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A adicção (vícios) e a doutrina espiritualista

por Roberto Gwydion
A adicção (vícios) e a doutrina espiritualista

Publicado dia 22/5/2009 em Espiritualidade

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O termo adicção é utilizado mais rotineiramente quando falamos em dependência a drogas – drogadicção. Sendo assim, o indivíduo que utiliza-se de entorpecentes seria um drogadicto. Mas a adicção é mais abrangente e inclui todos os tipos de “vícios”, por exemplo, a dependência ao fumo, ao sexo, às compras, à comer demais, à outra pessoa, enfim qualquer tipo de dependência.

A adicção está relacionada ao nosso desejo em “ter” e isso implica em vivermos em função das coisas externas a nós, contrariamente às doutrinas espiritualistas que defendem o desenvolvimento pessoal, a evolução da consciência e o autoconhecimento. O autoconhecimento na visão espiritualista não seria, neste caso, somente conhecer nosso processo interior, sua manifestação no nosso comportamento, mas também a prática contínua de evoluir através do constante ajuste de nosso modo de ver e viver no mundo. Dessa forma, teríamos que ter sensibilidade para observar-nos a nós mesmos como seres individuais, a nossa influência nos outros, além de observar a influência dos outros em nós e a dinâmica na qual vivemos em grupo.

A adicção em todas as suas manifestações tem, em seu profundo, a questão do “ter”, ou seja, a necessidade de tomar para si uma coisa material como se a “posse” de algo material ou externo fosse preencher o vazio que sentimos interiormente e que nos angustia. Uma fantasia que sustenta nosso comportamento e que nos deixa numa posição de “manipulados” por ela, pois na verdade ela é uma “fantasia”.

A adicção é muito mais complexa e de difícil definição, pois o termo somente mostra a ideia de comportamento, objeto mais da psicologia que da psicanálise, e o estatuto como "doença" é controverso, pois cada entidade seja ela religiosa, social ou da saúde e mesmo entre a psicanálise e a psicologia, cada qual define a adicção por sua visão. Para a visão psicanalítica é preciso entender o que existe por detrás do comportamento adicto. Assim, apesar de todos os viciados em jogo buscarem um preenchimento do vazio interior, esse vazio tem uma representação própria para cada um deles e assim é preciso investigar qual o sentido disso para o sujeito. Um drogadicto pode utilizar-se do entorpecente, por exemplo, tanto para fugir à realidade, como para satisfazer um desejo sádico ou uma forma de punir a família, ou ainda, para punir-se por alguma culpa de origens muitas vezes primitivas, ou seja, dos primeiros meses de vida.

A psicanálise, ao tratar do sujeito inconsciente, traz, através da integração entre o consciente e o inconsciente, o alívio desses sintomas. Acreditamos que não é possivel pensar-se em “cura” da adicção somente com meios comportamentais como as regras e controle, pois ela (a adicção) sempre existirá impondo a angústia do sujeito em não poder viver espontaneamente, mesmo vivendo com o controle do comportamento adicto, pois há o sujeito do inconsciente que é de certo modo “autônomo”. Difícil garantir a cura, pois esse conceito em psicoterapia (seja em psicanálise ou nas várias terapias psicológicas) é sempre controverso, mas pode-se ter a perspectiva de que entender o sentido profundo da adicção alivia a angústia e facilita o indivíduo a viver e controlá-la sem o sofrimento de sentir-se preso ou manipulado por um desejo interior que não se compreende.

As doutrinas espiritualistas têm um papel importante para o praticante adicto, pois pregam a necessidade de se viver cada vez mais na função do “Ser” mais do que a do “Ter”. Que devemos não nos apegarmos aos bens materiais, e vivermos mais conscientes de quem somos e da nossa relação com as outras pessoas e com o universo.

Além de que, quando temos o “conhecimento”, o “entendimento”, ou nos termos da doutrina espiritualista, a própria “consciência”, entendemos as razões relacionadas ao “karma” ou “darma” que definem o sentido através da lei da causa e efeito. Na psicoterapia psicanalítica buscamos o que se pode chamar de “controle sereno” pois entendendo e compreendendo o nosso sujeito interior, integramos o nosso consciente-inconsciente no nosso “Eu”. Enquanto não se buscar entender o sentido da adicção, o sujeito viverá não mais somente sob a sombra da angústia do vazio, mas agora também sob a angústia do vitimismo, do martirismo e como uma criança submissa que vive e sofre a severa lei imposta por um pai tirano.

Texto revisado por Cris

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Sobre o Autor: Roberto Gwydion   
Terapeuta transpessoal e psicoterapeuta. Tem sua formação acadêmica em ciências sociais, psicossintese,Regressão de memória, Formação em terapia floral avançada e naturopatia holistica.
E-mail: [email protected]
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