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Meditação e espiritualidade

por Marco Moura

Publicado dia 4/1/2020 em Corpo e Mente

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O que é mais importante: mudar o mundo ou mudar a mente? Pensando em larga escala, diremos que mudar o mundo seja mais importante. Porém, o mundo é transformado por pessoas e quem rege o comportamento das pessoas é a mente. A mente gerencia o que pensamos, o que falamos e o que fazemos.
Quanto ao mundo, não o conhecemos como ele realmente é, mas como a mente o vê – segundo sua própria interpretação. O que diferencia uma pessoa comum de um sábio iluminado não é viverem em mundos distintos, mas o quão lúcido cada um está diante da realidade. Existem aqueles que estão dormindo e os despertos. Se a vida de alguém segue no piloto automático, durante a maior parte do tempo, sua vida é regida pelo pensamento impulsionado pelo gostar ou desgostar. Nesse sentido, a pessoa está tão identificada com o que o pensamento diz sobre si mesma e sobre o mundo, que ela está praticamente vivendo um sonho produzido pela mente. Ela está em ilusão, dormindo diante da realidade. Quem vive em função de seus pensamentos e impulsos perde a chance de vivenciar a realidade do aqui e agora, pois o comando de sua vida está entregue ao pensamento. Como se tivessem vida própria, os processos mentais vão assumindo o controle sobre o indivíduo, que passa a confiar na versão da realidade que o pensamento apresenta. É como viver diante de uma tela em sua frente projetada pela mente.

Passado, presente e futuro
Note que o pensamento tem tudo a ver com o passado e o futuro, e quase nada de conexão com o presente. A matéria-prima do pensamento são dados registrados na memória que foram coletados, interpretados e se tornaram a estrutura do nosso entendimento de mundo. Continuamente, reconstruímos os dados mais superficiais, enquanto as camadas mais profundas representam opiniões e crenças mais fixas. De todo modo, esses registros formaram-se a partir de condições variáveis e subjetivas, como o estado de ânimo. Certamente, a realidade baseada nos registros do passado não é confiável. Do impulso para o pensamento, vem o impulso para a ação. Sem a habilidade de vivenciar o aqui e agora atentamente, a energia mental é projetada para o futuro. Nossa ação acontece no presente, mas o pensamento se fixa em expectativas, ou seja, no futuro. A cada passo dado, a mente ignora a experiência da caminhada e se volta a pensar sobre o que vem depois.

O pensamento em seu lugar
Tudo isso significa que o pensamento é ruim? De forma alguma. Os pensamentos são necessários, mas se tornam um inconveniente quando vivemos em função deles. Tudo tem o seu lugar e momento apropriados. O pensamento é útil como uma ferramenta da mente, ou seja, quando ele presta serviço à mente e não quando ele se torna o governador da mente. Enquanto ferramenta, ele é funcional; quando se torna dominador, é disfuncional. O pensamento somente assume o controle sobre nós quando estamos desatentos. É quando a energia mental dispersa e se move dentro de um mecanismo condicionado entre registros do passado e projeções futuras. Dentro desse mecanismo, o indivíduo se priva de viver com autenticidade e, seguindo assim, mal pode notar que vive como um zumbi.

A espiritualidade na meditação
Quando se fala em espiritualidade na meditação, isso pouco tem a ver com um entendimento religioso sobre o divino. De preferência, tudo o que se referir a doutrinas e conhecimentos adquiridos deve ser mantido de lado durante a prática. Queira ou não, são conceitos anexados ao pensamento. Espiritualidade refere-se a abandonar a idolatria ao pensamento, a não servir aos propósitos do ego como se fosse seu senhor. Essa liberdade ou liberação mental só é possível quando a atenção plena é recobrada e assumimos o nosso propósito de viver de modo integral, com mente e corpo unidos. Precisamos abandonar a densidade do pensamento para mergulharmos na sutileza da alma, por assim dizer. É a renúncia que nos permite imergir na essência do ser e nos conectar à vida original. Outro termo utilizado para esse refinamento da consciência é purificação. Purificar a mente dos três venenos: cobiça, raiva e ignorância. O pensamento, mesmo que positivo, carrega conceitos e contaminantes mentais relacionados à experiência mundana. É preciso distinguir bem o que é válido para o mundo externo e o que serve para o mundo interior. Enquanto seres voltados para o exterior, temos progredido bastante no uso da mente para elaborar conhecimentos técnicos e para solucionar problemas complexos por meio do raciocínio. O pensamento bem direcionado pode produzir todo esse conhecimento útil para a vida mundana. Porém, toda essa elaboração não se aplica ao nosso mundo interior. Nós nos especializamos demais para fora e esquecemos do básico para nutrir o nosso mundo interior: relações humanas saudáveis, conexão com a natureza, harmonia dos ciclos orgânicos etc.. Tratamos questões internas como se fossem problemas a serem resolvidos.

Questões básicas do nosso mundo interior, nós tentamos solucionar da mesma forma como fazemos com problemas mundanos, elaborando soluções mentais sofisticadas. Para questões internas, toda essa complicação é um fardo. Precisamos da simplicidade de uma mente presente e atenciosa. Escolhamos estar presentes.

Marco Moura
www.meditacao.online

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Sobre o Autor: Marco Moura   
Marco Moura desenvolve no Centro Dao de Cultura Oriental (metrô Ana Rosa, Vila Mariana, São Paulo) atividades para o desenvolvimento integral de corpo e mente através da meditação budista, artes marciais e terapias orientais. Fisioterapeuta, faz atendimentos de Acupuntura; ministra aulas de Meditação, Chi Kung, Tai Chi Chuan e Kung Fu.
E-mail: [email protected]
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