A evolução da Neo Quimbanda brasileira, frente a outras vertentes.

A evolução da Neo Quimbanda brasileira, frente a outras vertentes.

Autor Rosana Ferraz Chaves

Assunto Espiritualidade
Atualizado em 7/20/2026 11:26:13 AM





Já faz algum tempo que podemos observar a evolução da nova Quimbanda brasileira e frente a outras manifestações religiosas de origem africana, a Quimbanda só cresce.

Existem fontes diversas que versam sobre a origem da Quimbanda, mas falaremos aqui, sobre a que mais me convenceu, do ponto de vista histórico.

A palavra deriva do idioma banto kimbundo, sendo que na África, kimbanda designava o curandeiro, feiticeiro ou sacerdote.

Aqui no Brasil, a quimbanda começa a se diferenciar do culto aos orixás, desde a época da escravidão, quando o povo negro foi obrigado a criar um sincretismo católico, para continuar cultuando seus orixás escondido.

Aqueles que resistiram, mesmo que de modo oculto a essa imposição e também grande parte dos negros que fugiram para os quilombos, deram origem ao que mais tarde passou a ser conhecido como Quimbanda.

Já não era apenas a necessidade de oficializar uma cerimônia religiosa voltada para cura do corpo físico.

Diante da violência da escravidão, se tornava necessário aumentar tanto a proteção física, quanto a espiritual e nesse caso, ao invés do culto aos orixás sincretizados em santos, os rebeldes e os resistentes, pediam ajuda a "Esu".

"È?ù" era um orixá, (não um demônio), ligado a terra, à comunicação, ao movimento, proteção, ataque, transformação e abertura de caminhos.

Na cultura africana, não existe a figura do diabo, bem como na maioria das culturas dos povos do mundo todo.

O que hoje conhecemos como diabo, é uma criação cristã, não judaico-cristã, como alguns acreditam, já que no judaísmo Satã tem uma origem completamente diferente.

Satã é uma emoção, uma sigla ou um nome que se dá para todos aqueles que querem apenas para si mesmos, ou seja, Satã representa o ego negativo, que existe em todo ser humano e não uma entidade que tem chifres, fede enxofre, usa tridente e tem pés de bode.

Essa criatura mítica foi criada a partir da pouca compreensão dos padres a partir da figura de antigos deuses, de várias culturas pagãs.

O Deus Cornífero, cultuado pelos pagãos, nós que somos magos(as) e bruxos(as), por exemplo, tem chifres e nem por isso é uma entidade maléfica.

Os chifres do Deus, Cernunos, representam o poder da natureza, do masculino, do animal forte, que luta usando seus chifres, como o antílope, por exemplo.

Todos os animais foram criados pela mesma fonte divina, ou seja, a fonte que criou o bode, o antílope e a mamba negra, criou também os coelhinhos, os gatinhos e os cachorrinhos fofos.

A Neo Quimbanda brasileira, que nasceu daquilo que era chamado de Macumba Carioca, acaba se diferenciando do culto original, que se opunha formalmente ao Deus dos escravagistas brancos, já que em algumas vertentes, existe a crença e o culto ao diabo cristão.

Mesmo entre alguns quimbandeiros, existe quem acredita que exu e diabo são as mesmas entidades e muito disso ocorreu, por conta de alguns livros que foram escritos por alguns espíritas no passado, que sem pesquisar a origem das coisas, fizeram acreditar que a Quimbanda só fazia mal.

Fazendo comparações:

Umbanda: Exus e pombas giras são da "esquerda", muito embora a maioria dos umbandistas nem saiba o que é isso. São lembrados no início dos cultos, com cantos específicos e todos voltados para a porta. Na Umbanda tradicional, Exu raramente fala ou dá consulta e sua função é desmanchar, defender ou atacar os inimigos. As oferendas podem envolver sacrifício animal, bebidas alcoólicas, pimentas e charutos. Não existe consagração de sacerdotes para os da "esquerda". Os médiuns não estudam nada sobre os orixás, que dirá sobre os exus. A maioria acredita mesmo que orixás são brancos e que Ogum é São Jorge ou que Santa Bárbara é Iansã. Tem muitos sacerdotes autointitulados, não seguem muito a hierarquia da linhagem, mas os exus estão sob o controle dos orixás, e isso evita qualquer tipo de bagunça dentro do terreiro, entre entidades ou médiuns. A maioria dos adeptos são pessoas do povo, que dão mais importância para a fé, do que para o estudo. O ambiente costuma ser calmo ou a atmosfera segue o tipo de ritualística, mas não existe briga durante o culto. As pessoas podem se consultar ou tomar passes com os outros tipos de entidades. Usam muita coisa do catolicismo e continuam sincretizando os orixás. Algumas cerimônias são fechadas ao público. Só trabalham com exus tradicionais e raramente aparecem novos nomes.

Candomblé: Em cultos tradicionais, não existia a pomba gira, mas hoje existe em alguns lugares. Exu não fala, só se manifesta através do jogo de búzios. Só incorpora em dia de festa. Existem Yaôs que fazem a feitura de cabeça para Ogum Xoroquê, que é metade orixá e metade exu, fora isso, ninguém faz a cabeça para exu. Não dão consultas, para isso usam o jogo de búzios. Tem a função de proteger, desmanchar e atacar e também estão sob o controle tanto do sacerdote, quanto do orixá, dono do terreiro. Os adeptos costumam aprender bastante sobre oferendas e ritualística, com o sacerdote. Os frequentadores são uma mistura de classes, sendo que na Bahia, são muito frequentados por turistas. Algumas cerimônias são fechadas ao público. Alguns exus dão o nome, outros demoram mais tempo, mas são sempre os tradicionais.

Quimbanda: Antes só tinha cultos fechados, agora tem cultos abertos. Seus sacerdotes são chamados de Tatas e Mamas, sendo que a grande maioria segue uma hierarquia de linhagem. A maior parte deles, sabem se comunicar muito bem, são da classe média, já cursaram faculdade ou pelo menos já estudaram mais de dois livros sobre o assunto. Os médiuns são de classe média a alta e todos aprendem sobre o culto, em todos os níveis. Os exus não estão sob a direção de nenhum orixá. Possuem sete linhas de trabalho: malei, almas, encruzilhada, lira, matas, cemitério e cruzeiro. Usam muito as facas e seus terreiros são bem decorados e estilizados. Existem vários exus novos, que apresentam nomes um tanto assustadores. O ambiente é muito mais denso, com pouca claridade e muita luz vermelha. Brigas não são incomuns. Aqui exus também podem curar.

Mas a principal diferença, é que no caso da Umbanda e do Candomblé qualquer pessoa pode seguir e se o "santo pedir", poderá ser iniciado, mas a Quimbanda, é para poucos. Qualquer pessoa pode frequentar, mas poucos poderão ser iniciados, sendo que a iniciação, é por vontade do iniciante e não porque alguém pediu.

Como escrevo muito sobre o submundo espiritual e como também já fiz parte de alguns cultos afro, conheço perfeitamente bem, como é difícil conviver com esse tipo de entidade.

No meu caso, sempre que tenho contato é para fins de estudo, então tenho permissão da luz e da sombra e tenho meus supervisores, que agem sempre quando a coisa esquenta.

E sim, a coisa costuma esquentar bastante, quando lidamos com o submundo e digo isso não desmerecendo essas entidades, mas porque o mundo que eles transitam, é chamado por esse nome.

Tenho muitos amigos espirituais, que eu os chamo de guardiões, porque na magia branca, essa é a sua principal função. No "mundo dos guardiões, a palavra dada pesa muito. Se prometer, cumpra, porque se não cumprir, o "bicho vai pegar" pro seu lado.

Aqui não existe lugar para fofocas e mentiras e a lealdade faz parte do seu código de honra. Se você demonstrar medo ou se achar melhor do que eles, "caia fora" antes que te empurrem.

O bem e o mal são inerentes aos seres humanos, então não rotule nada como boa ou ruim, antes de experienciar, mas para ser iniciado em Quimbanda, você precisa "entrar na linha, obedecer e aguardar a sua vez".

E creia, isso é para poucos. Na magia branca, é muito mais rígido ainda, por isso que poucas pessoas conhecem ou fazem parte.





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Autor Rosana Ferraz Chaves   
Oraculista, sensitiva e escritora. Se dedica aos estudos de anjos, baralhos e tarots antigos, ministra cursos de oráculos, neurolinguística. Desenha mandalas e cria perfumes mágicos em seu atelier. Autora do livro Magid - O encontro com um anjo.
E-mail: [email protected] | Mais artigos.

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