A CONFUSÃO ENTRE CONSOLO EMOCIONAL E EVOLUÇÃO CONSCIENCIAL

Facebook   E-mail   Whatsapp

Autor Dalton Campos Roque

Assunto Espiritualidade
Atualizado em 1/10/2026 11:47:06 AM


1. Quando sentir-se melhor passa a significar estar evoluindo

Uma das confusões mais disseminadas no espiritualismo contemporâneo é a equivalência automática entre alívio emocional e avanço consciencial. Se a pessoa se sente melhor após uma leitura, uma prática ou um encontro espiritual, conclui que evoluiu. O critério é interno, imediato e subjetivo.

Essa associação é compreensível, mas equivocada. Sentir-se melhor é um fenômeno psicológico legítimo, porém transitório. Evolução consciencial é um processo lento, cumulativo e frequentemente desconfortável. Quando ambos são colocados no mesmo plano, perde-se a capacidade de distinguir conforto emocional de transformação real.

A espiritualidade passa a ser avaliada pelo efeito calmante que produz, não pela clareza que gera.

2. O consolo como produto central do discurso espiritual

Grande parte do discurso espiritual atual organiza-se em torno do consolo. Ele acolhe, valida emoções, reduz culpa e oferece narrativas reconfortantes. Isso não é, em si, um problema. O problema surge quando o consolo deixa de ser apoio momentâneo e se torna finalidade permanente.

Nesse ponto, a espiritualidade deixa de preparar a consciência para lidar com a realidade e passa a protegê-la dela. A dor não é compreendida, é neutralizada. O conflito não é integrado, é dissolvido em explicações suaves. A frustração não é elaborada, é reinterpretada como sinal externo.

Cria-se um ambiente simbólico onde tudo precisa confortar para ser aceito.

3. O ego confortado que não amadurece

O ego aprecia profundamente o consolo, porque ele permite manter narrativas internas intactas. Ao ser constantemente acolhido, o ego não precisa rever padrões, nem reconhecer limites, nem assumir responsabilidades mais profundas. Ele se sente amparado sem ser questionado.

Esse mecanismo cria uma ilusão de progresso. A pessoa fala com mais segurança, usa termos mais elaborados e demonstra maior tranquilidade aparente, mas suas decisões práticas, reações emocionais e padrões éticos permanecem os mesmos.

O ego se sente evoluído, enquanto a consciência permanece no mesmo lugar.

4. O preço invisível da evolução confundida

Quando consolo e evolução são confundidos, o aprendizado se empobrece. No plano psicológico, a pessoa perde a tolerância ao desconforto necessário ao amadurecimento. Qualquer tensão interna é vista como sinal de falha, nunca como parte do processo.

No plano kármico, entendido como integração de causas e efeitos ao longo do tempo, a confusão é ainda mais séria. Sem reconhecimento claro do papel das próprias escolhas, o indivíduo não aprende com as consequências. Ele apenas se consola diante delas.

A experiência repete-se com novas narrativas, mas sem avanço estrutural.

5. O que se perde quando evoluir precisa ser agradável

Evoluir raramente é agradável. Envolve reconhecer incoerências, aceitar limites, revisar crenças e abandonar autoimagens confortáveis. Quando a espiritualidade elimina essas etapas em nome do bem-estar imediato, ela priva a consciência de profundidade.

Perde-se a capacidade de sustentar processos longos, silenciosos e pouco gratificantes. Tudo precisa gerar sensação positiva rápida. A consciência passa a operar em ritmo emocional, não em ritmo evolutivo.

O resultado é uma espiritualidade rasa, ainda que emocionalmente satisfatória.

6. A evolução que não consola, mas esclarece

A evolução consciencial não promete alívio constante. Promete compreensão progressiva. Ela não elimina o desconforto, mas o torna inteligível. Não protege o ego, mas educa a consciência para lidar com a realidade com mais lucidez.

Uma espiritualidade madura sabe acolher sem infantilizar. Sabe consolar sem paralisar. Sabe apoiar sem substituir o esforço interno necessário ao amadurecimento.

Evoluir não é sentir-se melhor sobre quem se é, mas compreender melhor o que se faz, por que se faz e quais efeitos isso produz ao longo do tempo.

Dalton Campos Roque - Sensibilização Consciencial

Espiritualidade sem religião, ética sem doutrina, reforma íntima sem evangelho, intelecto sem arrogância, bom humor sem puritanismo e música com consciência.
Escritores efêmeros, poetas eternos, pensadores conscienciais profundos, escritores da alma com bom humor avançado, sempre questionando paradigmas.
A convergência da ciência com o espiritualismo universalista.
Autores, poetas, cronistas, contistas, jornalistas do plano astral, médiuns, humoristas incorrigíveis que buscam a educação consciencial e e engenharia consciencial.

Site oficial 1: https://consciencial.org
Quem somos - https://consciencial.org/quem-somos/
Produtos e Cursos - https://cursos.consciencial.org
Livros impressos Clube de Autores - https://clube.consciencial.org
E-books Amazon - https://ebook.consciencial.org
Autor Amazon - https://autor.consciencial.org

------


estamos online   Facebook   E-mail   Whatsapp

Autor Dalton Campos Roque   
Médium, projetor astral consciente, sensitivo, escritor e editor consciencial, autor de dezenas de obras espiritualistas. Eng. Civil e Professor de Informática (aposentado), pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, e em Educação em Valores Humanos (linha de Sathya Sai baba). @Consciencial YT: @DaltonRoque
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

Saiba mais sobre você!
Descubra sobre Espiritualidade clicando aqui.
Gostou?    Sim    Não   

starstarstarstarstar Avaliação: 5 | Votos: 1


Deixe seus comentários:

Veja também


© Copyright - Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução dos textos aqui contidos sem a prévia autorização dos autores.




Energias para hoje




publicidade








Siga-nos:
Youtube     Instagram     Facebook     x     tiktok

Siga-nos:
Youtube     Instagram     Facebook     x     tiktok

 


  Menu
Somos Todos UM - Home