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A Dieta da Auto-Aceitação

por Andrea Pavlo

Publicado dia 7/2/2008 em Corpo e Mente

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“Você não pode melhorar a si mesmo. Não estou dizendo que não é possível melhorar, apenas que você não pode melhorar a si mesmo. Quando você pára de se melhorar, a vida melhora você. Nesse relaxamento, nessa aceitação, a vida começa a fluir por você.”
Osho

A conversa no café que fica embaixo do meu consultório, hoje, foi bem interessante. Cheguei trêmula, com mais uma de minhas crises de hipoglicemia, causadas por horas sem comer (só trabalhando), e encontrei a atendente do café e dona do negócio no mesmo estado. “Menina, eu não como um carboidrato há dois meses”. A moça tremia mais do que vara verde e, naquele dia, tinha consumido um iogurte, meio mamão papaia e uma barra de cereais. Sem entrar no mérito de se barras de cereais são carboidratos ou não, ela completou dizendo “E não emagreci nenhum grama”.

Fiquei assustada com a afirmação. Eu, do alto das minhas 12 mil tentativas de dieta para emagrecer, mais uma vez estava tentando começar uma. Justamente uma que priva os carboidratos (no meu caso, consumindo somente carboidratos como frutas e cereais integrais) e ela me diz que não emagreceu nada? Que diabos!

Olhei mais atentamente para ela. Uma moça bonita, de uns 30 e muitos anos, loira, alta e com lindíssimos olhos verdes. Não vi aquela quantidade enorme de gordura que ela estava vislumbrando. Digamos que ela é gostosa, como diriam alguns dos peões abençoados que trabalham na reforma do prédio ao lado. Perguntei a ela o que realmente ela queria emagrecer.

Ela começou a me mostrar todas - eu disse todas! - as partes “gordas” do seu corpo. A bunda rechonchuda, as coxas salientes e aquela barriga “enorme que teima em pular para fora do jeans”. Tudo isso, claro, na cabeça dela. Sinceramente nem entrei no mérito da questão, já que sou uma gordinha mesmo, de carteirinha, e nem poderia chegar perto da calça jeans que ela vestia. Mas, claro, isso me fez pensar.

Quantas e quantas vezes você já viu, ouviu ou mesmo participou de uma história como essas? Quantas vezes você viu mulheres realmente bonitas, acabarem consigo mesmas na frente de espelhos de corpo inteiro de provadores de roupas de lojas femininas? E quando são aqueles provadores coletivos, então? Que tortura! É um tal de dar aquela disfarçada, fazer de conta que vai olhar mais perto no espelho, só pra saber se suas companheiras de compras tem centímetros a mais ou a menos. E ainda fica passando aquela história pela cabeça “Ah, aquela mulher eu nem me comparo, tem um corpo perfeito e sarado!”. “Ah, mas daquela ali, eu sou bem mais magra...” proferindo a frase com uma bela respiração aliviada. As mulheres comparam seus corpos assim como os homens comparam seus “equipamentos” na oitava série. Só que a nossa comparação dura pela vida toda e, o que é pior, muda com a nossa idade e quantidade de filhos que temos. “Nossa, ela tem um corpão e tem dois filhos!”.

Se formos pensar sério, bem sério, isso é uma coisa completamente absurda. E não tem a ver somente com esses clichês de que a mídia faz isso ou aquilo, não. Será? Será que não são exatamente mulheres que colocam essas ditas beldades nas frentes das câmeras? Será que são essas mesmas mulheres, até mesmo insatisfeitas com seus corpos, que colocam essas mulheres nas capas das revistas? E não somos nós, eu, você e a sua vizinha, que compramos essas revistas e essas idéias? Então, peraí! Será que se virar moda se jogar de prédios vamos todas pular de um? Será que essa busca desenfreada por corpos perfeitos e praticamente inatingíveis não tem nada mesmo a ver com a gente?

Bom, pensando bem, eu percebi que o meu caso é um só. Aceitação. E percebi isso depois que um ex-obeso, que estava sentado ao nosso lado no café e ouviu a nossa conversa, falou que emagreceu naturalmente, sem nenhuma dieta mais restritiva, depois que decidiu aceitar-se como era. “Tudo passa pela cabeça”, disse ele do alto de sua cabeça grisalha, aparentando uns cinqüenta e poucos anos. “Eu tentei emagrecer a vida toda e só quando me aceitei como gordo é que emagreci naturalmente”, completou.

Achei aquela história interessante e me lembrei das toneladas de culpa que eu carrego todos os dias, para cima e para baixo. “Meu Deus, não fui para a academia. Meu Deus, comi meio biscoito a mais. Meu Deus, Meu Deus, Meu Deus...”. Não é possível que toda essa culpa e toda essa cobrança não pese nada na nossa balança! Não é possível que essa não aceitação daquilo que somos simplesmente não represente nada nas nossas vidas. Pareceu tão óbvio depois que ele disse aquela frase que fiquei até com vergonha da minha culpa e da minha cobrança por uma barriga tanquinho que, possivelmente, eu nunca vou ter. Não porque acho que é impossível, mas porque não me interessa. Nunca me interessou, em 32 anos, porque me interessaria agora? Para algumas pessoas, sim, interessa e elas fazem de tudo (até almoçar macarrão integral sem molho com ovo cozido todos os dias, eu já vi!) para ficarem assim. E estão de parabéns porque estão alcançando os seus objetivos, aquilo que elas colocaram como uma meta.

Mas, eu? A minha meta sempre foi mergulhar a cabeça nos livros e aprender o máximo de coisas que eu possa. Sempre amei passar horas na frente do computador, pesquisando. Sempre adorei ler milhares de coisas, de assuntos diferentes. Até para fazer dieta eu compro um livro! Não é a minha prioridade. Nunca foi. Então, como eu posso simplesmente querer ser dessa maneira e morrer de culpa porque não como ovo cozido com macarrão? Como?

Continua...

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Sobre o Autor: Andrea Pavlo   
Psicoterapeuta, taróloga e numeróloga, comecei minhas explorações sobre espiritualidade e autoconhecimento aos 11 anos. Estudei psicologia, publicidade, artes, coaching e várias outras áreas que passam pelo desenvolvimento humano, usando várias técnicas para ajudar as mulheres a se amarem e alcançarem uma vida de deusa.
E-mail: [email protected]
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