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A fidelidade

por Bernardino Nilton Nascimento
 A fidelidade

Publicado dia 18/10/2009 em Espiritualidade

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Alguém definiu o programa de uma vida digna de fidelidade assim: É preciso marchar, através das dificuldades, na direção da luz, considerando os longos e pacientes esforços com que a natureza executa as suas obras e outras tantas lições de vida.

A evolução se faz com uma lentidão e lógica irresistíveis. Nenhuma interrupção, nenhuma pressa, como se estivesse sentada à beira do oceano. A areia é depositada pelas secas do sol, depois o vento a transporta, grão a grão, e a acumula lentamente em imensas dunas. Que minucioso trabalho! Entretanto, é inapropriado compará-lo com a formação dos cristais, dos vegetais, dos animais. Nada se faz sem esta rigorosa paciência, aplicadas cada uma à sua função e marchando juntas para o seu fim, com uma calma imperturbável.

Imperturbável e com uma rigorosa paciência fica quem cultiva a “fidelidade”.

Devemos dar unidade à nossa vida. Façamos pouco, mas bem. Como parece simples ter uma ideia e manter a moral, ou fazer penetrar no coração a fidelidade, uma companheira indispensável a todas as pessoas. Não combina que nos modifiquemos sem parar os segundos, as impressões do momento, mas que permaneça firme ao que um dia reconheceu como justo. Para que servem as flores, senão para se transformarem em frutos, e as boas idéias, senão para se transformarem em atos?

É preciso habituar-se ao equilíbrio e nos mantermos os mesmos e, quando estivermos seguros de nosso bom direito, nos escondermos nele. Que as críticas não nos perturbem.

Nada é mais difícil do que guardar fidelidade. A cada passo, em nosso caminho, novas influências vêm exercer seu poder em nós para tentar nos desviar. E se apenas houvesse as dificuldades externas, seria pouco, mas há também as de dentro. As disposições se transformam. Prometemos alguma coisa com a maior boa fé possível, mas quando vem o tempo de cumprir, tudo está modificado: os acontecimentos, as pessoas, nós mesmos.
São poucos os que sabem cumprir num dia chuvoso, aquilo que prometeram num dia de sol. Assim vai o ser humano, atirando o seu coração aos quatro ventos, dando-o e retomando-o , rompendo com o passado, separando-se de si mesmo. E quando olha para trás, não se reconhece mais. Vê a si próprio marchando, lá embaixo, nos dias decorridos, como um estranho, para não dizer como muitos estranhos. Isto é tanto mais irônico quanto é certo que o ser humano, no seu íntimo, tem sede da fidelidade.

A fidelidade não é só entre o homem e a mulher, é muito mais profunda. Ela está dentro de cada um e é íntima da consciência. Qualquer ser humano está sujeito a erros. Ao nosso juízo, a fidelidade tem origem nos princípios morais. E ninguém é infiel ao outro antes de ser a si mesmo. A mulher e o homem não devem se igualar a quem é infiel, pois ninguém, na verdade, é dono de ninguém.

Um viajante procura aquilo que permanece. Das eternas mudanças, das condições da existência. Fica, no fim, uma impressão de melancolia. Ter um lugar para repousar, fixar a cabeça, aprofundar-se no último sonho que trouxe das suas peregrinações. E para chegar a isso, é necessário que ele construa a sua casa e cultive o seu jardim, que tenha o seu amor, a sua fé, sua obra, algo com que justifique a sua passagem pela Terra, com que possa viver, ser útil e repousar tranquilo.

Não há nada melhor do que estar seguro, ter confiança. Estar sempre no seu posto, ser pontual e ser resistente quando alguém se apóia sobre ele. Esse vale o seu peso em ouro, pois está sempre onde deve estar, ao passo que há uma multidão em toda parte, menos onde são esperadas.
Basta que os façamos entrar para sermos enganados. Muitos são inconstantes por fraqueza de caráter, não podem resistir aos ataques, às insinuações, nem, sobretudo, permanecer fiéis a uma causa derrotada.

A verdade é uma forma de fidelidade que sofre, diariamente, agressivos ataques. Mudar de palavra é, antes, o sinal de uma pessoa amplamente aberta, que o de uma pessoa baixa e desonesta. Uma música de talento, e que se respeita, não pode condenar-se a tocar apenas uma única vez.

Lastimo que as pessoas que insistem em mudar de palavra, em faltar aos compromissos, em trair os amigos, possam julgar-se hábeis, num tempo em que a habilidade passa por uma das qualidades dominadoras do ser humano. Tudo isso tem uma causa profunda: o descrédito da palavra humana.

O que vale uma palavra para aqueles que passam os dias a jogá-las ao vento? Uma coisa repetitiva. Como quer que um tagarela ponha seu coração em cada palavra que profere? Ele derrama as suas palavras como as árvores espalham as folhas mortas, e as esquece assim que tombam. Estamos de tal maneira habituados à vaidade das palavras, que uma coisa dita já não é mais sagrada.

A palavra não é mais respeitada como uma parte de nós mesmos. A palavra é um ato e, uma vez proferida, torna-se fiel. Isso está cada vez mais fora de moda. A fidelidade, com efeito, está reduzida ao testemunho sonoro que lhe rendemos em palavras.

A honestidade existe. Nós temos dela mil provas diárias, e é fácil reconhecê-la. É o bem que se vê a todo instante. O que me faz desconfiar é que a fidelidade tenha, entre nós, se transformado em uma figura fora de moda.

Uma duplicidade profunda, o divórcio entre a palavra e o ato, entre a aparência e a realidade. Uma espécie de dupla moral que faz com que sejamos, conforme a hora, sinceros ou não. Este é o mal que nos corrói.
Que força moral pode germinar e crescer em tais condições? É preciso voltar a ter princípios, a ter palavra, a fazer boas obras, a ter amor próprio. Aí está a pura energia do Universo. Fora disso, só há poeira, areia movediça e caniços que vergam a todos os ventos. É preciso ser fiel às mudanças da vida apesar das dúvidas, dos desalentos e das próprias faltas.

BNN

Texto revisado


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Sobre o Autor: Bernardino Nilton Nascimento   
"Não seja um investigador de defeitos, seja um descobridor de virtudes"./ "Quando a ansiedade assume a frente, as soluções vão para o final da fila"./ "Quando os ventos do Universo resolve soprar a favor, até os erros dão certo". BNN
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