A ÉTICA FOI SUBSTITUÍDA POR SE SENTIR BEM

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Autor Dalton Campos Roque

Assunto Espiritualidade
Atualizado em 1/10/2026 11:39:41 AM


1. Quando o bem-estar virou atestado moral

Algo curioso aconteceu no discurso espiritual contemporâneo: sentir-se bem passou a ser confundido com estar certo. Se a pessoa está em paz, presume-se que suas escolhas são éticas. Se está tranquila, acredita-se que sua conduta é elevada. O estado emocional passou a funcionar como selo moral.

Essa associação parece intuitiva, mas é profundamente enganosa. Bem-estar psicológico não é prova de retidão ética. Ao longo da história, indivíduos e grupos cometeram atrocidades com absoluta convicção íntima e tranquilidade emocional. Ainda assim, o espiritualismo popular atual insiste em tratar sensações internas como critério último de correção.

Pouco a pouco, a pergunta "isso é justo?" foi substituída por "isso me faz sentir bem?".

2. A dissolução silenciosa da ética no discurso energético

A ética, em seu sentido mais essencial, sempre lidou com consequências, responsabilidade e impacto dos atos sobre o outro e sobre o todo. Ela exige análise, ponderação e, muitas vezes, renúncia. Já o discurso da vibração opera de forma oposta: ele desloca o foco da ação para o estado interno.

Não importa tanto o que se faz, mas como se sente ao fazer. Não importa o efeito produzido, mas a intenção declarada. Com isso, a ética deixa de ser um campo de avaliação objetiva e se transforma em experiência subjetiva.

Esse deslocamento é sedutor porque alivia o peso da responsabilidade. Se tudo é vibração, frequência ou energia, o erro não precisa ser reconhecido, basta "ajustar o estado interno". A consequência não precisa ser assumida, basta "elevar a vibração".

A ética, que sempre foi incômoda, é dissolvida em linguagem suave.

3. A vibração como refúgio do ego

O discurso vibracional oferece ao ego uma vantagem estratégica: ele permite evitar confronto ético sem parecer imoral. Basta alegar que determinada situação "não ressoa", que certa pessoa "está em outra frequência" ou que um conflito é "energia densa demais".

Assim, decisões egoístas ganham verniz espiritual. Indiferença vira autopreservação energética. Omissão vira respeito ao próprio campo vibracional. Julgamento é disfarçado de percepção sutil. O ego não precisa mais justificar suas escolhas em termos de justiça, apenas em termos de sensação.

Esse mecanismo cria uma bolha simbólica onde tudo é filtrado pela experiência interna, e o mundo externo, com suas complexidades e responsabilidades reais, perde relevância.

4. O preço invisível da ética diluída

Quando a ética é substituída por vibração, as consequências aparecem de forma lenta, mas consistente. Relações se tornam frágeis, pois qualquer desconforto é evitado em nome do "equilíbrio energético". Conflitos necessários não são enfrentados. Reparações não são feitas.

No plano kármico, entendido como aprendizado por consequência, ocorre um bloqueio sério. Sem reconhecimento claro de causa e efeito, a consciência não integra lições. Repete padrões, justifica danos e terceiriza responsabilidades.

No campo coletivo, esse modelo gera comunidades espirituais emocionalmente confortáveis, mas eticamente rasas. Há acolhimento, mas pouca coerência. Há discurso elevado, mas pouca prática responsável.

5. O que se perde quando a ética é desconfortável demais

A ética exige algo que o discurso vibracional evita: limite. Ela obriga a reconhecer que nem tudo que agrada é correto, e que nem toda decisão confortável é justa. Exige sustentar desconfortos temporários em nome de coerência de longo prazo.

Quando essa exigência é abandonada, perde-se a capacidade de avaliar a própria conduta com honestidade. A consciência passa a operar em circuito fechado, validando a si mesma sem referência externa ou criterial.

O resultado não é liberdade espiritual, mas empobrecimento moral disfarçado de elevação.

6. A vibração que não substitui responsabilidade

Estados internos importam, mas não substituem ética. Intenção importa, mas não anula consequência. Vibração não corrige dano, não repara injustiça e não substitui ação responsável.

Uma espiritualidade madura reintegra a ética ao centro da experiência. Ela reconhece que sentir-se bem não é garantia de agir bem, e que muitas vezes o caminho mais consciente envolve desconforto, revisão e reparação.

A verdadeira elevação não está em manter a vibração alta, mas em sustentar coerência entre intenção, ação e efeito. Sem isso, qualquer discurso espiritual se torna apenas um conforto sofisticado para o ego.

Dalton Campos Roque - Sensibilização Consciencial

Espiritualidade sem religião, ética sem doutrina, reforma íntima sem evangelho, intelecto sem arrogância, bom humor sem puritanismo e música com consciência.
Escritores efêmeros, poetas eternos, pensadores conscienciais profundos, escritores da alma com bom humor avançado, sempre questionando paradigmas.
A convergência da ciência com o espiritualismo universalista.
Autores, poetas, cronistas, contistas, jornalistas do plano astral, médiuns, humoristas incorrigíveis que buscam a educação consciencial e e engenharia consciencial.

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Autor Dalton Campos Roque   
Médium, projetor astral consciente, sensitivo, escritor e editor consciencial, autor de dezenas de obras espiritualistas. Eng. Civil e Professor de Informática (aposentado), pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, e em Educação em Valores Humanos (linha de Sathya Sai baba). @Consciencial YT: @DaltonRoque
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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