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Delicadeza


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Nascemos numa época grosseira.
Grosseira, no sentido em que não conseguimos compreender nada que não seja espetacular.
Nada que não seja materializável.
Toda experiência humana obedece esta padronização inevitável.
Você sente que expressa uma emoção de forma autêntica?

Seu amor já tem um roteiro escrito. Aquilo que se chama amor segue algumas seqüências pré-determinadas, algumas probabilidades de se realizar. Qualquer maneira de realizar amor que esteja fora destas probabilidades é chamado “não-amor”, ou outro sinônimo degradante.
Então, você sente essa emoção intensa. Você aprende que isso é o que o outro faz com você. Você aprende a manter o outro perto para que isso não acabe. Você faz concessões, porque aprende que é assim que se mantém o outro. Você se trai e fica infeliz. Você acha que o outro teve algo com isso, então, resolve que ele também deve ser infeliz. E então trai o outro. E a infelicidade se institucionaliza. A casca expressa um monumento emocional reconhecível como amor. Mas dentro da casca, só a infelicidade.

Nossa busca por iluminação ficou automatizada. Buscamos a felicidade como se fosse um produto comercializável. Seguimos estes milhares de roteiros pré-escritos, pelos profetas, pelos místicos, pelos filósofos. Nada daquilo funciona para nós. Seguimos um ou dois passos destes, acreditando que isso iria resolver e continuamos infelizes. Então nos culpamos por não conseguir. Dizemos que isso é para deuses, para homens superiores. E continuamos até a sepultura, infelizes até o último suspiro.
Medito esperando efeitos luminosos, comunicações telepáticas com seres superiores. Um encurtamento da distância entre o “eu” infeliz e cheio de reclamações, com as deidades perfeitas e capazes de grandes feitos. Mas não consigo me liberar dos meus pensamentos, das minhas preocupações. Esforço-me para obter silêncio interno, mas os vizinhos na minha cabeça não sabem disso. Então, eu abro os olhos e desisto.
Eu deveria ser grato. Deveria ser feliz. Mas não consigo. Deve haver algo errado comigo. Algum defeito. Alguma deficiência. Então me medico, me corto, me costuro, me conserto, me apaziguo para não sentir infelicidade. Mas também não sinto mais nada.
Este é o grau de nossa grosseria.

Se não existissem esses instantes em que parece que não nos falta nada, esses momentos breves em que nos sentimos plenos, em que nos inspiramos de alguma maneira, poderíamos acreditar que a felicidade é algo que se afastou do homem. Mas estes momentos existem. Não é algo que o mundo faz conosco. De repente, essa maneira de olhar para as coisas se instaura e então nos sentimos plenos.
É um tipo de emoção que não tem nada a ver com o outro. É completa em si mesma. Não faz concessão alguma. É suave, sem efeitos especiais. Apenas acontece e se dissipa.
Para onde vai essa emoção? De onde veio? O que eu fiz para a merecer?
Buscando novamente a emoção no mundo, em alguma parte misteriosa, fora de mim mesmo. Buscando um critério, um julgamento, uma opinião, que me dê esse prêmio. Novamente um outro. E as concessões, a traição. A grosseria. Como se a grosseria tivesse aderida à nossa maneira de ver o mundo.
Mas e se essa felicidade estivesse diante de nós, todo o tempo? Se a grosseria fosse o único impedimento à nossa experiência de plenitude. O método, então, mudaria. Ao invés de buscar a felicidade fora da nossa experiência, cuidaríamos de remover toda grosseria que nos impede de experimentá-la.
Então não correríamos atrás dos efeitos luminosos, das explosões, das trilhas sonoras. E nos ateríamos ao simples, ao delicado. Essa beleza indescritível do mundo, além de toda grosseria.

Texto revisado

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Conteúdo desenvolvido por: Djair Guilherme da Silva Junior   
Djair Guilherme é Terapeuta Corporal Ayurvédico Desenvolve uma abordagem corporal com enfoque na relação íntima entre ato, corpo e expressão. É Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade de São Paulo É também um humanista Siloísta. http://www.atoecorpo.com.br/djair/
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