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Amor é Desapego de Si Mesmo

por Luiz Claudio Castello Branco

Publicado dia 11/7/2008 em Corpo e Mente

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Há muito tenho tentado saber o que, afinal de contas, é o tão propalado Amor. Sim, parece simples a resposta e, na prática, verifiquei que não é. Na infância, observei o amor filial e a sua contrapartida dos pais. Não era, pois, na maior parte do tempo, refletia a necessidade de sobrevivência dos filhos e a projeção dos pais. Na adolescência e princípio da idade adulta, observei o amor pelo sexo oposto. Também não era, pois, na maior parte do tempo, expressava a dosagem hormonal. Em ambas ocasiões observava também a amizade e o companheirismo entre os humanos que, na maior parte do tempo, regiam-se pelos humores e identificações sociais e psicológicas.

Nessas oportunidades verifiquei que o regente dessas relações, ditas amorosas, na realidade é o medo. O medo de morrer à míngua, o medo de não atender aos impulsos corporais, o medo de não corresponder às expectativas dos grupamentos da sociedade e o medo psicológico da solidão. Enfim, o medo de perder, no sentido mais amplo.

Observei que o treinamento para não perder, apoiado nas premissas das necessidades básicas animais, é registrado na alma humana desde a mais tenra idade e, se não bem observado e transformado, condiciona o restante da existência dos homens impedindo-os de, realmente, olhar para fora, para as outras coisas e pessoas que não sejam eles próprios. Observei ai que o “auto-amor”, não a auto-estima, é um ato contrário à felicidade já que esta, normalmente, leva em consideração as relações de mim para com o ambiente e que, nesta condição autocentrada, não há relacionamento verdadeiro para fora. Não existe o dar verdadeiro, somente o receber. Considerei também que, sendo o Amor por conceituação, a disposição para doar incondicionalmente, o estado geral do ser humano jamais o permitiria Amar.

Não adiantava ouvir falar e ler das outras pessoas –em geral, teóricos- sobre o Amor, o ato de amar, a necessidade disso etc... porque ainda não havia me defrontado, realmente, com a questão: Amar –incondicional e verdadeiramente- é uma predisposição natural do ser humano? Ou isso é para alguns “poucos escolhidos” ? Alguns escolhidos de Deus a fim de afirmarem a Sua característica primordial? Ou não passava de uma invenção de outros tantos que, sinceramente, a assumiam e passavam a espalhar no mundo que era o único caminho? E muitos outros variados “Ou.....?”.

Até que, a partir de determinado momento da vida, sem que desse conta, uma gradual constatação de que as relações de mim para comigo mesmo e para com o ambiente externo estavam (ou sempre foram?) ocorrendo de forma diferente. Pareciam relações que ocorriam em outro nível, não explicável, não material e, o mais interessante, eram mais objetivas e quase sempre menos inverídicas. Ou seja, ia constatando que essa “nova” forma de relacionamento dava-me a compreensão plena – mas não total, e não somente a percepção, tão subjetiva quanto os meus referenciais conscientes e inconscientes, do que efetivamente se passava.

Disposto a aproveitar a nova forma, pus-me a examinar, como sempre, a questão do Amor e do amar. Após algum tempo, comecei a perceber e a constatar as diversas manifestações do amor comum, no nível humano e, em todas, verifiquei que não havia desinteresse associado quer seja social, “espiritual”, financeiro e, principalmente, psicológico e sexual. Exceto em uma de suas “formas” manifestadas. A do desapego de si mesmo e a identificação total com a Criação. Somente assim havia real interesse no ato de amar, sem apego, sem projeções, sem expectativa de qualquer espécie. O simples sentir a plenitude amorosa, sem restrições, finalmente mostrou-me o que realmente é o Amor e uma certa indiferença afetuosa instalou-se. A partir disso, pude compreender o que tanto andei buscando ao longo da vida. O Amor e o amar.

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