A LINGUAGEM "QUÂNTICA" VIROU UM ÁLIBI MODERNO PARA A IRRESPONSABILIDADE PESSOAL
Autor Dalton Campos Roque
Assunto EspiritualidadeAtualizado em 1/10/2026 11:42:24 AM
1. Quando palavras difíceis dispensam compreensão
Em algum ponto recente da história do espiritualismo contemporâneo, termos científicos começaram a circular com naturalidade em ambientes que não exigem rigor conceitual. "Quântico", "campo", "colapso", "observador", "potencialidade" passaram a ser usados como se explicassem algo, quando na prática apenas suspendem o questionamento.A palavra difícil cria um efeito imediato: ela intimida a análise. Diante de um termo técnico deslocado de seu contexto original, o ouvinte médio tende a aceitar ou se calar. A sensação de profundidade substitui a compreensão real. O discurso parece avançado, mas opera como cortina de fumaça.
O problema não é o diálogo entre ciência e espiritualidade. O problema é quando a linguagem científica passa a ser usada como argumento de autoridade para evitar responsabilidade pessoal.
2. A ciência deslocada de sua função explicativa
Na ciência, conceitos existem para descrever fenômenos observáveis, testáveis e delimitados. Fora desse contexto, eles perdem função explicativa e se tornam apenas metáforas. O uso honesto da metáfora exige clareza de que se trata de analogia, não de explicação literal.O discurso espiritual popular rompe essa fronteira. Termos científicos são arrancados de seu campo de origem e reutilizados como justificativa universal. Decisões pessoais, escolhas emocionais e até comportamentos eticamente questionáveis passam a ser explicados como "efeitos quânticos", "saltos de consciência" ou "realinhamentos de campo".
Com isso, o esforço de compreender motivações reais, limites pessoais e consequências concretas é abandonado. A linguagem elevada substitui a análise honesta.
3. O álibi perfeito para o ego espiritualizado
Para o ego, a linguagem quântica oferece uma vantagem decisiva: ela permite explicar tudo sem assumir nada. Um erro não é erro, é "colapso de possibilidade". Uma fuga não é fuga, é "mudança de linha de realidade". Um dano causado ao outro não é responsabilidade, é "incompatibilidade vibracional".Essa lógica cria um espaço simbólico onde não há culpa, mas também não há aprendizado. Tudo acontece, nada é assumido. O indivíduo se sente sofisticado, informado e alinhado com uma suposta ciência de ponta, enquanto permanece emocionalmente imaturo e eticamente inconsequente.
A ciência, que deveria aumentar rigor, é convertida em instrumento de autoengano elegante.
4. O preço invisível da pseudocientificação espiritual
As consequências desse processo não são apenas conceituais, são práticas. Psicologicamente, a pessoa perde a capacidade de narrar sua própria experiência de forma honesta. Tudo é explicado em termos abstratos, distantes da realidade concreta do sentir, agir e reparar.No plano kármico, entendido como encadeamento de causas e efeitos ao longo do tempo, o prejuízo é evidente. Sem reconhecimento claro das próprias escolhas, não há integração de aprendizado. O ciclo se repete com novas palavras, mas com os mesmos padrões.
No campo coletivo, esse discurso enfraquece o próprio diálogo entre ciência e espiritualidade. Cientistas passam a rejeitar qualquer aproximação, enquanto espiritualistas se fecham em bolhas conceituais autorreferentes.
5. O que se perde quando tudo vira explicação elegante
Quando toda experiência é explicada por conceitos grandiosos, perde-se a simplicidade da responsabilidade. Pedir desculpas, reparar um dano, rever uma decisão ou admitir ignorância tornam-se gestos raros, quase antiquados.A consciência passa a operar mais preocupada em parecer esclarecida do que em ser coerente. O discurso cresce, mas o caráter não acompanha. A linguagem se expande, enquanto a maturidade permanece estagnada.
Nesse ponto, o vocabulário se torna mais desenvolvido que a própria consciência que o utiliza.
6. Ciência não substitui ética nem lucidez
A ciência, quando respeitada, amplia compreensão do mundo físico. A espiritualidade, quando madura, amplia compreensão da experiência consciente. Nenhuma das duas substitui a necessidade de responsabilidade pessoal.Usar linguagem científica para evitar assumir consequências não é integração de saberes, é fuga sofisticada. A verdadeira maturidade começa quando o indivíduo reconhece que nenhuma teoria, quântica ou espiritual, o exime de responder por suas escolhas.
A lucidez não está em dominar palavras difíceis, mas em sustentar coerência entre o que se compreende, o que se faz e o que se produz no mundo.
Dalton Campos Roque - Sensibilização Consciencial
Espiritualidade sem religião, ética sem doutrina, reforma íntima sem evangelho, intelecto sem arrogância, bom humor sem puritanismo e música com consciência.
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Autor Dalton Campos Roque Médium, projetor astral consciente, sensitivo, escritor e editor consciencial, autor de dezenas de obras espiritualistas. Eng. Civil e Professor de Informática (aposentado), pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, e em Educação em Valores Humanos (linha de Sathya Sai baba). @Consciencial YT: @DaltonRoque E-mail: [email protected] | Mais artigos. Saiba mais sobre você! Descubra sobre Espiritualidade clicando aqui. |
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