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Você tem medo da morte? E da Vida?



Em uma das rodas de crianças na faixa etária de três anos em que sou facilitadora de danças, uma pequena me perguntou:
- Tia Sô, você tem medo da morte?

Fui pega de surpresa, como sempre acontece quando estamos com crianças. E respondi carinhosamente:
- Não! Tenho medo sim de estar viva, morta... Entenderam?

Em seguida, já lancei uma pergunta para a roda de crianças:

- E vocês, têm medo da morte?
Obviamente todos responderam:
-Não, temos medo de estarmos vivos, mortos.

Na minha experiência de 20 anos, como educadora, já era de se esperar, as crianças adoram repetir o que falamos. Sem muitas outras perguntas, me pediram para contar uma história. Demos continuidade à nossa Cirandda dos Amores com danças, muitos beijos e abraços.
Ao chegar em casa, refleti sobre a questão que me foi feita. Afinal, crianças são como anjos, tamanha pureza e inocência, sempre nos trazendo “pérolas encantadas”. Certamente não perguntaram por acaso e pensei na resposta que dei, usando o meu coração – mas afinal o que eu quis dizer com esta resposta?

Sei exatamente o que quis passar e quero compartilhar com você leitor.
No meu trabalho como terapeuta, tenho me deparado com inúmeros casos de depressão, a doença da alma. Lembrei-me dos rostos das pessoas depressivas: é como se alguém tivesse lhe tirado a alma, a inspiração de fazer parte deste mundo, a vontade de viver, o brilho dos olhos não está presente, como se eles estivessem em uma caverna, fugindo da luz do Sol, do brilho da Lua, da carícia do vento, do cheiro das flores, do canto dos pássaros, do sorriso das crianças, ou seja, a pessoa, está viva, mas num sono profundo, como a Bela Adormecida dos contos de fadas. Sei que as pessoas lutam para saírem deste sono profundo, buscam terapias, medicamentos, ajuda médica – essencial neste caso. O depressivo quer se “libertar” e muitas vezes não encontra forças. Essa alma clama para viver, despertar, acordar...

É dessa morte que tenho medo e profunda compaixão por quem está passando por este processo. Gostaria de pegar a minha “varinha de condão” e o “pozinho de fada” e despertar estas lindas almas adormecidas.
Tenho plena convicção, não só pelo imenso embasamento teórico, mas pela minha experiência como terapeuta que esta doença da alma tem relação com a falta de amor entre as pessoas. A Terra está pedindo ajuda, socorro. Se somos todos ligados, como uma teia, como não sentir a dor de nossos irmãos e irmãs, das crianças, da natureza? Impossível!

Agora vamos falar da vida, para mim algo maravilhoso. Amo viver, respirar, sentir, estar comigo e com as pessoas.
O que é estar vivo?

E aí, novamente entro em contato com minha experiência. Lembrei-me de alguns exemplos de vida. Um deles aconteceu em um Workshop com o tema: Despertando Sua Deusa Interior, onde na hora da partilha de experiência, uma senhora beirando os 75 anos colocou que a sua busca naquele encontro era o amor! Encontrar um grande amor! À medida que ela falava, seus olhos brilhavam e, mesmo tendo uma estatura pequena, neste momento ela cresceu, seus cabelos pintados de vermelho-fogo se tornaram o próprio Sol e vi claramente como é a vida manifesta. Durante a vivência também tivemos o momento das danças e ela pegou o seu véu e rodopiou pela sala como uma menina fada, uma fada menina.

Outra imagem que me veio à mente foi referente a uma vivência: “A dança das Fadas”, onde um senhor, na sua melhor idade, com toda sua hombridade, dançou lindamente para as fadas, como uma criança; seu coração pulsava forte emanando amor e devoção a todas as pessoas que participaram da vivência, seus olhos eram da criança que espera a chegada da “Fada dos Dentes”, aquela que realiza nossos pedidos quando perdemos os dentes (para isso, antes de dormir, pegamos o dente que caiu e o colocamos embaixo do travesseiro, fazendo o nosso pedido). Havia vida, luz, amor, alegria, inspiração...

É dentro deste “espírito de alegria” que desejo que todas as pessoas que estão vivendo um processo de depressão possam se inspirar nestas singelas palavras e conseguir forças para acordar para a vida. Como o Sol que dorme no oeste e renasce a cada manhã no leste, acreditem que existe esperança, existe vida dentro do coração de vocês.

Finalizo como a letra de uma música que gosto muito:

Epitáfio
Titãs
Composição: Sérgio Britto


Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

Alimentem a sua alma,
Brinquem com a vida...
Sorriam e chorem,
Vivam!

Com carinho
Soraya F Mariani
www.ciranddadalua.com.br

Texto revisado: Olívia Zambone
Publicado dia 2/7/2007
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Autor: CIRANDDA DA LUA    
Soraya Mariani é coordenadora do Projeto Cirandda da Lua.Tem formação acadêmica em artes e pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia e Arte Terapia. Agrega ao seu conhecimento diversas técnicas holísticas: floral, fitoterapia, encantação de contos, tarô; e ainda dedica-se ao estudo e prática da mitologia arquetípica, filosofia, antroposofia.
E-mail: ciranddadalua@yahoo.com.br | Mais artigos.

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