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A evolução de nosso senso de equilíbrio


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Há alguns séculos, possuímos recursos muito grosseiros para estudarmos o mundo visível, e compreender como nos mantermos em equilíbrio, na adaptação de se manter saudável imersos nas intempéries do ambiente.
No início contávamos apenas com a visão proporcionada pelos olhos, sem bagagem de interpretação do que víamos e percebíamos.

E mesmo esta visão dependia de nossa capacidade ocular, se a tínhamos em plena potência, ou sofríamos de alguma alteração, como miopia, astigmatismo e até a catarata, consequente da vida sem proteção ocular.

Durante séculos, ajustamos nossa vida a esta limitada visão, muitas vezes turva, cheia de véus.

Até que um dia, alguém descobriu o vidro e que este modificava a visão, e acabou-se inventando os monóculos, um olho com visão normal e outro modificado.

Isto exigiu um ajuste no equilíbrio interno daquele que modificou o olhar sobre o mundo com este novo recurso.

Desde novo recurso, alguns se aventuraram a estudar esta ampliação da capacidade humana de observar o mundo, gerando um ser humano mais capaz.

Criou-se os óculos, e as lunetas, que aproximavam o que estava longe, aumentando a segurança, o domínio do ambiente.

Até então, era senso comum, que o céu se movia em torno da Terra, do olhar do humano que observava, e até alguns percebiam certa perturbação, tontura e náuseas, ao sentir o céu se movendo.

A parte biológica, orgânica responsável pelo equilíbrio entrava em surto, não era capaz de manter sua homeostase, e muitos evitavam, e ainda evitamos, observar algo em movimento, onde nos sentimos à mercê.

Quem não vivenciou a experiência de estar em um veículo que sabemos estar estacionário, e o do lado se moveu, e tivemos a breve impressão de que nosso veículo é que estava em movimento, instintivamente nosso organismo perdeu seu centro de equilíbrio, entre saber que se está parado e perceber o movimento, existe um tempo de resposta para a cognição e o reassumir o domínio de si.

Muitos curiosos, observadores que buscavam a compreensão de nosso papel e interações com o mundo exterior, transformaram o vidro, sua transparência, curvatura, passando pelos óculos simples e depois multifocais, da ideia da luneta, aprendemos a olhar o céu em movimento, aperfeiçoamos até os telescópios astronômicos terrenos, e formas de registrar imagens, para posterior análise, “parar o céu” no movimento tempo-espaço.

Deste, percebemos que a luminosidade e atmosfera eram fatores de distorção, e se buscou instalá-los em pontos isolados, onde o céu é mais nítido.

E quando conseguimos ir além da atmosfera, criamos “olhos” nas naves, na estação espacial, nos satélites, que tanto podem observar “de fora” nosso planeta, os demais planetas e o espaço profundo, sem a distorção da atmosfera.

Mesmo assim, ainda não estávamos satisfeitos, e amplificamos a capacidade destes “olhos” de observarem o Universo.

Hoje, de um satélite, se pode observar nossa casa e perceber quem entra e quem sai, em um grande Big Brother que pode seguir todos nossos passos.

Podemos mudar a faixa de frequências captadas para estudar os objetos cósmicos e interpretar sua composição, seus detalhes mais íntimos, a distância.

Percebemos que as inéditas imagens que o Hubble e as naves interplanetárias como as Voyagers, tão impressionantes, se tornaram superiores no recente James Webb.

Cada acréscimo em nosso olhar, exigiu uma readaptação, e um tempo de resposta par se reobter o equilíbrio saudável, confortável, e entre o modo antigo de perceber o mundo, e o novo, passamos por uma fase de “tontura e náuseas” como ocorre quando nosso Labirinto, órgão de senso de equilíbrio e “perde’ entre duas realidades. 

Uma outra metáfora, para esta compreensão, pode ser a evolução da balança, senso de peso e da força necessária para mover um objeto.

No início, os caçadores precisavam transportar a caça até a família, até a fogueira, a segurança da caverna.

Precisavam dar um jeito para carregar, pois sua força era limitada, e a distância era enorme, frente ao peso, e o apodrecimento da carne.

Então se aprendeu a criar formas de arrastar a carga, desde “macas” primitivas, roda, carroças, e o uso de animais mais fortes para assumirem o transporte por nós, e chegamos até nossos atuais caminhões, navios, trens, etc.

Mas o fator peso e potência, distância, ainda são questões limitantes. Então, saber quanto um objeto pesa, era fundamental, pois o volume de uma tonelada de algodão é muito diferente de uma de pedra, e os cientistas descobriram que um conceito chamado massa era igual peso versus densidade, e mudavam conforme a composição do objeto, onde se escolheu para padrão de referência da densidade, o líquido mais abundante e disponível em qualquer lugar, e em temperatura ambiente, e se afundasse, sua densidade era maior que Um, e se flutuasse décimos de Um, criando uma relação matemática entre peso e volume ocupado por esta “massa”.

Para tal criamos “balanças”, primeiros pêndulos, onde de um lado se colocava uma referência de peso, e por comparação, noutro braço, se fazia a medição do peso de nosso alvo de pesquisa.

Tão antigo, que na mitologia egípcia temos a balança de Maat, deusa da Verdade e Justiça, que de um lado coloca como referência uma pena, e ao pesar o “coração” do recém morto, que deveria ser mais leve que a pena, para sair da roda das reencarnações, não ir ao Inferno.

Obviamente, é simbólico, pois o coração físico tem um peso aproximado igual para todos os humanos e pesa muito mais que a maior pena existente. Se refere ao sentimento que carregamos em nosso coração durante a vida, ou seja, nossa consciência permanece leve como uma pluma ou é mais densa, pesada que esta, a ponto de na hora de nossa morte, nossa consciência poder flutuar sem tocar o prato da balança, menos denso que o ar.

Mas se pensarmos em cozinha, os ingredientes pesados na balança, não nos proporcionavam repetição de uma mesma receita e sabor.

E se a dosagem de uma substância se tornou fundamental, entre sua ação como veneno e como remédio, como o arsênico, tão usado na medicina da idade média,

Então geramos balanças mecânicas, digitais, depois eletrônicas, até acopladas a microscópios, pesando bactérias e vírus, moléculas e átomos.

A cada nova técnica de pesagem, só então, com este acréscimo de precisão, nos tornávamos consciente de quanto era rudimentar nossa pesagem anterior, e a mudança deste novo senso de medida, exigiu de nós, uma readaptação, uma grande mudança de consciência e exige um tempo de resposta.

Então, nossa atual consciência, também precisa compreender, que no tempo que apenas disponhamos de recursos mais grosseiros para sobreviver, não tínhamos nem óculos, nem balança, muito menos meios de transporte, fazíamos o melhor possível com aquelas condições de sobrevivência.

Conforme conseguíamos descobrir novos modos de manipular objetos para serem ferramentas e cada vez mais precisas, geramos recursos que nos mostraram quanta ignorância estávamos imersos no momento anterior.

Aceitar que se muda os recursos, muda o modo que percebemos e reagimos ao mundo visível e invisível, e nós mudamos de referências.

A cada descoberta, cada nova visão do mundo, como podemos observar o tanto microcosmos como os macrocosmos externos, afetam nosso mundo interior, seja fisiológico como emocional e mental.

E o modo anterior, mesmo que nos aparente ser mais grosseiro, tem seu valor, e teve seu papel, faz parte do momento de vida e do que necessitamos para cada tarefa.

Ainda temos uso para as balanças de pêndulo, mecânicas, digitais, de altíssima precisão, cada uma tem seu uso. Ninguém pesa um tambor, um engradado, em uma balança de precisão.

Existem operações que exigem a ferramenta adequada, mais grosseira ou mais sutil.

Da mesma forma, é igual nossa sensibilidade para lidar com as condições da sobrevivência neste mundo, escolher a ferramenta mais adequada a cada tarefa.

A vida profissional, competitiva, exige mais razão, menor sensibilidade emocional, menor afetação, como uma balança mecânica, que pesa grandes carga, mas oferta pouca precisão.

A vida familiar, já exige o oposto, maior sensibilidade, mais delicadeza na operação, não permite tanta rusticidade, grosseiras, pois iremos ferir aqueles que nos amam.

Um verso da Tábua da Esmeralda, nos sugere desenvolver cada vez mais habilidade de separar o que é denso do que é sutil, com grande habilidade, com perícia.

Desenvolver a maestria é saber alterar nosso modo de perceber o mundo, as pessoas, como podemos olhar algo a olhos nus, com óculos corretivos, de amplificação, microscópio ou binóculos, telescópio.

Não usamos a mesma ferramenta para aproximar o olhar de algo muito pequeno, como para olhar uma estrela, e quem tentou fotografar a Lua Cheia com a câmera do celular já se decepcionou, de tão inferior é a que nossos olhos percebem.

Isto nos ensina que nenhum objeto externo substitui a nossa própria experiência, o que sentimos, as sensações que nos causam afetações, algumas experiências mais grosseiras, densas, rústicas, outras vezes mais delicadas, precisas, tão sutis que não se repetem. Podendo até serem similares, mas não iguais.

Na ciência prática se gerou conceitos baseados na imprecisão de balanças ao pesarem o mesmo peso, a repetibilidade, quando o mesmo operador, usando o mesmo equipamento faz várias pesagens e obter uma média das leituras. Isto nos ensina que mesmo a nossa experiência se modifica a cada repetição, a resultante pode se modificar, em torno a algo, e geramos uma “média” do seu impacto.

Mas também se descobriu que se mudarmos ou o operador a realizar a medida, ou a balança que pesa, o resultado será diferente, gerando um conceito de reprodutibilidade, um grau de incerteza na medição.

No senso comum, se algo é descrito com um peso, deveria ser igual para todos. E que todos deveriam perceber o mundo da mesma forma que nossa “leitura”, isto não procede.

Cada um de nós usa um “óculo” diferente e fornece peso diversos a experiência da vida, lentes e filtros diversos.

O que para um pode ser algo muito pesado, denso, para outro pode ser bobagem, mimimi....

Só a própria pessoa sabe sobre o impacto que certo evento lhe afeta,

Ninguém pode jugar a “sensibilidade, precisão”, da balança, ou olhar do próximo, pois podemos estar usando um binoculo e a pessoa um microscópio, ou uma balança de carga grosseira e ela a mais preciosa...

Se muda o operador, ou o modo de realizar a operação, muda todo o resultado da vivência.

E a vida é feita de incertezas, a própria Lei de Murphy o constata: Se algo puder acontecer, irá acontecer, possibilidades e probabilidades, nunca se tem a certeza do resultado.

O que um dia, seja os óculos, ou a balança simples, nos davam certeza de algo, depois descobrimos que a medição era grosseira, imprecisa, incerta.

Das “medições” que hoje temos certeza, em breve poderemos descobrir que ainda continham incertezas.

Que a cada momento, alguma informação nos chega, e nos modifica, nos aperfeiçoa em alguma capacidade e isto terão preço de perdermos outra habilidade.

Não se trata de substituir o modo anterior, mas de trazer novos saberes e amplificarmos nosso campo de possibilidades conscienciais, de incertezas.

Quem tem certeza, se fecha, se limita, a própria tecnologia pode nos possibilitar um novo modo de trabalhar a nossa realidade possível.

A Humanidade não estaciona, sempre somos curiosos se há um jeito melhor de se lidar com um saber, um generalista e superficial, ou especialista, profundo, mas limitado ao foco do estudo.

Um microscópio não serve para estudar estrelas, nem um telescópio como o James Webb serve para estudar o átomo.

Mas um oferta referencias para compreender o outro, estudar o microcosmo ajuda desvendar o macrocosmos.

Não dá para pesar uma estrela, a colocar em um laboratório, mas conseguimos calcular sua massa e peso por seu volume e composição.

Mas será uma” leitura grosseira” que no futuro corrigiremos, e da mesma forma, acontece com a vida interior de outra pessoa, nossa leitura é grosseira, feita a distância.

Podemos supor, mas nossa ignorância traz grande incertezas, mesmo se usarmos toda tecnologia de imagens e exames, haverá possibilidades e incertezas.

E nós mesmos, ao mergulharmos em nosso mundo interior, observaremos a bioquímica, as sinapses biológicas em um aspecto, mas haverá o mundo emocional em outro plano, e o mental, em um terceiro e as interfaces entre eles.

Estudar o Humano de forma holística também é algo iniciado, como as primeiras lupas e balanças, grosseiras, mas que nos fizeram mudar toda percepção de mundo.

Estamos tão longe de descobrir como funcionamos, como estamos de compreender o Universo que nos contém e o microcosmos que contemos em nós e chamamos de corpo ou realidade.

Nos falta “óculos” e “balanças” para este estudo, compreender como funcionamos e os outros funcionam.

Aceitar que vivemos em Incertezas, aceitar nossa ignorância atual e as anteriores, é um grande desafio que exige compaixão, muito autoamor incondicional.

Aceitar que nosso senso de equilíbrio ainda é frágil, mas já foi mais, pois no passado tínhamos ferramentas mais rústicas, imprecisas para nos manter em equilíbrio, mas também era mais difícil entrarmos em desequilíbrio, por termos menor sensibilidade, menos autoconsciência, éramos mais” grosseiros” nas medições.

Com o aumento do grau de autoconsciência, aumentou nossa sensibilidade, de “leitura”, mas ainda precisamos aprender como lidar com esta nova percepção, existe em nós também um tempo de resposta para esta nova adaptação a esta nova realidade e possibilidades que nossa máquina humana está adquirindo.

Entre o Homo Sapiens, e o Sapiens Sapiens foram necessários séculos para desenvolver a nova habilidade ofertada pela formação do terceiro cérebro.

Mas do Atual HSS nasce um Homo Espiritualis, com uma inteligência amorosa, fraterna, menos competitiva e mais capaz de compartilhar, romper com a separação e se mover para a integração da interdependência.

Ainda estamos compreendendo que nosso modo atual de perceber a vida, ainda é grosseiro, se bem que melhor do que era em tempos mais primitivos, mas uma nova possibilidade, com mais precisão nasce.

O que o Hubble nos ofertou de imagens do Universo profundo, o James Webb irá aprofundar. Como observamos Marte, hoje se modifica com os rovers e equipamentos que lá estão.

Nós somos o melhor observador para “navegarmos” dentro de nosso universo interior, a explorá-lo com todos nossos recursos, um microscópio, enquanto outra pessoa está observando através de um telescópio o que está longe dela, aumentando a imprecisão.

Então, por que validar a opinião do outro, ao invés de atentar a nossa própria medição, mesmo que haja imperfeições nas nossas “leituras”, medições, pois somos os únicos agentes capazes de obter o melhor equilíbrio interno e o ajustar a cada fator de desequilíbrio que nos afeta?

Gerar em nós este Ser Humano mais sensível, desenvolver uma “inteligência mediúnica”, mais capaz de ajustes mais precisos e preciosos, como se deixássemos de ser uma balança mecânica capaz de só ler quilos, para uma digital, capaz de ler mais casas após a vírgula, muito mais sensível, delicada ao manuseio, capaz de se manter equilibrado mesmo que realizando trocas com o que hoje consideramos mundo invisível.

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Conteúdo desenvolvido por: Ingrid Monica Friedrich   
Ingrid M. Friedrich (CRT 44680) Atua com Psicoterapeuta Alquimista e Junguiana- Conselheira Metafisica, Mediúnica e Profissional-Terapeuta Breve-Lado Sombra, Reprogramação Autoimagem, PNL, e técnicas em sincronícidade, como facilitadora no processo do autoconhecimento, em busca de melhor qualidade de vida.
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