de preconceitos; fora todos os outros condicionamentos de uma sociedade tão desequilibrada quanto a nossa.

A socialização da criança é um processo de adaptação a esse determinado molde cultural, um padrão de conduta. Logo a sua espontaneidade é tolhida. A espontaneidade é o livre fluir, em todos os aspectos. Da respiração aos gestos corporais. Da expressão das emoções e sentimentos íntimos à forma como se utiliza o corpo e suas possibilidades expressivas. A respiração é o primeiro elo da cadeia, o primeiro a sofrer tolhimentos quando o conflito aparece.

A respiração tem uma ligação direta, fundamental, com os estados emocionais. Observe as alterações que se processam na respiração quando nos presenciamos em situações críticas, como o medo, a raiva, a ansiedade, ou mesmo em situações agradáveis como a alegria, euforia etc.. Daí podemos deduzir o que acontece com uma criança, ou um adulto que vive cronicamente sob pressão de determinados condicionamentos e exigências sociais. Um determinado padrão repressor, uma determinada pressão de conduta, interfere no modo como o indivíduo respira, expressa-se e cria as bases para todos os processos neuróticos e insanos. A desassociação do indivíduo consigo mesmo, a adaptação ao que é convencionalmente aceitável, o tolhimento da espontaneidade, gera um ambiente de falsidade. Somos falsos com nós mesmos e, em decorrência, com o outro. Para se conviver com o falso, nós adotamos as máscaras convenientes à essa adaptação social. A máscara não é apenas facial. O corpo inteiro veste as máscaras à medida que o autêntico não pode se manifestar. Podemos entendê-las como sendo as “couraças do caráter”, tão bem formuladas por W. Reich. As abordagens mais completas, hoje, no processo terapêutico são aquelas que valorizam o corpo como meio de expressão. O corpo fala, sem racionalizar. O corpo fala das intenções ocultas. Fala do inconsciente.

A humanidade, ou melhor, a nossa civilização ocidental, ingressou numa era de tecnicismo extremado, o que de fato propiciou grandes avanços na sua forma de manipular e controlar a natureza. Neste processo, o homem deixou-se deslumbrar demais por este seu dom racional, lógico e analítico. Neste fascínio, tornou-se cego em relação a outras possibilidades de experienciar o mundo como, por exemplo, nos demonstra a história da cultura oriental.
O homem tornou-se cego em relação a seu próprio corpo, à sua própria natureza. O corpo é visto como um objeto fora de si próprio, tratado à distância. Nós nos absorvemos demais com os afazeres mundanos, isto é, com os objetivos exclusivamente materialistas. Nossos interesses se amesquinharam. Tornaram-se possessivos. O corpo passou a ser visto como um adorno, no sentido de que o que importa é a aparência, o supérfluo, o que está por cima, por fora, o exterior.

Nesta dicotomia corpo-mente, o homem se desconectou do conhecimento que tem em si. Desconectou-se da inteligência, da consciência que reside nele próprio. Refiro-me à inteligência que faz o coração bater, o sangue circular, o ar penetrar em todas as células, o alimento se transformar. Tudo isso ocorre independentemente da sua vontade consciente. Isto prova que uma inteligência maior, superior ao seu nível normal de consciência e de percepção da realidade reside em si mesmo.
É preciso fazer o caminho de volta. Neste retorno, o homem deve reaproximar-se de si mesmo, começando pelo que lhe é mais próximo, palpável e, mais importante, modificável: o seu corpo. Não há outra forma de recuperar o que foi perdido.

Leia também: A Dança da Vida - Parte 1

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Conteúdo desenvolvido por: Sônia Imenes   
*Massagem Thai: cursos e atendimentos; oficinas e workshops de sensibilização, consciência corporal e processos criativos.
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