SÍNDROME DE BURNOUT: quando a empresa também está doente

SÍNDROME DE BURNOUT: quando a empresa também está doente

Autor Sheila Tiemi Sakamoto

Assunto Corpo e Mente
Atualizado em 10/29/2026 2:45:36 PM



O esgotamento que consome profissionais no mundo inteiro não nasce apenas do excesso de trabalho: muitas vezes, a empresa adoece antes de a pessoa adoecer.

Este artigo nasceu de um capítulo do livro "Um Novo Olhar para as Organizações" (2025), obra em que sou coautora.

O Burnout é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional (trabalhar dentro de casa é também ocupacional, de uma certa forma, concordam?) - um esgotamento que não é "frescura", não é falta de resiliência e muito menos falta de vontade. É o corpo e a alma cobrando uma conta que alguém vem pagando há tempo demais.

Só que a maioria das soluções continua sendo um "remédio para sintoma": palestras motivacionais, aplicativo de meditação, um dia de folga. Não critico essas ferramentas (até porque eu as utilizo também), mas elas, isoladas, não chegam na causa. Ninguém faz a pergunta essencial: o que, no sistema, está fora de ordem?

É aqui que entra a visão sistêmica, inspirada nas leis observadas por Bert Hellinger. Nas organizações, três ordens sustentam a saúde de todos (além de uma vertente extra que é a competência):

Pertencimento - quando alguém é excluído, ignorado ou invisibilizado (bullying, favoritismo, falta de reconhecimento), o corpo responde antes da consciência. A neurociência dá uma pitada aqui: a sensação de exclusão ativa o mesmo circuito de alarme que a ameaça física, liberando cortisol de forma crônica - e cortisol crônico é combustível de esgotamento.

Hierarquia - cada um precisa ter um lugar claro. Quando o líder não ocupa seu espaço, quando o novato chega "limpando a casa" sem reconhecer quem construiu antes, ou quando as regras são deixadas de lado, por exemplo, o sistema treme. E sistemas trêmulos adoecem.

Equilíbrio entre dar e receber - o "herói" que carrega o trabalho de todos e quem faz o mínimo possível, mesmo recebendo os mesmos benefícios do outro, são as duas faces do mesmo desequilíbrio. A balança pende, os ressentimentos acumulam e a fadiga chega para cobrar a conta.

Há ainda um olhar que poucos fazem: o da lealdade invisível. Muitas vezes, o profissional que se esgota está, sem perceber, repetindo uma história que não é só dele - uma mãe que nunca pôde descansar, um pai que "deu a vida pelo trabalho", uma família em que sofrer era a forma de pertencer, um membro que não pôde trabalhar, seja porque teve que ficar dentro de casa para cuidar da família ou porque era considerado "incapaz". A pessoa não adoece apenas pelo que vive hoje; adoece também pelo que herdou, de forma invisível. Reconhecer essa trama é libertador: o peso deixa de ser destino e passa a ser escolha.

Quando essas ordens são violadas, o sistema busca se reequilibrar - e, às vezes, alguém "paga" por isso com a própria saúde. Sintomas, afastamentos, queda de produtividade, bullying e aquele silêncio nas reuniões são compensações de algo que foi ignorado.

Mas a responsabilidade não é só da empresa. Antes de apontar o dedo para o chefe, a equipe ou a crise econômica, vale se perguntar: que papel eu ocupo nesse sistema? Que padrões repito? Se os problemas da família se repetem na empresa, talvez a resposta esteja mais perto do que imaginamos. Empresas saudáveis não nascem de discursos bonitos - nascem de lugares em ordem, onde cada pessoa sabe que pertence, que seu lugar é respeitado e que o que dá, um dia volta, de forma fluida.

E se o Burnout já passou pela sua vida, considere uma releitura: ele não veio para destruir, veio como mensageiro - avisando de algo que foi ignorado. A doença é um sinal de que algo precisa ser colocado em ordem. E não precisa ser pela dor: basta um olhar sistêmico e o primeiro passo. É um processo.

Que tal começar hoje, olhando para o sistema onde você trabalha... e para o seu lugar nele?

Em outro momento, escreverei sobre o Burnout na visão da Neurociência - área em que venho me especializando. Há muito ainda a explorar sobre o que o cérebro faz quando a alma já pediu socorro.

Sheila Tiemi Sakamoto é terapeuta sistêmica e coautora do livro "Um Novo Olhar para as Organizações" (2025), com o capítulo "Visão Sistêmica da Síndrome de Burnout", organizado por Jardel Estevão e Daniela Palhuca.


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Autor Sheila Tiemi Sakamoto   
Terapeuta Sistêmica & Integrativa, Consteladora Familiar & Empresarial, Astróloga, Numeróloga, Leitora de Tarô e Baralho Cigano, Consultora de Feng Shui e da Medicina Germânica. Pós-Graduanda em Neurociências e estudos em Traumas Tutora e Professora de Cursos Sistêmicos Site: chamadodaalma.com.br https://www.instagram.com/sheila_tiemi_sakamoto
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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