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O Grande Remédio


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O amor e a cura têm muito em comum, possuem o mesmo princípio básico: a atenção. Para que haja amor e para que aconteça a cura é preciso antes de tudo atenção. Por isso, o arquétipo do curador diz que é o amor que promove a cura. Não há amor sem atenção e cuidado, assim como não há cura sem atenção e cuidado. Ambos dependem da escuta inclusiva, da aceitação e do cuidado essencial. Nas palavras de Roberto Crema, “toda patologia é desatenção”, complementando a ideia de Yves-Leloup, quando afirma que para ter atenção, é preciso morrer em cada ação.

Quando estamos totalmente atentos ao instante, na presença, podemos resgatar as partes perdidas de nós mesmos, interpretar os sonhos e os sintomas, como quem lê um texto sagrado. A cura passa pela transparência, pela essência que se expressa na existência, pelo aflorar dos potenciais e dos dons de cada um. Curar-se é tornar-se o que se é. Quando perdemos nossa alma, o contato com o núcleo de confluência do nosso ser, é que abrimos espaço para o sofrimento e as doenças. Cada um recebeu do mistério dons únicos, para com eles fazer uma obra- prima, e oferecer ao mundo o remédio, aquilo que em nós pode contribuir para a evolução e o bem maior.

Os povos originários falam que cada pessoa traz consigo o “Grande Remédio”; o potencial para ofertar ao mundo um bálsamo de cura. Mas para que esse bálsamo seja derramado, precisamos reaprender a contar histórias, a dançar, cantar e silenciar, segundo Angeles Arrien, em seu livro O Caminho Quádruplo. A cura tem a ver com um processo de “individuação”, no termo Junguiano, que descreve o processo humano de integração na trilha de retorno à plenitude do ser. A saúde plena é a via elegida do vir a ser, do tornar-se humano com autenticidade.

Em "Saber Cuidar", Leonardo Boff, fala que existia um templo antigo na Grécia, em que se praticavam artes, ciências, filosofias e místicas, para a cura. Tinha o teatro para desdramatizar questões existenciais, tinha a poesia para tornar a alma sensível, a música para elevar às esferas superiores da consciência, a dança, o sono, a alimentação balanceada, o silêncio, passeios diários ao ar livre, esportes. Estas e outras atividades combinadas serviam para que este “Grande Remédio” fosse trazido à tona, curando o individuo e o mundo a sua volta.

No mundo atual, temos uma cultura médica voltada para a parte, para o microscópico, o germe, mas esquecida do todo que é o indivíduo. Temos profissionais que focam, de um modo geral, na doença, na disfunção, ao invés de focar na saúde e na cura. Que se ocupam em imediatamente desaparecer ou mascarar o sintoma, ao invés de ouvi-lo e interpretá-lo, à luz daquele que está doente. Uma medicina regida pela economia, pela técnica e pelo uso indiscriminado da tecnologia. O corpo é tratado como uma máquina, composto de peças desvinculadas umas das outras, e desprovido de consciência e alma.

Na cultura chinesa antiga, quando uma pessoa ficava doente, ela parava de pagar o médico, pois a doença era sinal de que este fracassou. O médico era visto como um cuidador da saúde, responsável pela manutenção do bem estar total da pessoa, trabalhando para isso com a prevenção, o cultivo da energia e o equilíbrio. Na modernidade tardia, existe a crença de que a doença surge exclusivamente de uma alteração química do corpo, por ataques de germes nocivos, e assim, os problemas reais apontados pelo sintoma são transferidos para os remédios da indústria farmacêutica, que cria um arsenal de guerra farmacológico para combater os “males” e as “pragas”, que vitimizam a humanidade.

A Organização Mundial de Saúde já aceita que ‘saúde é dinâmica de bem-estar pessoal, social, ambiental e espiritual’. Se assim é, para pensarmos em saúde e cura, antes de tudo precisamos considerar os pensamentos, os sentimentos, o comportamento e o propósito de vida do paciente em questão. Entender o que pode ter causado uma disfunção no seu padrão natural de energia, que pode ter afetado seu campo vibracional. Uma parte específica do corpo quando adoece, tem uma mensagem a dar à consciência, assinala uma disfunção em algum ponto da sua rede energética-vibracional. Carece da atenção de alguém que não é mero paciente, mas um agente da própria saúde, e um cuidador em potencial.

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Conteúdo desenvolvido por: Mariana Montenegro Martins   
Escritora, jornalista, educadora e terapeuta. Nascida no Rio de Janeiro, no solstício de verão, sob o signo de sagitário. Site: http://trilhasdoser.com.br/site/
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